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Num único dia, o Palácio do Planalto anunciou um pacote bilionário para a segurança pública, a futura criação de um ministério para a área, a revogação da impopular taxa das blusinhas, além de ter sido revelado mais um plano para tentar acelerar a fila do INSS.
Assim como Jair Bolsonaro fez em 2022 — quando tomou medidas como auxílios a caminhoneiros e taxistas e a ampliação do Auxílio Brasil —, Lula e seus aliados põem a máquina pública para funcionar nos últimos meses antes da disputa eleitoral a fim de impulsionar um sprint de popularidade.
Fabio MuraKawa, Marianna Holanda e Fábio Pupo destrincham esses temas nas duas primeiras notas.
Na nota 3, Daniel Marcelino e Beto Bombig analisam as pesquisas de intenção estaduais e correlacionam os números com as estratégias nacionais de Lula e Flávio Bolsonaro — o conteúdo completo foi enviado aos assinantes JOTA PRO Poder.
E, enquanto isso, no Tribunal Superior Eleitoral, a posse de Nunes Marques como presidente e de André Mendonça como vice reuniu os principais personagens da República, inclusive Lula e Davi Alcolumbre lado a lado.
Indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro — principal detrator da urna eletrônica —, Nunes Marques fez uma defesa enfática do sistema eleitoral brasileiro, que classificou como “o mais avançado do mundo”.
Também exaltou o povo brasileiro — em um discurso que citou Tocqueville, o teorema do júri de Condorcet, o teorema da impossibilidade de Arrow, o onipresente Rui Barbosa, Churchill, Ulysses (Guimarães, não o da Odisseia), uma frase atribuída a Ernest Hemingway e que terminou com chave de ouro: o samba “Coisa de Pele”, de Jorge Aragão.
Após a humilhante derrota de seu indicado ao STF, Jorge Messias, e com o quadro eleitoral indefinido, o Planalto parece ter entendido que é hora de agir.
🔭 Panorama: Três eventos nos últimos dias antecipam em boa parte os temas que Lula pretende colocar na campanha para derrotar Flávio Bolsonaro e um que lhe é desfavorável, mas do qual ele não conseguirá fugir — a segurança pública.
A ideia do pacote da segurança anunciado ontem (12), segundo integrantes do governo, é asfixiar financeiramente o crime e replicar ações como a Operação Carbono Oculto, Marianna Holanda escreve no JOTA PRO Poder.
O governo concedeu crédito suplementar de R$ 1 bilhão para os cofres da Justiça, e o pacote tem ainda medidas para combater roubos de celulares e feminicídios, outros dois pontos sensíveis para a campanha.
O plano reforça o discurso já ensaiado no ano passado de que as facções devem ser combatidas mais com inteligência e mecanismos financeiros do que com armas.
Na solenidade, Lula também realçou a promessa de criar o Ministério da Segurança Pública tão logo a PEC que tramita sobre o tema seja aprovada pelo Senado.
Caso isso ocorra, o que depende de um acerto na conturbada relação com Davi Alcolumbre, o petista poderá dar uma marca à sua gestão nessa área.
Já o encontro com Donald Trump serviu para reverter a pauta negativa gerada pela rejeição de Messias, mas também recolocou à mesa o tema da defesa da soberania nacional.
Reforçou ainda a tentativa de passar ao eleitor a imagem de que Lula é capaz de dialogar com líderes de diversos matizes e defender os interesses do país, sem o “entreguismo” atribuído ao clã Bolsonaro.
E, na segunda (11), o presidente fez um discurso de forte viés eleitoral na solenidade que instituiu o Dia Nacional em Memória das Vítimas da Covid-19.
Com menções e ataques diretos ao ex-presidente Jair Bolsonaro, sua fala marcou uma mudança na retórica de Lula, que costumava chamar o antecessor de “o coiso” ou “aquele que estava aqui antes de mim”, sem citar seu nome.
“Bolsonaro dizia: a pressa da vacina não se justifica. Essa fala foi em entrevista publicada em canal de YouTube do seu filho, aquele fujão que está nos Estados Unidos tentando pregar golpe contra o Brasil”, disse, em referência a Eduardo Bolsonaro.
🔮 O que observar: Pesquisas qualitativas apresentadas a Lula pelo comando de pré-campanha detectaram um intenso sentimento de desalento em parte do eleitorado, com desejo de mudanças — o que em tese favorece a candidatura de Flávio Bolsonaro.
