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Só Lula sabe sua intenção ao declarar: “Eu falo que não decidi que vou ser candidato ainda”, em entrevista na semana passada.
Aliados do presidente têm diferentes interpretações e especulações sobre o que ele realmente quis dizer, a quem quis enviar recados e se de fato pode deixar de concorrer à reeleição.
No governo, entretanto, o cenário continua de Lula candidatíssimo, segundo Fabio MuraKawa, Daniel Marcelino e Beto Bombig analisam na nota de abertura.
Donald Trump comprou briga com o papa Leão 14 e publicou uma imagem gerada por inteligência artificial de si próprio no lugar de Jesus Cristo curando um doente — apagada após críticas de lado a lado.
O Planalto vê a derrota de Viktor Orbán na Hungria como um bom sinal, de que o presidente dos Estados Unidos continua com seu poder de “Midas reverso” em relação aos aliados da extrema direita ao redor do mundo, Vivian Oswald escreve na nota 2.
A prisão de Alexandre Ramagem na Flórida, com cooperação internacional entre a Polícia Federal e autoridades dos Estados Unidos, é um lembrete dos riscos eleitorais de lado a lado.
Boa leitura.
1. O ponto central: A cabeça do presidente
Uma fala de Lula na semana passada disparou especulações sobre sua real disposição de concorrer à reeleição, em meio a uma tempestade perfeita que inclui múltiplos fatores, Fabio MuraKawa, Daniel Marcelino e Beto Bombig escrevem no JOTA PRO Poder.
Os obstáculos incluem — mas não estão limitados — ao crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas, às dificuldades de alavancar sua popularidade, à guerra no Irã e ao escândalo do Master.
Há diferentes interpretações, mas Lula afirmou com todas as letras que ainda não definiu se será candidato, em entrevista ao site ICL Notícias (sem paywall).
🔭 Panorama: Pessoas influentes no entorno do petista já questionam a conveniência de ele concorrer sob o risco de encerrar sua biografia política com uma derrota nas urnas — e, ainda por cima, para Flávio Bolsonaro.
Entretanto, dentro do governo, o cenário é de Lula candidatíssimo.
Mesmo nos bastidores, a maior parte das fontes sequer admite a possibilidade de uma desistência a essa altura.
Algumas até se irritam com o questionamento — que se tornou mais frequente, sobretudo após a declaração do presidente.
De fato, um “plano B” ainda não é discutido a sério.
Sim, mas… Essa conversa não é recente.
No ano passado, quando outra tempestade perfeita — a da fake news do Pix e da inflação de alimentos — fustigava a popularidade do presidente, já se ouvia entre petistas históricos afirmações como “é melhor perder a eleição de goleada do que Lula perder por pouco”.
A idade do petista, que estará com 81 anos quando assumir um eventual quarto mandato, não é a questão, ao contrário do que insinuam notas na imprensa.
É difícil dizer o que motivou a fala do presidente.
Para alguns, o que ele quis realmente dizer é que ainda não é candidato oficial.
Mas outras pessoas, que frequentam o dia a dia do Planalto ou têm um certo grau de convivência com Lula, acreditam que a afirmação não foi feita por acaso.
A partir daí, há especulações sobre qual teria sido a intenção dele.
Lula quis dar um chacoalhão no PT e na comunicação do governo, diante das dificuldades;
a fala representa uma estratégia deliberada para confundir, tanto o seu campo quanto o campo adversário;
ele realmente já não está tão certo sobre se vale a pena concorrer em outubro.
A resposta correta está somente na cabeça de Lula.
🔮 O que observar: Pode-se falar em frustração neste momento, mas não em desânimo.
Dentro do governo, sobretudo na Secom, ainda se acredita que é possível virar o jogo.
Apesar disso, o número de integrantes do governo e do PT preocupados com a possibilidade real de derrota vem se avolumando.
A estratégia para a virada passa por uma “desmontagem” de Flávio Bolsonaro.
Também existe a aposta de que, no momento mais agudo da campanha, será possível impulsionar a imagem do presidente com a apresentação de programas aprovados pelo público e a comparação com o governo Jair Bolsonaro.
Por fim, há o entendimento de que a isenção do IR e o pacote para conter o endividamento terão efeito cumulativo que permitirá melhorar a sensação de bem-estar geral — em uma conclusão que mistura análise e torcida.
