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A pré-campanha de Flávio Bolsonaro negou, ontem (22), que tenha a intenção de limitar à inflação o reajuste de gastos com saúde, educação e aposentadorias.
O episódio também mostrou que o senador e presidenciável entrou de vez na mira da artilharia petista nas redes sociais — num momento em que o próprio Lula ainda não atua mais diretamente contra o adversário —, Fabio MuraKawa analisa na nota de abertura.
Na Câmara, as PECs que propõem a redução da jornada de trabalho foram aprovadas na CCJ, e agora as lideranças dos partidos discutem a composição da comissão especial a ser instalada, Daniel Marques Vieira escreve na nota 3.
E o PDT, que já é parte em uma das ações no Supremo Tribunal Federal sobre a sucessão de Cláudio Castro no governo do Rio, pediu à Corte que a eleição de Douglas Ruas como presidente da Alerj seja anulada. Mais detalhes com Lucas Mendes na nota 4.
Boa leitura.
1. O ponto central: No foco do adversário
Após passar meses incólume de críticas de seus oponentes, Flávio Bolsonaro parece finalmente ter entrado na mira das redes da esquerda e de aliados de Lula, Fabio MuraKawa analisa no JOTA PRO Poder.
O grande mistério, mesmo para pessoas próximas ao petista, é quando o próprio presidente começará a atuar mais diretamente contra o adversário.
Por que importa: O clima no Planalto é de preocupação, em maior ou menor grau, com o avanço do pré-candidato do PL.
Há uma divisão entre os que acreditam que o senador é “facilmente desmontável” e os que dizem ver “a coisa ficar estranha” nas perspectivas de reeleição de Lula.
Segundo relatos, porém, o mais tranquilo entre todos parece ser o próprio presidente.
Quando confrontado com gráficos que mostram o crescimento do rival e a estagnação de sua popularidade, Lula costuma dizer: “Calma, eu ainda não entrei na campanha”.
O baque com o desempenho de Flávio nas pesquisas se refletiu em uma postura mais proativa da militância.
Nas últimas semanas, multiplicaram-se postagens relembrando os diversos supostos “telhados de vidro” de Flávio.
Temas recorrentes: rachadinha, homenagens a milicianos, suspeitas de lavagem de dinheiro com franquia de chocolates e a compra de mansão em Brasília com dinheiro vivo.
Ainda assim, não há a mesma eficiência com que as redes bolsonaristas costumam atuar quando decidem atacar alguém.
🛜 Nas redes: Ontem (22), uma reportagem da Folha de S.Paulo (com paywall) sobre discussões na campanha de Flávio para reajustar aposentadorias e despesas com saúde e educação apenas pela inflação pautou posts de figuras do petismo e também a reação do senador.
A artilharia está, por enquanto, concentrada em figuras como Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann e Guilherme Boulos, que vêm explorando flancos abertos pelo senador do PL com o avanço do calendário eleitoral.
Gleisi replicou o texto, assim como Boulos, que denunciou “o plano secreto de Flávio Bolsonaro para congelar a aposentadoria por quatro anos”.
Já o pré-candidato do PL chamou a notícia de “fake news” e disse que as medidas não foram discutidas “internamente”.
O desmentido teve mais alcance que a acusação e fomentou manifestações de apoio à direita, Iago Bolívar registra no JOTA PRO Poder.
🔮 O que observar: Como mostrou a viagem à Europa, Lula tenta cristalizar a percepção de que o repique na inflação tem raiz nas ações de Donald Trump — e, enquanto isso, faz o que é possível internamente: anunciar subsídios.
Essa pode ser uma semente para, mais adiante, também tentar colar a imagem de Trump e o efeito negativo da atuação dele em Flávio Bolsonaro.
Uma marca de Lula neste terceiro mandato é trabalhar com um “timing” próprio e ser pouco suscetível a comandos e pressões, dizem interlocutores do Planalto.
UMA MENSAGEM DA OpenAI
Uso espontâneo de IA desafia regulação no Congresso
Crédito: Getty Images
O uso da inteligência artificial na educação ocorre de forma espontânea. Levantamentos indicam que mais de 70% dos estudantes utilizam ferramentas de IA no dia a dia, para pesquisa, organização de estudos e produção de textos.
Para Guilherme Cintra, da Fundação Lemann, a IA tem uma característica diferente de outras tecnologias educacionais: ela impacta o cotidiano dos alunos, independentemente da decisão das escolas. Por isso:
A regulação exige cautela diante de uso já consolidado da IA na educação;
O desafio não é antecipar, mas orientar a prática.
