IA jurídica avaliada em US$ 1,2 bi terá Barroso, Roberto Quiroga e Luciano Huck em conselho

O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luis Roberto Barroso; um dos fundadores do escritório Mattos Filho, Roberto Quiroga; e o apresentador Luciano Huck vão fazer parte do Conselho Institucional da Enter, startup brasileira de IA jurídica que anunciou uma segunda rodada de investimentos nesta terça-feira (5/5). O maior aporte foi feito pelo fundo americano Founders Fund, do empresário Peter Thiel (fundador do Paypal que é próximo de Donald Trump), que avaliou o valor de mercado da Enter em US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 5,9 bilhões).

A empresa recebeu investimento US$ 100 milhões (cerca de R$ 493 milhões) de fundos de capital de risco estrangeiros.  Os fundos Sequoia Capital e Ribbit Capital, que lideraram a primeira rodada de investimentos, também participaram desse segundo aporte. 

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A inteligência artificial da Enter é voltada para o departamento jurídico de grandes empresas, e promete ajudar na gestão do contecioso cível e trabalhista. Segundo  o cofundador Mateus Costa-Ribeiro, a IA atua dando sugestões para cada processo do início ao fim. 

“Ela oferece uma primeira sugestão para cada ato de um processo judicial, como a redação de uma contestação, a análise de provas e a preparação de briefings para audiências”, diz ele, que ficou conhecido em 2018 por se tornar o advogado mais novo do país ao obter a carteirinha da OAB.

 “A decisão final, no entanto, é sempre resguardada  ao advogado habilitado, que é o único responsável por protocolar as ações no Judiciário”, afirma Costa-Ribeiro. 

Mesmo com um produto voltado para grandes empresas, a Enter está consolidando uma “presença institucional” com outros agentes do meio jurídico. 

A participação de Barroso, Qurioga e Huck, segundo a empresa, tem o objetivo de “aproximar a companhia dos debates do sistema de justiça, da sociedade civil, do ecossistema de negócios e da regulação de IA no país”.

“O objetivo é garantir que a empresa tenha o impacto mais positivo possível com três grupos de stakeholders que eles representam: o Judiciário, na figura do ministro [aposentado] Barroro, os escritórios de advocacia, na figura de Quiroga, e a sociedade civil, com Huck”, afirma Costa-Ribeiro.

Os membros do conselho não têm participação acionária e a empresa não divulga detalhes da parceria — se há remuneração, por exemplo. A ideia é que sejam feitas reuniões trimestrais.

A empresa também fechou uma parceria com as seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Paraná, do Distrito Federal e do Piauí. 

A ideia é compartilhar com a Ordem o material usado pela Enter para o treinamento de seus próprios advogados em IA. Acordos com seccionais de outros estados já estão em andamento, segundo Costa-Ribeiro. 

Além do jovem advogado, o cientista da computação Henrique Vaz e o empresário Michael Mac-Vicar também são sócios fundadores da empresa. 

A Enter também obteve acesso à API (interface de comunicação de sistemas) de consulta de dados públicos do Poder Judiciário após um processo de validação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de práticas em segurança da informação e privacidade e proteção de dados.

Modelo de negócio

A empresa não divulga detalhes de faturamento nem perspectivas de rentabilidade. Mas diz que, desde que recebeu o primeiro aporte em 2025, triplicou sua base de clientes de 15 para 45  — Airbnb, Bradesco, Latam, Nubank e Mercado Livre, entre outros — e aumentou em 13 vezes o faturamento.

Os clientes pagam um valor pelo uso da ferramenta e outra parte da remuneração da plataforma (cerca de 30%) depende do sucesso nas ações — mais de 300 mil processos por ano, segundo Costa-Ribeiro. 

O objetivo agora, diz ele, é ampliar a infraestrutura de tecnologia, permitindo maior capacidade computacional. 

Segundo o cofundador, a IA desenvolvida pela Enter usa os modelos fundacionais de grandes desenvolvedores do Vale do Silício, como a OpenAI e a Anthropic, combinados com alguns modelos próprios, ou seja, desenvolvidos internamente. 

“Somos um dos principais parceiras desses labs no Brasil, consumindo mais de 20 bilhões de tokens por dia”, diz Costa-Ribeiro. 

Tokens são as unidades básicas de informação que modelos de Large Language Model (LLM) usam para entender e gerar linguagem — a quantidade de tokens processados impacta no consumo de energia e pode ser usada para calcular o preço do uso do produto, por exemplo. 

Fonte

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