O endividamento contribui para esse mal-estar, somado à impressão de que os bons indicadores econômicos não têm se refletido em uma sensação de mais dinheiro no bolso das pessoas.
Lula também tem outros fatores para se preocupar e sobre os quais pode não ter tanto controle, como a guerra no Oriente Médio, que já afeta a economia.
Pode haver algum alívio nas próximas semanas caso as pesquisas confirmem a tendência já demonstrada em levantamentos recentes de diferentes institutos de estagnação de Flávio e leve recuperação da popularidade de Lula.
Mas, segundo relatos, o petista está de fato preocupado com a possibilidade de encerrar sua carreira com uma derrota nas urnas.
UMA MENSAGEM DE EY
Responsabilidade tributária no IBS e na CBS
Crédito: Witthaya Prasongsin/Getty Images
A regulamentação do IBS e da CBS preserva hipóteses já conhecidas de responsabilização de terceiros, como as aplicadas a transportadores, leiloeiros e agentes que operam no comércio exterior. O novo modelo, porém, amplia a exposição de plataformas digitais e fornecedores estrangeiros.
A mudança reforça a importância do compliance tributário. Nesse contexto, entender as hipóteses de responsabilização e as obrigações atribuídas a esses agentes será essencial para garantir conformidade e mitigar riscos de penalidades.
A ministra Miriam Belchior, de pé, na entrevista coletiva que anunciou o fim da taxa das blusinhas / Crédito: Wallison Breno/Presidência da República
“Essa é uma questão que a Janja está aqui me pedindo para reforçar, que não é só roupa, você tem um conjunto de outros bens que são comprados, todos de valor muito pequeno”, disse a ministra Miriam Belchior durante o anúncio da medida provisória para zerar a taxa das blusinhas, ontem (12), no Planalto.
A revogação da tributação, que afetou a popularidade de Lula, era discutida já há algum tempo e dividia integrantes do governo, como o JOTAvem mostrando.
A primeira-dama, presente na entrevista coletiva, fazia parte da ala favorável ao fim da taxa das blusinhas.
O secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, justificou que a medida só foi possível agora porque “o contrabando, que era uma marca presente nesse setor, ele foi eliminado”.
“Agora, o setor regularizado e continuará regular, vai poder usufruir dessa isenção, dessa zeragem de tributação sobre esses produtos”, disse Ceron.
Também na coletiva, o ministro Bruno Moretti (Planejamento) disse a Lula: “O que o senhor está fazendo é retirar impostos federais do consumo popular, do consumo das pessoas mais pobres”. Segundo ele, a medida irá melhorar “o perfil da nossa tributação”.
Aliás… O governo Lula estuda uma forma de acelerar a fila do INSS, Fábio Pupo escreve no JOTA PRO Poder.
O objetivo agora é aumentar o ritmo de conclusões das análises antes de as requisições completarem 45 dias de espera, quando o pedido é considerado vencido e juros passam a ser cobrados dos cofres públicos.
A nova presidente do INSS, Ana Cristina Viana Silveira, tem debatido com o Ministério da Previdência Social uma medida provisória para ampliar o programa que dá bônus aos servidores de forma a estimular a conclusão de processos.
A ampliação do programa deve atingir benefícios previdenciários e assistenciais, como aposentadorias urbanas e rurais, BPC (Benefício de Prestação Continuada), salário-maternidade, pensão por morte e auxílio-reclusão.
3. O mapa de Lula
Rodrigo Pacheco e Lula em evento em Belo Horizonte / Crédito: Ricardo Stuckert/Presidência da República – 4.set.2025
A quatro meses e 20 dias do primeiro turno, as pesquisas começam a oferecer sinais mais consistentes sobre os contornos da disputa pela sucessão presidencial, Daniel Marcelino e Beto Bombig analisam no JOTA PRO Poder.
📊 A leitura dos levantamentos estaduais já indica que o desempenho de Lula e seus aliados em ao menos sete estados será decisivo:
São Paulo (22% do eleitorado);
Minas Gerais (10%);
Rio de Janeiro (8%);
Bahia (7%);
Paraná (5%);
Rio Grande do Sul (5%);
e Ceará (4%).
