Lula vai usar saúde como trunfo contra Flávio Bolsonaro, mas estratégia tem riscos

As declarações do ministro Alexandre Padilha (PT) no Fórum JOTA, realizado na segunda-feira (13/4), não deixam dúvida: saúde será um dos temas de destaque na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a reeleição. Repetindo a estratégia adotada em 2022, a ideia é contrapor a gestão do petista ao desempenho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PT) durante a pandemia de Covid-19, sobretudo a lentidão no fornecimento das vacinas e a recusa de se adotar medidas mais severas para isolamento social.

“Onde estava o filho de Bolsonaro?”, questionou Padilha, durante o evento, ao se referir às dificuldades do período. A fala não é isolada. No dia Mundial da Saúde, celebrado em 7 de abril, Padilha fez um discurso em tom semelhante, durante a inauguração do Memorial da Pandemia, espaço instalado no Centro Cultural do Ministério da Saúde, no Rio, para homenagear as mais de 700 mil vítimas da Covid-19.

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“O Brasil viveu, durante a pandemia, não apenas uma crise sanitária, mas uma crise de responsabilidade pública. O negacionismo custou vidas”, disse Padilha, na ocasião.

Mas a estratégia para associar o pré-candidato e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a um retrocesso na saúde vai além da Covid. A intenção é mostrar que a gestão melhorou as coberturas vacinais, o acesso à atenção especializada, com o programa Agora Tem Especialistas e, ainda, um reforço no programa para melhorar a produção nacional de medicamentos e produtos ligados à saúde. Flávio Bolsonaro representaria uma interrupção das ações e uma ameaça ainda à contribuição de organismos com os quais o Brasil tem uma estreita ligação: Organização Pan-Americana de Saúde e Organização Mundial da Saúde.

Esse discurso reforça uma postura retórica que está sendo pensada no Palácio do Planalto para o embate eleitoral contra Flávio Bolsonaro. Não basta apenas comparar, seja na Saúde ou na Economia, dados e posturas do governo petista em relação ao do pai do senador, o ex-presidente Jair Bolsonaro. É preciso acrescentar o componente “medo”, tentando mostrar à população que o retorno do bolsonarismo ao poder representa uma série de ameaças a conquistas da atual gestão em várias áreas.

Nesse sentido, Padilha procurou associar Flávio Bolsonaro a uma eventual ameaça de o Brasil deixar as organizações. Mais: a ideia de mostrar que a família Bolsonaro está associada à conturbada gestão dos hospitais federais no Rio.

O tema é delicado e histórico. Durante anos, a gestão destas unidades foi fonte de problemas para o governo federal. Quando Nísia Trindade estava à frente do ministério, iniciou-se um processo de mudança na gestão das unidades. Houve uma forte reação e há quem afirme que a crise então formada contribuiu para a saída da socióloga do cargo de ministra.

Há outro ponto emblemático: a saúde da mulher. Padilha afirmou que o programa para reeleição pretende se concentrar em medidas para fortalecer ações dirigidas a esse público. A escolha talvez não seja por acaso. Pesquisa BTG Nexus feita com entrevistas nos dias 27 e 29 de março, por exemplo, mostra que a rejeição a Lula é menor entre mulheres. O anti-bolsonarismo, por seu turno, é maior entre esse grupo.

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O papel de Padilha

Padilha foi um dos poucos ministros a não sair da Esplanada para tentar uma vaga no Congresso. A intenção de permanecer no governo já havia sido divulgada, mas alguns observadores ainda tinham dúvidas em afirmar com convicção que este caminho seria trilhado.

A ideia é que o ministro, que está pela segunda vez à frente da pasta, ajude na interlocução com parlamentares, sobretudo para liberação de emendas, além de reforçar o palanque de Lula.

Uma rápida olhada na agenda mostra que o caminho já vem sendo trilhado. Desde fevereiro, Padilha e Lula participaram de onze eventos: desde ampliação de leitos e entrega de ambulâncias a visitas a fábricas.

Um dos temas que tradicionalmente despertam mais preocupação entre eleitores, saúde também tem potencial para gerar desgastes. Aumento de casos de dengue, por exemplo, é sempre associado à gestão federal. A escolha, portanto, embora repita uma estratégia usada com sucesso em 2022, não está livre de riscos.

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