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A pouco mais de quatro meses do primeiro turno, as pesquisas começam a oferecer sinais mais consistentes sobre os contornos da disputa pela sucessão presidencial. Muitos fatores ainda influenciarão o resultado de outubro, como, por exemplo, os possíveis impactos das investigações envolvendo o Banco Master no cenário eleitoral, que na quarta-feira (13/5) atingiram Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e causaram impacto no campo da centro-direita .
Mas a leitura dos levantamentos estaduais realizados até agora já indica que o desempenho do presidente Lula (PT) e de seus aliados em pelo menos sete estados será decisivo para definir o próximo ocupante do Palácio do Planalto: São Paulo (22% do eleitorado), Minas Gerais (10%), Rio de Janeiro (8%), Bahia (7%), Paraná (5%), Rio Grande do Sul (5%) e Ceará (4%).
Juntos, esses sete estados concentram cerca de 62% do eleitorado brasileiro, praticamente dois em cada três eleitores do país. Apenas o trio SP, MG e RJ reúne 40% dos eleitores do país. Em uma disputa que se desenha apertada, pequenas oscilações nesses grandes colégios eleitorais podem ser suficientes para alterar o equilíbrio da disputa nacional. O cenário que emerge dos números é de equilíbrio tenso. Lula lidera em Minas e domina no Nordeste, mas segue atrás de Flávio Bolsonaro em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul.
A comparação com 2022 anima o campo governista com os resultados hoje obtidos em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas, mesmo nesses estados, o presidente não aparece com folga suficiente para relaxar.
A comparação com 2022 anima o campo governista com os resultados hoje obtidos em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas, mesmo nesses estados, o presidente não aparece com folga suficiente para relaxar. Os dados são do Agregador de Pesquisas do JOTA.
Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, Flávio Bolsonaro lidera com 46% contra 41% de Lula no primeiro turno. No segundo, a vantagem sobe para 53% a 47%. O dado positivo para o PT é que o desempenho atual supera ligeiramente o de 2022, quando Lula terminou o primeiro turno com 41%, ante48% de Bolsonaro pai, e perdeu o estado também no segundo por 45% contra 55%.
Apesar do isolamento partidário na centro-esquerda, Lula está bem posicionado no estado com um time composto por ex-ministros já testados e aprovados nas urnas: Fernando Haddad, ex-prefeito da capital paulista, como nome para o governo, e o ex-governador Márcio França (PSB) e as exsenadoras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) disputando internamente as duas vagas ao Senado.
Falta ainda definir quem será o vice de Haddad. Por ora, o presidente e seu ex-ministro da Fazenda seguem buscando um perfil ligado ao empresariado ou ao agronegócio. No entanto, é possível que França, Tebet ou Marina possam ficar com a vaga para reforçar as posições da centro-esquerda no estado.
Minas Gerais apresenta o quadro invertido: Lula soma 43% contra 38% de Flávio Bolsonaro, com vantagem de 52% a 48% em um eventual segundo turno. Ainda assim, o presidente corre atrás de sua própria marca: em 2022, obteve 48% dos votos válidos no primeiro turno contra 44% de Jair e venceu o estado por margem mínima no segundo turno, 50,2% a 49,8%.
No segundo maior colégio eleitoral, a situação de Lula está entre as mais difícieis em termos estaduais nesta fase da pré-campanha. O presidente ainda não possui um pré-candidato, enquanto Flávio se encaminha para acertar o apoio do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), líder em todas as pesquisas de intenção de voto.
Caso Rodrigo Pacheco (PSB) não aceite concorrer ao governo, o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) e o empresário Josué Alencar (PSB), ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), são as opções colocadas à mesa de Lula, pois a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT) deve permanecer na disputa pelo Senado.
No Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro lidera com 45% contra 42% de Lula. No segundo turno, a diferença se aprofunda: 55% a 45%. Mesmo assim, o petista está em posição mais competitiva do que há quatro anos, quando perdeu o estado por 51% a 43% no primeiro turno, e 57% a 43% no segundo.