Em uma disputa que se desenha apertada, pequenas oscilações nesses grandes colégios eleitorais podem ser suficientes para alterar o equilíbrio da disputa nacional.
Lula lidera em Minas e domina no Nordeste, mas segue atrás de Flávio Bolsonaro em São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul.
A comparação com 2022 anima o campo governista com os resultados obtidos em São Paulo e no Rio, mas mesmo nesses estados o presidente não aparece com folga suficiente para relaxar.
A estratégia petista para a reta final é clara: ampliar a margem no Nordeste para compensar o desgaste no Sul e disputar melhor o Sudeste.
Na avaliação interna do PT, é preciso “vencer bem na região para ganhar musculatura na contabilidade nacional”.
🔮 O que observar: A fotografia atual nesses estados mostra uma disputa que será decidida nas margens.
No fim, o retrato desse xadrez aponta que a combinação entre desempenho regional e articulação local poderá ser o fator decisivo para definir o próximo ocupante do Palácio do Planalto.
4. Questão ‘espiritual’
O senador Cleitinho, pré-candidato ao governo de Minas / Crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado
O PL e o senador Cleitinho (Republicanos) fecharam a aliança para dividir o mesmo palanque no estado — sem o governador Mateus Simões (Novo), candidato à sucessão apoiado por Romeu Zema (Novo), Marianna Holanda e Maria Eduarda Portela escrevem no JOTA PRO Poder.
O movimento ocorreu após um dia de reuniões a portas fechadas de integrantes do PL de Minas Gerais, algumas com a presença de Cleitinho, outras sem ele.
De acordo com o próprio senador e parlamentares do PL, o partido de Flávio Bolsonaro irá apoiá-lo na disputa pelo governo estadual, se ele decidir se candidatar.
Caso contrário, apoiará um candidato do PL, provavelmente o empresário Flávio Roscoe, ex-presidente da Fiemg.
🔺 Panorama: O impasse hoje está sobretudo em torno da indefinição da candidatura do próprio senador, que lidera as pesquisas de intenção de voto.
Cleitinho disse ao JOTAque essa definição depende mais de uma questão “espiritual”, de algo que “toque o coração”.
Um aliado traduz: precisa de coragem para encarar a difícil situação do estado de Minas Gerais.
Mas o PL pressiona para que ele defina logo se vai se candidatar, sob o risco de atrapalhar a formação da chapa — e, mais do que isso, o palanque mineiro de Flávio.
5. ‘Conte comigo’
André Mendonça beija Nunes Marques na posse de ambos como presidente e vice do TSE / Crédito: Antônio Augusto/STF
Os ministros Nunes Marques e André Mendonça assumiram ontem (12) o comando do Tribunal Superior Eleitoral.
É a primeira vez que indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro tomam posse nos postos de presidente e vice-presidente do TSE, Flávia Maia registra no JOTA.
Foi por condenações na Corte Eleitoral que Bolsonaro ficou inelegível até 2030.
🔭 Panorama: No discurso de posse, Nunes Marques aproveitou para passar o recado de que sua gestão será marcada por uma Justiça Eleitoral menos intervencionista do que as gestões anteriores, como a de Alexandre de Moraes.
“Não nos cabe escolher vencedores”, disse, referindo-se ao papel da Justiça Eleitoral.
O ministro ressaltou a importância dos votos, da diversidade, da soberania popular e do papel da Corte Eleitoral nas eleições.
“Cabe à Justiça Eleitoral orientar e fiscalizar as eleições para que sejam eleições limpas e transparentes.”
O ministro exaltou as urnas eletrônicas e seu papel na democracia brasileira.
“O sistema eletrônico de votação brasileiro constitui um patrimônio institucional da nossa democracia”, disse.
“No tocante à recepção e à apuração dos votos, nosso sistema é o mais avançado do mundo. E essa condição de destaque global não impede o constante aperfeiçoamento do nosso sistema.”
Ao abraçar Nunes Marques, o ministro André Mendonça fez votos captados pelo microfone: “Conte comigo”.
6. Descompressão
Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin conversam com o ministro aposentado Ricardo Lewandowski na posse de Nunes Marques / Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil
O ministro Alexandre de Moraes prevê que o julgamento das ações que questionam a Lei da Dosimetria ocorra no fim de maio, segundo o deputado Paulinho da Força disse ontem (12), em entrevista a Marianna Holanda, no JOTA PRO Poder.
