Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124
Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124


Cerca de 12,5 milhões de lares brasileiros ainda cozinham parcial ou totalmente com lenha ou carvão – uma realidade associada a riscos à saúde, maior exposição à poluição doméstica e situações de vulnerabilidade social. É nesse contexto que a criação e a ampliação do Programa Gás do Povo busca levar gás de cozinha a quase 15 milhões de famílias em todo o país. A iniciativa, que virou lei em fevereiro de 2026, avança sobre um desafio histórico: ampliar o acesso a uma fonte de energia mais segura, prática e adequada ao cotidiano das famílias.
Mais do que expandir o alcance do benefício, o programa se apoia em uma estrutura já consolidada no Brasil. O modelo de distribuição de GLP, baseado em botijões cheios, lacrados e com identificação de procedência, permite que o gás de cozinha chegue de forma regular e segura a todas as regiões, inclusive em áreas remotas.
Ao Estúdio JOTA, Sergio Bandeira de Mello, presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), explica que a ampliação do acesso pode contribuir diretamente para reduzir essa vulnerabilidade. “As famílias mais vulneráveis não deixam de usar o gás, mas acabam combinando o GLP com a lenha para fazer o botijão durar mais tempo. O objetivo do programa é justamente permitir que essas famílias utilizem mais o gás e reduzam o uso da lenha.”
O botijão de 13 kg segue como a principal fonte de energia doméstica do país. Pesquisa do Instituto Locomotiva mostra que 89% dos brasileiros utilizam gás de botijão, enquanto uma parcela menor recorre ao gás encanado ou a ambos os modelos. Essa presença está diretamente associada à estrutura logística das empresas distribuidoras, que alcança todos os municípios brasileiros e garante o abastecimento contínuo.
Conheça o JOTA PRO Energia, monitoramento jurídico e político para empresas do setor
Além da capilaridade, a segurança é um dos principais fatores na escolha do produto. Segundo a pesquisa, 94% dos usuários consideram esse aspecto muito importante no momento da compra – percepção diretamente ligada ao modelo brasileiro de distribuição, baseado em botijões lacrados e com identificação de procedência.
O apoio a esse modelo também se reflete nas preferências da população em relação às políticas públicas. De acordo com o levantamento, 90% dos entrevistados concordam que o botijão cheio e lacrado oferece maior segurança, e 93% defendem que programas voltados às famílias de baixa renda priorizem esse formato. A mesma pesquisa indica que mais de 90% dos brasileiros avaliam que alternativas como venda fracionada ou enchimento em pontos não autorizados aumentariam os riscos de vazamentos e acidentes.
A viabilidade da expansão do programa está diretamente relacionada à estrutura já existente no país. “Já estamos presentes em todos os municípios brasileiros com o GLP. Isso significa que o acesso já existe. O desafio agora é ampliar a acessibilidade para as famílias mais vulneráveis”, afirma Bandeira de Mello.
Nesse cenário, o papel das empresas distribuidoras é central. Responsáveis pelo envase, transporte e distribuição do GLP, elas operam sob regulação e fiscalização, garantindo padrões de qualidade, segurança e confiabilidade que sustentam o modelo brasileiro.
A combinação entre regulação, fiscalização e capilaridade é apontada como um dos principais diferenciais do Brasil no setor. Essa estrutura não apenas assegura o abastecimento, como também cria as condições necessárias para ampliar o acesso ao gás de cozinha de forma segura e eficiente.
Assim, o acesso ao gás deixa de ser apenas uma questão energética e passa a integrar uma agenda mais ampla de melhoria das condições de vida, com impacto direto na saúde, no tempo das famílias e na qualidade de vida de milhões de brasileiros.