UMA MENSAGEM DA FLIXBUS
Falta de previsibilidade trava o transporte
A condução da janela extraordinária de abertura do transporte rodoviário interestadual de passageiros da ANTT reforça um dos principais gargalos do Transporte Rodoviário Interestadual de Passageiros: a baixa previsibilidade regulatória. Após a retomada do processo, em outubro de 2025, houve meses sem atualizações, dados consolidados ou cronograma claro.
Foi necessária a atuação do Ministério Público Federal e questionamentos no Supremo Tribunal Federal para que a agência trouxesse mais transparência.
Em um setor que exige investimento relevante, essa indefinição compromete planejamento e entrada de novos operadores.
O resultado é um ambiente de espera, em que o risco regulatório passa a pesar tanto quanto o potencial econômico dos novos mercados. Mesmo temas que deveriam ser simples acabam gerando insegurança jurídica na prática.
2. Exemplo de fora
Peter Magyar, presidente eleito da Hungria que derrotou Viktor Orbán / Crédito: Sean Gallup/Getty Images
O governo brasileiro recebeu com certa dose de satisfação a derrota de Viktor Orbán na Hungria, Vivian Oswald escreve no JOTA PRO Poder.
Por que importa: O Planalto monitorou o pleito com lupa e segue preocupado com o potencial de interferência dos Estados Unidos de Donald Trump em eleições de outros países.
O temor de ingerência no Brasil não se restringe à pressão direta da Casa Branca sobre a campanha eleitoral, que, até aqui, parece querer manter relação cordial com Brasília.
Segundo interlocutores, a influência poderia vir de fundações, think tanks e até mesmo das big techs na campanha eleitoral, que começa a ganhar tração.
⏩ Pela frente: Os sinais que vêm de fora têm criado constrangimento para a direita brasileira ao se associar a Trump.
O novo ímpeto americano de ir atrás do Pix, com base na investigação sob a seção 301, é outro tiro que pode sair pela culatra.
Tudo terá de ser colocado no cálculo político da direita.
Os riscos para um lado e outro continuam no horizonte.
3. Aliás…
O ex-deputado Alexandre Ramagem durante sessão na Câmara / Crédito: Lula Marques/Agência Brasil – 30.abr.2025
A prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem pelo ICE — serviço de imigração que ganhou poder e orçamento sem precedentes sob Trump — decorreu “de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos Estados Unidos”, segundo a corporação informou em nota.
Foragido desde setembro passado, ele estava em situação ilegal no país norte-americano. Leia mais.
Investigações da Polícia Federal mostram que o parlamentar fugiu para os Estados Unidos após atravessar de forma clandestina a fronteira do Brasil com a Guiana com a ajuda de garimpeiros.
O JOTAtentou contato com o advogado de Ramagem no Brasil, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto.
4. Fogo amigo
Sessão em que a Câmara aprovou em primeiro turno a PEC 383/17 / Crédito: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
O avanço da PEC que destina um percentual da receita pública para a assistência social mostra como a equipe econômica tem enfrentado dificuldades nesse tipo de debate, Fábio Pupo analisa no JOTA PRO Poder.
Mesmo com técnicos do Tesouro Nacional alertando para os problemas, o texto avançou com declarações favoráveis de parlamentares do PT e respaldo de membros do governo.
A PEC cria mais uma destinação obrigatória no Orçamento, caminhando na contramão do discurso do ministro Dario Durigan de que é necessário rever esse tipo de gasto.
Essas rubricas crescem todo ano e tiram a flexibilidade de escolha para a aplicação — ou poupança — dos recursos.
🔭 Panorama: Aprovada na última quarta (8) pela Câmara em primeiro turno, a PEC 383/17 vincula 1% da receita corrente líquida da União, de estados, do Distrito Federal e de municípios ao Suas (Sistema Único de Assistência Social), de forma gradual ao longo dos anos.
Foram 464 votos favoráveis e 16 contrários.
A PEC precisa ser analisada em segundo turno antes de ir ao Senado.
O apoio do PT à proposta revela o tamanho da dificuldade que a equipe econômica tem para prosseguir com um debate fiscal mais maduro, que aponte para esse tipo de proposta como algo merecedor de uma discussão mais aprofundada.