A posição de Lula é confortável no Rio de Janeiro, onde ele acertou uma aliança com o ex-prefeito da capital fluminense Eduardo Paes (PSD), líder isolado das pesquisas. Em sentido inverso, Flávio Bolsonaro tenta construir a candidatura de Douglas Ruas (PL) com apoio de partidos da centro-direita, sendo que alguns deles estão próximos de Paes.
A estratégia petista para a reta final é clara: ampliar a margem no Nordeste para compensar o desgaste no Sul e disputar melhor o Sudeste. Na avaliação interna do PT, é preciso “vencer bem na região para ganhar musculatura na contabilidade nacional”. Na Bahia, Lula registra 59% das intenções de voto no primeiro turno, contra 30% do adversário – vantagem que sobe para 68% a 32% no segundo.
Os números são expressivos, mas ficam aquém dos 70% que o petista obteve ante 24% de Bolsonaro no primeiro turno e dos 72% a 28% no segundo. Na Bahia, Lula tem um palanque consolidado com a disputa de Jerônimo Rodrigues (PT) à reeleição, ainda que ACM Neto (União) também esteja bem posicionado nas pesquisas e seja considerado um adversário difícil.
No entanto, é importante ressaltar que, no histórico recente das eleições, os presidenciáveis petistas (Lula, Dilma e Haddad) sempre abriram larga vantagem no estado. Ou seja, se a diferença se estreitar na Bahia, terá que ser compensada em outro estado.
No Ceará, o quadro é semelhante: 61% a 32% no primeiro turno e 65% a 35% no segundo, abaixo dos 66% alcançados no primeiro turno na eleição anterior e dos 70% no segundo turno. Lula terá um dos seus maiores desafios no Ceará, pois o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), líder nas pesquisas, confirmou esta semana que concorrerá ao comando do estado.
Porém, o principal adversário do tucano ainda segue sendo o atual governador Elmano de Freitas (PT), candidato à reeleição e que tem gestão bem avaliada, de acordo com levantamentos recentes.
O cenário mais adverso para Lula está no Sul. No Rio Grande do Sul, o presidente registra apenas 36% no primeiro turno, contra 46% de Flávio Bolsonaro, o que representa uma queda em relação aos 42% que obteve em 2022. No segundo turno, a desvantagem se aprofunda para 60% a 40%. Com o apoio de aliados, Lula conseguiu estruturar bons palanques.
O presidente Lula interveio para que o PT não tivesse candidatura própria para o governo no Rio Grande do Sul e apoiasse Juliana Brizola (PDT), que segue em situação competitiva com o candidato de Flávio, Luciano Zucco (PL). No Paraná, o quadro também é desfavorável: 30% a 51% no primeiro turno e 36% a 64% no segundo. Também aqui o presidente recua em relação a 2022, quando terminou o primeiro turno com 36% dos votos válidos e 38% no segundo.
Para o governo do estado, o presidente fez a escolha por Requião Filho (PDT), também bem colocado nas pesquisas, mas atrás do senador Sérgio Moro (PL), apoiado por Flávio.
A fotografia atual da corrida presidencial nesses estados mostra uma disputa que será decidida nas margens. Lula preserva a liderança em Minas Gerais — estado que, historicamente, acompanha o vencedor nacional— e mantém domínio no Nordeste, ainda que abaixo do pico de 2022. Flávio Bolsonaro avança nos redutos tradicionais da direita e segura o maior colégio eleitoral do país, mas o caminho no Sul pode ser mais tortuoso do que os números sugerem hoje.
No Paraná e no Rio Grande do Sul, lidera as pesquisas, o filho de Jair Bolsonaro enfrenta palanques pouco orgânicos: além do candidato aliado de Lula, terá que lidar com os governadores que optaram por permanecer nos cargos, e que dificilmente irão apoiar sua campanha. No fim, o retrato desse xadrez aponta que a combinação entre desempenho regional e articulação local poderá ser o fator decisivo para definir o próximo ocupante do Palácio do Planalto.