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É preciso partir de uma premissa fundamental: o trabalho não é castigo. Ao longo da história, ele sempre foi um dos principais vetores de desenvolvimento humano, de autonomia, dignidade e transformação social. O desafio contemporâneo, portanto, não está em demonizar o trabalho, mas em construir relações mais equilibradas, produtivas e sustentáveis para trabalhadores e empregadores.
O debate sobre o fim da escala 6×1 surge em um contexto legítimo de busca por qualidade de vida e melhores condições laborais. Trata-se de uma discussão relevante e necessária. No entanto, mudanças estruturais dessa magnitude exigem responsabilidade, profundidade técnica e diálogo amplo com todos os setores da sociedade — especialmente com aqueles que sustentam a geração de empregos no país: os pequenos e médios empreendedores.
A posição defendida pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e pela Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP) vai justamente nessa direção. O alerta feito pelas entidades não é contra o trabalhador, mas contra a aceleração de uma pauta complexa sem o devido amadurecimento econômico e social.
Alterações abruptas nas jornadas de trabalho podem gerar impactos diretos no custo operacional das empresas, na capacidade de contratação, na competitividade e até na sobrevivência de pequenos negócios — especialmente em um país que ainda convive com baixa produtividade, elevada informalidade e enormes desigualdades educacionais.
É justamente nesse ponto que o debate precisa evoluir. Nenhuma sociedade alcança prosperidade sustentável apenas reduzindo jornadas. Países que hoje possuem relações de trabalho mais equilibradas chegaram a esse estágio após décadas de investimento contínuo em educação, qualificação profissional, inovação e aumento de produtividade.
O Brasil ainda enfrenta um déficit histórico de formação técnica e educacional. Sem enfrentar essa realidade, qualquer mudança estrutural corre o risco de produzir um efeito contrário ao desejado: menos oportunidades, menor renda e aumento da insegurança econômica.
A Faculdade do Comércio entende que o verdadeiro avanço social nasce do conhecimento. Uma sociedade mais preparada é também uma sociedade mais produtiva, inovadora e capaz de construir relações de trabalho mais humanas e modernas. O equilíbrio entre capital humano, produtividade e qualidade de vida não será alcançado por imposições apressadas, mas por um projeto nacional baseado em educação, qualificação e desenvolvimento.
Mais do que discutir quantos dias se trabalha, o Brasil precisa discutir como formar profissionais mais preparados para os desafios da nova economia, da transformação digital e da inteligência artificial. O futuro do trabalho exige novas competências, capacidade de adaptação e aprendizado contínuo.
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O debate sobre a escala 6×1 não pode ser contaminado por pressa política ou simplificações ideológicas. Ele deve ser conduzido com serenidade, responsabilidade e visão de longo prazo.
Porque sociedades fortes não se constroem apenas reduzindo jornadas. Constroem-se ampliando oportunidades. E nenhuma oportunidade transforma mais do que a educação.