Lula durante entrevista coletiva em Portugal / Crédito: Horácio Villalobos/Getty Images
As últimas pesquisas eleitorais — com Lula estagnado ou oscilando para baixo enquanto Flávio Bolsonaro apresenta trajetória ascendente — provocaram abalos e motivaram especulações na esquerda e na direita,Beto Bombig analisa em sua coluna no JOTA.
🔭 Panorama: Do lado petista, voltaram as conversas de bastidores que tratam da possibilidade de Lula desistir da reeleição, hipótese que chegou, inclusive, a ser testada em pesquisas para consumo interno.
Em um dos cenários especulados, o presidente seria substituído por Fernando Haddad.
O ex-ministro da Fazenda vem se preparando e sendo preparado para ser um dos herdeiros do capital eleitoral de Lula.
Sim, mas… Uma desistência de Lula parece pouco provável, já que ele é um candidato ainda muito competitivo, à frente de um governo com realizações e conquistas capazes de sustentar uma boa narrativa eleitoral.
🕵️ Nos bastidores: Quem conhece Lula faz avaliações distintas em privado sobre a possibilidade da desistência.
Segundo um de seus interlocutores, ele não encara a eleição deste ano como uma batalha de vida ou morte e irá enfrentá-la em qualquer cenário ou circunstância.
Outros dizem que Lula não estaria disposto a encerrar sua carreira com uma derrota para Flávio ou qualquer outro candidato da direita.
Esse grupo entende que o presidente, aos 80 anos, poderia antecipar a aposentadoria para ocupar alguma posição no tabuleiro da geopolítica internacional e “ir pescar” nas horas vagas.
⏩ Pela frente: Hipóteses e especulações à parte, os próximos meses de pré-campanha serão decisivos para uma medição mais acurada do verdadeiro grau de competitividade do ocupante do Planalto.
Se tudo permanecer como está, Lula chegará com boas chances na campanha, que tem início oficial previsto para agosto.
Aliás… A entrada de Pablo Marçal na pré-campanha de Flávio Bolsonaro repercutiu muito mal em parte da direita paulista, especialmente no grupo ligado ao prefeito Ricardo Nunes e ao governador Tarcísio de Freitas.
Em 2024, um assessor do influencer agrediu Duda Lima, então marqueteiro de Nunes, nos bastidores de um debate televisivo.
Lima, que comandou o marketing da campanha de Jair Bolsonaro em 2022, permanece como o responsável pela comunicação do PL e obteve uma medida protetiva.
Não bastasse o episódio da agressão, o próprio Marçal fez ataques pesados a Nunes durante a campanha e chegou a ser expulso de um debate após ter dito que iria prender o prefeito.
3. Mais um degrau
Os deputados Leur Lomanto e Paulo Azi em frente a reprodução do quadro “Tiradentes ante o carrasco”, de Rafael Falco, em sessão da CCJ nesta quarta (22) / Crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
Os partidos na Câmara começam a organizar quem serão os indicados para compor a comissão especial que será criada para analisar o mérito das PECs que tratam do fim da jornada de trabalho 6×1, Daniel Marques Vieira escreve no JOTA PRO Poder.
A CCJ aprovou ontem (22) a admissibilidade dos projetos. Leia mais.
Por que importa: Líderes relatam que terão de mediar os pleitos de diversos deputados, que querem aproveitar a vitrine oferecida pela discussão de tema popular em ano eleitoral.
Embora o formato da PEC e as compensações ainda gerem atritos entre direita e esquerda, o perfil do relator é consenso.
Parlamentares dos dois espectros políticos têm defendido nos bastidores que o relator na comissão especial tenha estilo parecido com o do relator na CCJ, o deputado Paulo Azi.
Entre os petistas, predomina a ideia de que o relator seja de um partido de centro, com trânsito entre as diversas bancadas e sem perfil midiático.
Assim, o partido acredita ser possível aumentar as chances de uma tramitação mais célere, evitando que o ano eleitoral atrase a discussão.
No PL, a demanda é parecida.
O entendimento é que Azi fez um bom trabalho e, sendo a aprovação inevitável, um perfil centrista seria capaz de contemplar demandas do empresariado, como a transição gradual e as formas de compensação.
🔮 O que observar: O presidente da CCJ, Leur Lomanto, disse que levará a Hugo Motta a sugestão de que Azi siga como relator na comissão especial.