“Estive com o ministro hoje. Ele disse que os prazos devem ir até o fim da semana que vem para a PGR e o Congresso Nacional responderem”, declarou Paulinho, que relatou o texto na Câmara.
“Assim que chegar, vai pedir que seja pautado e acredita que dá para votar na última semana do mês de maio.”
🕵️ Nos bastidores: A tendência no STF é que a maioria dos ministros mantenha a lei, inclusive para evitar que o debate sobre anistia ganhe força.
O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, aguarda Moraes pautar as ações para então agendar o julgamento em plenário.
7. Isolado
Boi pasta no Centro-Oeste brasileiro / Crédito: Wenderson Araújo/Trilux
O Brasil é o único país do Mercosul que ficou fora da lista da União Europeia de países autorizados a exportar carnes e animais vivos ao bloco sob as novas regras sobre antimicrobianos, Vivian Oswald registra no JOTA.
Por que importa: A restrição só entra em vigor em 3 de setembro — mas, se a situação não for resolvida até lá, produtos brasileiros poderão ser barrados no mercado europeu.
A regra exige que países exportadores comprovem que os produtos de origem animal destinados ao consumo humano atendem às novas exigências do bloco sobre o uso de antimicrobianos na produção.
Na prática, a União Europeia quer garantias adicionais de que carnes e animais vivos exportados ao mercado europeu estejam em conformidade com esses critérios sanitários.
A lista, divulgada dez dias após a entrada em vigor do acordo Mercosul–União Europeia, inclui Argentina, Paraguai e Uruguai.
⚠️ Embora seja uma exigência sanitária, não uma regra específica das cotas do acordo Mercosul–União Europeia, a medida pode ter efeito comercial direto.
Se o Brasil não voltar à lista até setembro, seus sócios no Mercosul poderão ocupar espaço maior dentro da cota regional de carnes, ainda pendente de repartição entre os países do bloco.
Em nota, o governo brasileiro diz ter recebido com surpresa a notícia da retirada do Brasil da lista de países autorizados a exportar produtos de origem animal destinados ao consumo humano para a União Europeia.
Diz ainda que “tomará prontamente todas as medidas necessárias para reverter essa decisão, voltar à lista de países autorizados e garantir o fluxo de vendas desses produtos para o mercado europeu, para o qual exporta há 40 anos”.
8. Regulação mais estrita
Ricardo Moura, chefe do departamento de regulação prudencial e cambial do BC / Crédito: Raphael Ribeiro/Banco Central
Com as novas regras para o serviço de eFX, o Banco Central tem a expectativa de um mercado mais seguro e robusto.
O chefe do departamento de regulação prudencial e cambial, Ricardo Moura (foto), disse em entrevista a Gabriel Shinohara, no JOTA PRO Poder, que a norma deve facilitar o processo de supervisão ao exigir que as instituições sejam autorizadas a funcionar pelo Banco Central.
“O objetivo é um mercado mais robusto, exatamente. Transparência, segurança.”
💸 Panorama: O eFX é um serviço de agregação de operações.
O prestador desse serviço agrega, por exemplo, diversas operações de compra de pequeno valor no exterior em comércios eletrônicos.
Em seguida, procura uma instituição autorizada para fechar o contrato de câmbio.
Outros mercados, como de plataformas de streaming, também costumam utilizar o serviço.
O modelo já era regulado, mas o BC atualizou o regramento com a Resolução BCB 561 publicada em 30 de abril.
Até a resolução, os prestadores de eFX não precisavam ser instituições autorizadas pelo BC.
Agora, os prestadores que tiverem a intenção de continuar operando deverão pedir autorização ao Banco Central até maio de 2027 para funcionar como instituição de pagamento.
Como instituições autorizadas, esses prestadores deverão seguir uma série de exigências, que vão desde a entrega de informações ao regulador até o cumprimento de um capital mínimo.
Os prestadores estarão dentro do universo supervisionado pelo Banco Central.
⏩ Pela frente: A expectativa do BC é que nem todos os prestadores de serviço de eFX que atuam no mercado atualmente peçam a autorização.
Nas estimativas do regulador, dos cerca de 100 prestadores com atuação considerada significativa no mercado, ao redor de 35 já são instituições autorizadas.
Entre as 65 restantes, entre 20 e 40 devem pedir autorização.
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