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Quem ficou espantado diante da acachapante derrota do presidente Lula (PT) no Senado, com a inédita rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), precisa estar atento e forte às disputas eleitorais pelas vagas da Casa. Em outros termos: se o cenário atual é ruim para o petista, ele pode piorar (e muito) a partir de 2027.
Levantamento feito pelo JOTA mostra que, a pouco menos de cinco meses do primeiro turno da eleição, a projeção indica que a oposição, com base nas pesquisas, possui boas chances de emplacar entre 33 e 31 senadores, enquanto o bloco governista ficaria com até 23 vagas. Claro, ainda faltam cinco meses daqui até o primeiro turno e pesquisas para o Senado, quando feitas com grande antecedência, precisam ter seus resultados bastante relativizados.
No entanto, é inegável neste momento a prevalência de um ambiente hostil ao petista no Congresso e de uma onda conservadora na sociedade. Mais ainda: é essencial observar os planos eleitorais comandados por líderes da centro-direita como Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, e Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD. Ambos empenhados em projetos consistentes que têm por objetivo eleger grandes bancadas na Câmara e no Senado.
Em outubro próximo, o Senado renovará dois terços de suas 81 cadeiras, elegendo 54 senadores, dois em cada estado e dois no Distrito Federal. Ou seja, os 27 que tomaram posse em 2023 permanecem com mandato por mais quatro anos. Entre eles, estão Damares Alves (Republicanos-DF), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Marcos Pontes (PL-SP), Rogério Marinho (PL-RN), Magno Malta (PL-ES), Sérgio Moro (PL-PR) – mesmo se perder a eleição para o governo do Paraná – e Tereza Cristina (PP-MS), considerados expoentes da centro-direita nacional.
A essa “elite direitista” poderão se juntar, com base nas mais recentes pesquisas, Carlos Bolsonaro (PL-SC), Michelle Bolsonaro (PL-DF), Guilherme Derrite (PP-SP), Ricardo Salles (Novo-SP), Bia Kicis (PL-DF), Carol de Toni (PL-SC), Gracinha Caiado (União-GO), Mauro Mendes (União-MT), Deltan Dallagnol (Novo-PR), Éder Mauro (PL-PA) e Marcel Van Hattem (Novo-RS), todos, reconhecidamente, líderes desse campo.
Há ainda o bloco dos militares com chances de vitória: Capitão Contar (PL-MS), Capitão Alberto Neto (PL-AM), Capitão Wagner (União-CE) e Coronel Hélio (PL-RN). Ou seja, não se trata apenas de pré-candidatos de oposição com boas chances, mas políticos com um posicionamento ideológico alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Não por outro motivo, quando questionada se será vice do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), Tereza Cristina diz sem rodeios que seu projeto é presidir o Senado a partir de 2027. Portanto, não se trata apenas de números, mas de capacidade de articulação, inserção na sociedade, força nas redes sociais e espírito de liderança.
Tudo isso somado, um experiente conhecedor da política avalia que o projeto da oposição de ter amplo controle do Senado já está se consolidando desde o veto a Messias. Para ele, uma nova maioria está se impondo na sociedade e nos Poderes. Trocando em miúdos, a direita brasileira caminha a passos largos rumo a remover o último obstáculo para uma grande reforma ultraconservadora: o STF.
Como se sabe, o Senado pode promover o impeachment de ministros do Supremo. Para isso, são necessários 48 votos, o mesmo placar da sessão que rejeitou Messias na semana passada. Nada indica que algum magistrado seja retirado da Corte antes das eleições de outubro, afinal, o escândalo do Banco Master tem levado os parlamentares a agirem com cautela, e o atual mandato de Lula vai até o dia 4 de janeiro de 2027.
Porém, diante das muitas pesquisas que indicam empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno, os ministros a partir de agora devem ficar atentos à máxima supostamente proferida pelo político mineiro Antônio Carlos Ribeiro de Andrada (1870-1946): “Façamos a revolução antes que o povo a faça”. Alguns historiadores dizem que a frase não foi dita exatamente dessa forma, mas o sentido é o mesmo, o de promover mudanças para manter o controle.
Nesse sentido, os togados podem adaptar o ensinamento para: façamos a reforma do Judiciário antes que os conservadores a façam.
Como esperado, Valdemar Costa Neto e a família Bolsonaro se acertaram na composição da chapa para o Senado em São Paulo: Eduardo Bolsonaro será suplente de André do Prado (PL), atual presidente da Alesp que é aliado fiel do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e sempre lembrado para assumir uma secretaria estadual.
Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio Bolsonaro, tornou-se opção para suceder o filho no Senado pelo Rio de Janeiro. Se absolutamente tudo der certo para a família, a Câmara Alta terá três integrantes (ou até quatro) da família a partir de 2027.
A mais recente pesquisa Quaest para o Senado em São Paulo desenhou para Lula o tamanho da encrenca final para a formação da chapa no estado. O ex-governador Márcio França (PSB) aparece bem posicionado no pelotão da frente. Como ele não quer ser vice de Fernando Haddad (PT), o presidente terá de escolher entre França, Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) quem não será candidato ao Senado.