No G7, Vieira e Marco Rubio voltam a falar em cooperação no combate ao crime organizado

Às margens da reunião de chanceleres do G7 em Paris, o ministro das Relações, Mauro Vieira, e o secretário de Estado americano, Marco Rubio, trataram (em encontro que não estava na agenda) de acordo de cooperação no combate ao crime organizado, proposto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Donald Trump e que vem sendo negociado entre os dois países. A conversa teve por base a lógica de cooperação.

Dentro do governo federal a expectativa é a de que, a despeito de rumores de que os EUA poderiam unilateralmente classificar o PCC e CV como grupos terroristas, os americanos esperem a evolução das negociações sobre o tema. Como antecipou o JOTA, a eventual classificação das duas organizações criminosas como grupos terroristas, como estaria sendo discutida nas alas mais radicais da Casa Branca, pode causar danos ainda difíceis de mensurar ao sistema financeiro nacional, segundo fontes do governo e especialistas. A avaliação é de que os danos podem ser maiores e custosos que a Lei Magnitsky, aplicada contra o ministro Alexandre de Moraes no ano passado.

O encontro entre Rubio e Vieira na França reforça a ideia da manutenção dos canais abertos, enquanto não há no horizonte uma data para o olho no olho entre Lula e Trump em Washington.

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Na avaliação de interlocutores, existe uma janela de oportunidade para que a reunião, que está sendo discutida desde novembro do ano passado, aconteça. E ela se fecha em julho, quando o governo deve entrar em modo eleição total. Atribui-se a falta de uma data ao fato de Trump estar dedicado à crise no Oriente Médio, o que levou a cancelar, pela primeira vez, a sua participação na Conservative Political Action Conference (CPAC) em Grapevine, no Texas.

Na pauta da conversa entre Vieira e Rubio estavam ainda o andamento do diálogo no nível técnico nessa área do acordo, assim como na área comercial. Eles também passaram por aspectos mais gerais e atualização dos contatos com USTR, que conduz a investigação sob a seção 301 aberta contra o Brasil no ano passado. Mas não teriam entrado em detalhes, já que o tema é da alçada do USTR, “em outro guichê”, como ressaltou uma fonte. Os dois, no entanto, fizeram uma atualização das conversas em curso no nível técnico.

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