Lula vence apenas se transformar eleição em plebiscito sobre soberania nacional

As recentes pesquisas de intenção de voto dão um sinal inequívoco de que Lula com altas taxas de rejeição corre sério risco de não ser reeleito e, pior, perder a chance de obter um quarto mandato para o filho de um golpista.

Flávio Bolsonaro candidatou-se em nome do pai, Jair, e vai governar em nome dele e das demandas de parte significativa do eleitorado por reacionarismo. Será o governo do filho, acompanhado pelo espírito de porco do trumpismo em sua versão tupiniquim. Aliás, a última do chefe-mor da extrema direita global, atual inquilino da Casa Branca, foi se comparar a Jesus Cristo numa montagem de inteligência artificial e ameaçar o papa Leão XIV.

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Mas voltemos ao cenário nacional, pois, ainda que impactado por fatores externos, ele é o desdobramento de dinâmicas internas de poder acima de tudo. Diferentemente do que se passou em 2022, parte da burguesia nacional não parece dar a mínima para o fato de que o bolsonarismo tem tudo para colocá-la em apuros. Ainda mais depois do tarifaço perpetrado pelo irmão de Flávio, Eduardo “Bananinha” Bolsonaro.

Se a elite prefere apostar novamente numa direita tresloucada, paciência. A preservação da soberania nacional pode encontrar sustentação independentemente das posições daqueles que, acima de tudo, deveriam buscar racionalidade. O mais racional neste momento delicado da geopolítica internacional seria manter um governo que, não obstante suas limitações, tem sabido navegar o Brasil nas águas turvas da desglobalização.

Assim, cabe à atual coalizão governista, representada pela união de dois ex-adversários históricos — Lula na presidência e o ex-tucano Geraldo Alckmin na vice —, elaborar uma narrativa que caracterize esta eleição como um plebiscito sobre a continuidade ou não da efetiva independência do Brasil. Flávio, assim como os demais candidatos à direita, parece querer colocar o país de joelhos perante Trump – a possível exceção seria Aldo Rebelo, ex-lulista hoje no Democracia Cristã e herdeiro de uma tradição nacionalista.

Mas como traduzir soberania — um conceito tão abstrato e ao mesmo tempo essencial para nossa organização diária — para o eleitor médio? Sem soberania, não poderíamos fazer o que queremos como nação. Nossas riquezas estariam sujeitas a uma força externa. Ou seja, ainda que uma independência absoluta seja algo quimérico, isso considerando que o Brasil é um país localizado na periferia sistêmica, pior ainda seria renunciar a qualquer ambição de autonomia estratégia.

A história está cheia de exemplos de países que entregaram sua soberania e/ou a tiveram sequestrada apenas para entrar numa espiral de miséria e violência. O caso da Índia moderna é inequívoco nesse sentido, pois impérios e principados independentes deram lugar ao colonialismo britânico a partir do século 18, houve uma estagnação na economia local de modo que ela perdesse o bonde da história pós-Revolução Industrial.

Para o eleitor médio, exemplos históricos soam muito abstratos. A soberania, portanto, deve ser traduzida em algo tangível, como o Pix, que é alvo do camarada Trump, que parece preferir alguém da família Bolsonaro no Planalto a ter que lidar com Lula, não obstante a química entre os dois. Alternativa a sistemas de pagamentos de bandeiras de cartão americanas, o Pix estará sob risco caso a direita entreguista chegue ao poder.

Também é interessante mostrar como o Brasil pode perder dinheiro se não souber investir nos metais críticos cobiçados pelos EUA caso não os negocie à luz dos imperativos da soberania nacional. Relembrar o tarifaço e suas origens golpistas bolsonaristas também ajuda a lembrar que, na atual batalha de rejeições, há o risco de instalarmos no Planalto um representante não da vontade popular, mas do bonezinho MAGA.

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Um dia desses recebi mensagem em privado criticando uma das minhas postagens recentes em redes sociais. A interlocutora argumentava que Flávio Bolsonaro e a subordinação aos EUA podem ser um caminho para que o país se torne desenvolvido. Para além da ignorância histórica que embasa a assertiva, achei curioso a proposta ter vindo de alguém que trabalha no setor do agro e só pode lucrar tanto quanto ganha hoje porque o Brasil é um país soberano e, portanto, pode manter relações com quem quiser, inclusive a China, hoje inimiga mortal dos Estados Unidos.

Flávio Bolsonaro não quer que sejamos senhores do próprio destino — termo que nos remete à novela Senhora do Destino, de 2004, em que a vilã Nazaré Tedesco roubava bebês, entre outras atrocidades. Flávio Bolsonaro encarna esse tipo de vilania. No caso, o bebê a ser roubado é o futuro do Brasil e nossa própria liberdade. No lugar do berço esplêndido, entra a mão torta do trumpismo conjugando o bolsonarismo. Bolsonarizar é um verbo conjugável apenas no pretérito do futuro.

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