Campanha de Flávio Bolsonaro aciona o TSE contra a pesquisa da AtlasIntel

Os advogados de Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, acionaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a pesquisa do Instituto AtlasIntel que apontou uma queda de cinco pontos nas intenções de voto do candidato no primeiro turno das eleições de 2026.

Entre os pedidos à Justiça eleitoral estão a suspensão da divulgação da pesquisa, informações sobre os métodos, multa à empresa e a proibição da divulgação do bloco de perguntas que relaciona Flávio Bolsonaro ao Banco Master e a Daniel Vorcaro.

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A representação questiona a metodologia adotada no levantamento e sustenta que o questionário teria sido estruturado de forma a induzir a percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro. Na petição apresentada no TSE, os advogados argumentam que das 48 perguntas, 8 tratam, “em claro induzimento”, do suposto envolvimento de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e o Banco Master.

Na semana passada, o site Intercept Brasil publicou reportagens de diálogos de Flávio com Vorcaro pedindo R$ 134 milhões para a produção do filme “Dark Horse”, que conta a história de Jair Bolsonaro, pai de Flávio e ex-presidente do Brasil.

Os advogados alegam que a ordem das indagações feitas aos 5 mil eleitores criaram uma narrativa contra o candidato. Segundo a peça apresentada houve uma progressão: medo eleitoral; comparação Lula x Flávio; fraude financeira; Banco Master; Daniel Vorcaro; conversas vazadas; possível envolvimento direto; impacto sobre voto; enfraquecimento da candidatura; retirada da candidatura.

“Essa cadeia produz contexto, não mera medição. A pesquisa, da maneira heterodoxa em que formulada, pode criar, indevidamente, manchetes e narrativas de campanha baseadas em resultados obtidos após estímulo negativo. Isso desvirtua a função informativa da pesquisa eleitoral e permite que o instrumento de medição se converta em meio indireto de propaganda negativa”.

Os advogados argumentam também que o áudio de Flávio com Vorcaro não poderia ser usado nas perguntas, uma vez que não há demonstração de autenticidade.

A representação pede a apuração de prática de crime eleitoral, por entender que a pesquisa foi fraudulenta ao tentar manipular o eleitor.

Em nota, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que “defende que pesquisas eleitorais devem seguir critérios técnicos rigorosos, com transparência, equilíbrio e imparcialidade, para não serem utilizadas como instrumento de direcionamento da opinião pública”.

A peça é assinada pela coordenadora jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro, Maria Claudia Bucchianeri, e os advogados Marcelo Bessa, Ana Marcia dos Santos Mello e José Vicente Santini.

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Outro lado

O instituto de pesquisa AtlasIntel afirmou que ainda não foi notificado oficialmente da ação. Disse ainda que manifesta “plena tranquilidade diante de qualquer questionamento” e está preparada para responder com o rigor técnico e metodológico que caracteriza seu trabalho no Brasil e no exterior. “A empresa colaborará com o TSE em tudo que for necessário e confia na análise imparcial das autoridades eleitorais competentes”.

Informou também que em nenhum momento, durante o questionário, o conteúdo do áudio foi reproduzido. “Foram feitas perguntas para verificar o conhecimento prévio do respondente sobre o caso e se ele já havia ouvido o áudio por conta própria — o que constitui prática metodológica padrão e legítima para mensurar o nível de exposição espontânea do eleitorado a determinado tema”, diz a nota.

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