Já Azi desconversou: questionado sobre a possibilidade, respondeu que Motta tem à disposição diversos deputados gabaritados que poderiam relatar a PEC.
4. Conexão Rio–Brasília
O presidente da Alerj, Douglas Ruas, que tem sua eleição ao comando da Casa questionada no STF / Crédito: Alex Ramos/Alerj
O PDT questionou no Supremo a votação que elegeu o deputado estadual Douglas Ruas (PL) como presidente da Alerj,Lucas Mendes registra no JOTA.
O partido contesta a forma como se deu a eleição, por voto nominal e aberto, e pede sua anulação.
Para a sigla, o STF deve determinar uma nova eleição para a composição da Mesa Diretora da Alerj com voto secreto.
A arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) foi protocolada pelo partido na segunda-feira (20/4) e ainda não foi distribuída.
🔭 Panorama: O STF discute o formato das eleições para o mandato-tampão até o final do ano.
No momento, o placar está em 4 a 1 para que haja eleições indiretas.
Flávio Dino suspendeu o julgamento em 9 de abril com um pedido de vista.
Enquanto o julgamento não é concluído, segue exercendo o mandato de governador o desembargador Ricardo Couto, presidente do TJRJ.
5. Aposentadoria compulsória
O plenário do Supremo nesta quarta (22) / Crédito: Gustavo Moreno/STF
O Supremo tem maioria de votos a favor da aplicação imediata da aposentadoria compulsória aos empregados públicos que completarem 75 anos de idade, Lucas Mendes escreve no JOTA PRO Poder.
Para os ministros, essa regra pode ser aplicada sem uma lei que regulamente a medida.
A posição foi apresentada pelo relator, Gilmar Mendes, e acompanhada por Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Dias Toffoli e Cármen Lúcia.
Flávio Dino apresentou uma divergência parcial.
Ele entende que a aposentadoria deve ser adotada de forma imediata aos 75 anos, mas acrescentou que deve ser garantido o recebimento de verbas trabalhistas decorrentes da extinção do vínculo do trabalhador.
⏩ Pela frente: O julgamento começou em 17 de abril e termina na próxima terça (28).
O processo tem repercussão geral reconhecida, então a definição que vier a ser adotada pelo STF deverá ser aplicada a todos os casos sobre o assunto na Justiça.
6. À espera
O ministro Nunes Marques / Crédito: Rosinei Coutinho/STF
O STF formou maioria para validar o “mínimo existencial” — renda mínima que uma pessoa precisa para arcar com despesas básicas e que não pode ser comprometida durante a negociação de dívidas, Flávia Maia registra no JOTA.
Os ministros também determinaram que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) estude e proponha revisão periódica dos valores.
Sim, mas… O resultado do julgamento ainda não foi proclamado porque não há consenso se as despesas com crédito consignado comprometem ou não o mínimo existencial.
⏩ Pela frente: No fim da sessão, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, informou que vai esperar o voto do ministro Nunes Marques, ausente na sessão de ontem (22).
A previsão é que o julgamento retorne hoje (23).
7. Nas asas da FAB
Learjet da FAB sobrevoa a Esplanada dos Ministérios, com o Congresso ao fundo / Crédito: FAB – 7.out.2014
O Ministério Público junto ao TCU pediu uma análise dos voos com aeronaves da Força Aérea Brasileira feitos entre 2020 e 2024 a fim de identificar eventuais irregularidades envolvendo viagens de autoridades, Lucas Mendes e Flávia Maia escrevem no JOTA.
Entre os pontos citados para a apuração estão a baixa taxa de ocupação dos aviões e o desvio de finalidade, com deslocamentos feitos sem amparo na lei.
O pedido busca identificar e responsabilizar agentes políticos e servidores que tenham autorizado, solicitado ou utilizado indevidamente os voos oficiais.
As consequências podem levar à obrigação de ressarcimento aos cofres públicos e multas, além da remessa dos casos à Justiça para análise penal.
⏩ Pela frente: Se aceita a representação, o pedido é para que o TCU reveja e aprimore seus entendimentos sobre sigilo em voos de autoridades com aeronaves da FAB, fixando que a transparência deve ser a regra.
Assim, segundo o MPTCU, devem ser divulgados nomes da autoridade solicitante e dos passageiros logo após a realização da viagem, a não ser que haja algum motivo excepcional para sigilo.
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