O desafio é ainda maior em ano eleitoral, quando se posicionar contra determinadas iniciativas fica especialmente arriscado.
💣 O que observar: Enquanto tenta conter outras pautas-bomba, a equipe econômica vem sinalizando a necessidade de ajustes relevantes na Previdência, no BPC, em benefícios sociais e em despesas obrigatórias de forma geral.
Há motivos para intensificar essa discussão, mas, pelo que se vê neste ano, o governo não conseguirá enfrentar esse debate sem dificuldade e muito trabalho de convencimento político — a começar pela própria casa.
5. Recalculando
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira / Crédito: Tauan Alencar/Ministério de Minas e Energia
Na última semana, interlocutores de Alexandre Silveira se contradiziam: alguns diziam que ele mantinha o plano de ser candidato ao Senado; outros cravavam que ele continuaria à frente da pasta.
Houve novos pedidos pela cabeça do ministro por parte de Davi Alcolumbre, mas o fato é que Silveira ficou sem espaço na eleição mineira.
🔭 Panorama: A ideia de ajudar a campanha de Lula ao articular a base em Minas Gerais, como fez em 2022, desidratou — parte das bases nos municípios migrou para outras legendas e, entre os que ficaram, a tendência é de apoio à chapa do PSD.
Sem possibilidade de se candidatar por sua legenda, partido no qual deve continuar, Silveira não encontrou ambiente receptivo em outras grandes siglas, como MDB e PSB — este último a nova casa de Rodrigo Pacheco.
O clima entre Silveira e o senador continua ruim.
A subida de Lula ao palanque mineiro foi comprometida e, com isso, o ministro começa a dar sinais claros de uma mudança de rota política.
Silveira deu indícios de que pode trabalhar pela reeleição de Lula e, ao mesmo tempo, apoiar Mateus Simões, ex-vice de Zema e atual governador de Minas.
O ministro teceu elogios a Simões: “Muito preparado, foi até professor do meu filho na faculdade”, disse, ao participar de um painel na Latam Energy Week, e desejou boa sorte a ambos.
A postura foi indiretamente referendada por Gilberto Kassab, que também participou do evento.
“Não vejo nenhum problema”, disse o cacique, sobre Silveira fazer campanha para Lula.
Para interlocutores do Planalto ouvidos pelo JOTA, a situação exige uma intervenção do próprio Lula para evitar desdobramentos e a escalada do mal-estar entre Pacheco e Silveira.
Correligionários do ministro tentam colocar panos quentes e garantir que Silveira fará campanha “apenas” para Lula, sem entrar na disputa estadual.
6. Soluções negociadas
Representantes de planos de saúde assinam acordo com o CNJ / Crédito: Rômulo Serpa/CNJ
Operadores de planos de saúde assinaram um acordo de cooperação técnica com o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para incentivar a adoção de mecanismos de conciliação e solução dialogada, Lucas Mendes registra no JOTA PRO Poder.
A proposta passa por estimular os planos a participarem de audiências de conciliação.
Um dos focos é evitar que as disputas cheguem ao Judiciário, principalmente em assuntos que já têm uma jurisprudência pacífica nos tribunais superiores.
⚕️ Panorama: As operadoras fizeram uma lista com 5.050 processos que poderão passar por tratativas de conciliação.
O levantamento é inicial e abrange casos como os de medicamentos já incluídos no rol da ANS ou disputas por rescisão unilateral, segundo antecipou a conselheira do CNJ Daiane Nogueira de Lira, supervisora do Fonajus (Fórum Nacional do Judiciário para a Saúde), em participação no Fórum JOTA Saúde Brasileira (leia mais na nota seguinte).
“O acordo é primeiramente um pacto de que todos nós vamos nos envolver mais nesse tema e aos poucos vamos identificar processos e temas de conciliação ou de desjudicialização”, ela explicou.
“Não adianta reduzir as ações se a população não tem acesso à saúde, pública ou privada”, declarou.
A ideia é fortalecer o diálogo para resolver as demandas sem que seja preciso acionar a Justiça.
7. ‘Saúde será tema eleitoral’
O ministro Alexandre Padilha participa do Fórum JOTA / Crédito: Michael Borges Albergaria/JOTA
O JOTA realizou nesta segunda (13), em Brasília, o Fórum JOTA: Saúde Brasileira, com a participação algumas das principais autoridades da área.
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