Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124
Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124


Integrantes do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se posicionaram nesta quinta-feira (16/4) de forma contraditória em relação à chamada taxa das blusinhas. No começo do dia, o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), afirmou a jornalistas ser favorável à revogação da medida, que impacta na popularidade do presidente. Mais tarde, porém, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), disse que não há, neste momento, decisão do governo sobre o tema.
A taxa das blusinhas é uma alíquota de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 realizadas por pessoas físicas. A equipe econômica é favorável à medida, apesar de, nos últimos dias, integrantes do Executivo terem defendido a derrubada da cobrança.
Guimarães é um deles. Nesta quinta-feira, em café da manhã com a imprensa, o ministro afirmou em público algo que integrantes do governo vinham admitindo nos bastidores: a taxa é um dos principais fatores a contribuir para a impopularidade do presidente Lula.
O ministro soma-se, desta forma, ao ministro da Secom, Sidônio Palmeira, um dos principais defensores da queda da taxa dentro do governo. Guimarães afirmou nunca ter sido favorável à mudança. “Quando essa matéria foi votada [no Congresso] eu achava que ela não deveria ser aprovada. Foi um dos elementos mais fortes de desgaste do governo. Se o governo decidir revogar, eu acho uma boa”, afirmou, durante café com jornalistas no Palácio do Planalto.
A fala, porém, foi contraposta por Alckmin, que afirmou, em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto, que “não há nenhuma decisão nesse momento sobre esse tema”. Segundo ele, mesmo com a cobrança, a tributação sobre importados ainda é inferior à enfrentada pela produção nacional.
Ao justificar a posição, o vice-presidente afirmou que a soma do Imposto de Importação e do ICMS ainda resulta em carga inferior à paga pela indústria brasileira. “Se você for somar 20% do Imposto de Importação, mais o ICMS dos estados, vai dar menos de 40 [%]. O produtor nacional paga quase 50 [%]”, declarou.
Ele acrescentou que a preservação do emprego deve ser considerada no debate: “É importante destacar o emprego. Preservar o emprego é o mais [importante]”.
Ainda durante café com jornalistas, Guimarães confirmou que o governo está discutindo uma maneira de subsidiar a gasolina, entre outras medidas que devem ser anunciadas em breve e que ele não detalhou.
Essa informação havia sido repassada a investidores pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, e confirmada ao JOTA por fontes a par da conversa. Segundo Guimarães, a população não pode pagar o preço da guerra do Irã.