Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124
Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124


O Ministério da Saúde anunciou, nesta quinta-feira (21/5), a adoção de um novo protocolo nacional inédito para o rastreamento e a detecção precoce do câncer colorretal no Sistema Único de Saúde (SUS). A medida, detalhada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante agenda oficial em Lyon, na França, estabelece o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) como o exame de referência para a triagem de pacientes na rede pública a partir do segundo semestre deste ano.
A iniciativa representa um passo estratégico na organização da oncologia pública brasileira, estruturando pela primeira vez uma política de rastreamento populacional sistemática para a doença a partir da atenção primária. A expectativa da pasta é ampliar o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros assintomáticos, na faixa etária entre 50 e 75 anos, às ações de prevenção e ao diagnóstico oportuno.
A decisão segue um procedimento técnico fundamentado na avaliação de diretrizes clínicas e custo-efetividade. A formulação do novo protocolo nacional contou com o parecer favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), emitido em março deste ano. A estratégia visa otimizar a alocação de recursos do SUS, reduzindo a mortalidade por tumores colorretais por meio de intervenções realizadas antes mesmo do aparecimento de sintomas clínicos.
O Teste Imunoquímico Fecal (FIT) consiste em uma tecnologia que substitui com maior eficácia os antigos métodos de pesquisa de sangue oculto nas fezes. Baseado em fitas rápidas, com dinâmica visual semelhante à de um teste de gravidez, o FIT utiliza anticorpos específicos para detectar variações microscópicas de hemoglobina humana nas fezes, o que eleva substancialmente a precisão do diagnóstico laboratorial. O método apresenta uma sensibilidade estimada entre 85% e 92% para identificar lesões pré-cancerígenas ou pólipos intestinais.
A incorporação traz vantagens operacionais significativas e maior potencial de adesão por parte da população, uma vez que o teste é não invasivo e realizado pelo próprio paciente em domicílio, coletando apenas uma amostra e dispensando o preparo intestinal complexo ou restrições dietéticas severas. Na dinâmica do fluxo assistencial, o FIT atuará como um filtro de triagem: pacientes com resultado positivo serão prontamente encaminhados para a realização de colonoscopia diagnóstica e terapêutica, permitindo a remoção de lesões precursoras antes de sua evolução para o câncer maligno.
A relevância da nova política pública ganha peso diante dos dados epidemiológicos nacionais. O câncer colorretal é atualmente o segundo tipo de tumor mais incidente no Brasil, desconsiderando os casos de pele não melanoma. Segundo as projeções do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o país deve registrar cerca de 53,8 mil novos casos por ano ao longo do triênio de 2026 a 2028. O debate público e a conscientização sobre a urgência do diagnóstico ágil ganharam ampla repercussão recente em decorrência da trajetória da cantora Preta Gil, que enfrentou publicamente a enfermidade e sensibilizou toda a sociedade civil.
O anúncio do protocolo em solo francês ocorreu paralelamente à assinatura de um memorando de entendimento focado no cuidado oncológico, firmado entre a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc), órgão vinculado à Organização Mundial da Saúde (OMS). A articulação internacional integra o plano federal “Agora Tem Especialistas”, cujo escopo projeta consolidar a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e assistência oncológica em território nacional.