Atlas traz boas notícias para Lula, mas rejeição ainda preocupa aliados

A pesquisa Atlas divulgada nesta terça-feira (19/5) foi amplamente comemorada no Palácio do Planalto. Já sob o impacto dos áudios revelados pelo portal The Intercept Brasil, o levantamento mostrou uma queda significativa das intenções de voto em Flávio Bolsonaro (PL), dando ao presidente Lula (PT) uma vantagem confortável frente ao rival tanto no primeiro turno quanto no segundo.

Para interlocutores de Lula, a pesquisa “recoloca as coisas nos trilhos”. Em outras palavras, restabelece o cenário esperado no entorno do petista quando Jair Bolsonaro decidiu lançar o filho candidato à Presidência da República, em dezembro. Comparado a outros candidatos mais ao centro, como Tarcísio de Freitas (Republicanos), o senador era visto como um adversário com mais dificuldades para conquistar e manter o chamado eleitor independente, que será decisivo para o resultado do pleito.

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A expectativa, à época, era que Flávio absorvesse os votos do bolsonarismo raiz, mas sem representar uma ameaça à reeleição. O que se viu nos últimos meses, porém, foi um crescimento vertiginoso do rival, que não só alcançou como ultrapassou Lula em cenários de segundo turno em praticamente todas as pesquisas, o que surpreendeu e assustou o governo.

Os áudios do Intercept parecem ter revertido essa tendência. Segundo a Atlas, as intenções de voto em Flávio no primeiro turno caíram de 39,7% em abril para 34,3% em maio. Lula teve ligeira alta, de 46,6% para 47%, e a diferença entre os dois, que era de quase 6,9 pontos percentuais, subiu para 12,7 pontos. No segundo turno, o cenário que era de empate técnico na casa de 47,8% a 47,6% pró-Flávio em abril converteu-se em uma vantagem de 7 pontos para o petista: 48,9% a 41,8%.

Um dado da Atlas particularmente comemorado é o que mostra que a percepção sobre o escândalo do Master mudou radicalmente depois dos áudios. Em abril, 39,5% acreditavam que o esquema de fraudes estava mais ligado a aliados de Lula, contra 28,3% de Bolsonaro. Agora, 43,3% relacionam o escândalo ao grupo bolsonarista, enquanto 32,8% seguem ligando a aliados do presidente.

Sem ‘salto alto’

Apesar de celebrar os resultados, a ordem na campanha petista é não acreditar que a eleição está decidida. No país do “plot twist” político, é importante não baixar a guarda nem vestir o salto alto. Flávio está passando por um momento difícil, mas os dados mostram que a situação de Lula não é nada confortável para um presidente que tenta se manter no cargo.

Dois dados preocupam, em particular. O primeiro é a rejeição a Lula, que continua em patamares muito elevados. Segundo a Atlas, 50,6% do eleitorado afirma que não votaria no petista de jeito nenhum. A boa notícia é que o rechaço a Flávio está maior, em 52,6%. Mesmo assim, é consenso na pró-campanha que é preciso diminuir a resistência ao presidente.

Outro número importante, e que precisa ser trabalhado, é a aprovação ao governo. Mesmo antes dos áudios de Flávio e Vorcaro, Lula já vinha diminuindo o saldo negativo entre aprovação e desaprovação, ainda que a conta-gotas. Essa diferença, que chegou a 8 pontos em fevereiro, agora está em 5,9 pontos, de acordo com a Atlas, mas o escândalo envolvendo Flávio não parece ter acelerado essa tendência. A meta no Planalto e no PT é chegar a julho com mais pessoas dizendo aprovar o governo do que o contrário.

Anúncios em série

A estratégia de Lula é seguir fazendo anúncios em série, enquanto seus aliados tentam colar na imagem do presidente a aprovação a medidas e iniciativas amplamente bem vistas pela população.

Nesse sentido, entram desde anúncios pontuais como o fim da taxa das blusinhas e o subsídio aos combustíveis até programas como o Pé-de-Meia e propostas como o fim da jornada 6×1, encampada pelo Planalto.

Torcida é para que Flávio não derreta

Aliados de Lula também tentarão manter vivos na memória da população os vínculos de Flávio com o Banco Master pelo maior tempo possível, enquanto retiram velhos esqueletos do armário do senador para aumentar sua rejeição. Casos como a loja de chocolates no Rio de Janeiro, as “rachadinhas” em seu gabinete nos tempos de deputado estadual e a compra de uma mansão com dinheiro vivo em Brasília serão amplamente relembrados na esteira dos áudios do Intercept.

A torcida no Planalto, entretanto, é para que Flávio não derreta. Outros rivais, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e políticos com o perfil de Ronaldo Caiado (PSD), são vistos como mais difíceis de derrotar nas urnas do que o senador. Mas, qualquer que seja o nome, ele só seria viável caso Flávio retire sua candidatura.

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O senador claramente tem um piso de votos que é o do eleitor bolsonarista raiz. O envolvimento no escândalo até pode inviabilizar sua vitória contra Lula. Mas, com o apoio do pai, ele dificilmente cairá abaixo de um patamar que o retire da segunda colocação na disputa presidencial. 

Nesse cenário, a bola novamente estará com Jair Bolsonaro. Assim como em dezembro, quando havia fortes pressões para que indicasse Tarcísio, o ex-presidente pode ser novamente forçado a decidir se vale mais a pena perder uma eleição com o filho na cabeça de chapa ou apoiar um aliado sem seu sobrenome — o que poderá lhe custar a perda da hegemonia sobre a direita no Brasil.

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