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Se confirmadas as informações divulgadas pelo site Intercept das relações de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a pré-candidatura do senador a presidente deverá passar por um momento de estresse com possível dano eleitoral. Nesse sentido, a grande questão colocada neste momento é: havendo esse prejuízo de imagem, ele se reverterá em perda de apoio e queda nas intenções de voto?
Em outros termos, os supostos diálogos entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro, preso pela PF no escândalo do Banco Master, deverão testar, sobretudo, a resiliência da pré-candidatura do senador a presidente, algo que muita gente experiente da política sempre colocou sob dúvida.
Nos diálogos revelados pelo Intercept Flávio se refere a Vorcaro como “irmão”, insinuando proximidade com o ex-banqueiro, figura radioativa no mundo da política. Ao Intercept, o presidenciável do PL negou o conteúdo das divulgações e disse ser “mentira”.
Importante ressaltar que, desde que foi lançada em dezembro do ano passado, a pré-candidatura ostentou um crescimento quase constante nas pesquisas até chegar ao empate técnico com Lula no segundo turno na maioria dos levantamentos, sendo que os primeiros sinais de estabilidade começaram a surgir mais recentemente.
No entanto, esse crescimento nunca foi suficiente para eliminar todas as dúvidas quanto ao peso político de Flávio e demonstrar qual o seu estofo eleitoral porque ele se beneficiou da transferência quase automática das intenções de voto de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Era comum, por exemplo, nos bastidores serem feitas afirmações do tipo: “Flávio ainda não sabe o que é ser alvo de verdade”.
Portanto, a questão a partir de agora será saber se, neste momento, os eleitores que afirmam que irão votar em Flávio como principal opção contra Lula buscarão outras alternativas entre os nomes colocados ou se manterão fiéis a ele, independentemente de sua suposta ligação com Vorcaro. Uma questão mais de fundo é: e os tradicionais “eleitores bolsonaristas” vão abandonar o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro?
Se essas duas hipóteses forem desfavoráveis a Flávio, é provável que a chamada “direita independente”, conforme a terminologia utilizada na mais recente pesquisa da Quest, possa surgir como opção. Ou seja, parte das intenções de voto de Flávio deve ser transferida para Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).
Há ainda, obviamente, a possibilidade de o próprio Lula, em caso de “derretimento” da candidatura de Flávio, herdar apoios e demonstrar crescimento nas pesquisas. Essa hipótese, no entanto, dependerá de como o PT irá tratar o tema eleitoralmente, já que o escândalo do Master ainda não teve todo seu conteúdo revelado, segundo relatos das autoridades de Brasília.
O instituto Datafolha está em campo para mais uma rodada de sua pesquisa presidencial. Porém, é pouco provável que os resultados reflitam o impacto ou não das revelações do Intercept nas intenções de voto em Flávio.
A notícia envolvendo o senador surge em um momento particularmente favorável para o Planalto, que já colocou em marcha seu Master Plan eleitoral, que inclui acelerar o anúncio de medidas de forte apelo popular. Entre as iniciativas anunciadas nas últimas semanas estão o pacote de Segurança Pública, o Desenrola 2 e, mais recentemente, o fim da chamada taxa das blusinhas.
A ofensiva do Planalto tem como objetivo melhorar o ambiente político de Lula a tempo para a formação das chapas e palanques estaduais, que se encerra ao final de julho. No cálculo do presidente, chegar em julho com índices mais favoráveis de aprovação e com um noticiário menos adverso é fundamental para ampliar seu peso nas negociações dos principais colégios eleitorais do país.
A repercussão do conteúdo em que o senador pede recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro abre uma janela de oportunidade adicional para o Planalto consolidar a recuperação da popularidade de Lula e reduzir resistências entre aliados potenciais que, até recentemente, já se inclinavam a apoiar Flávio Bolsonaro.
Em uma disputa eleitoral acirrada, qualquer fator que fragilize o principal adversário e melhore o ambiente político do presidente pode ter impacto em outubro. Mas, antes disso, a prioridade imediata do Planalto é a definição dos palanques estaduais e a construção de alianças competitivas nos principais colégios eleitorais do país.
Para a pré-campanha de Flávio, diante das revelações de seus diálogos com o ex-banqueiro e sob ataque da militância de centro-esquerda e do PT desde o mês passado, chegou o chamado “momento da verdade”. Políticos mais experientes como Lula ou o próprio pai do senador costumam sofrer com prejuízos de imagem nas crises, mas, em muitos casos, conseguem, ao longo do tempo, minimizar os estragos e seguir adiante. A pouco mais de quatro meses das eleições, resta saber se Flávio já faz parte desse grupo ou se vai “derreter”.