JOTA Principal: Flávio Bolsonaro cai em pesquisa e vê negociações dificultadas após associação com Vorcaro

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No principal cenário de primeiro turno, as intenções de voto em Flávio Bolsonaro recuaram de 39,7% para 34,3%, segundo a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada hoje.

A queda de mais de cinco pontos percentuais está distribuída por praticamente todos os segmentos decisivos do eleitorado — e coincide com o desgaste provocado pelas revelações envolvendo o senador e o escândalo do Master, Daniel Marcelino escreve no JOTA.

Os principais beneficiários da retração são Renan Santos (Missão), que sobe de 5,3% para 6,9%, e Romeu Zema (Novo), que avança de 3,1% para 5,2%.

Os efeitos colaterais da relação de Bolsonaro com Daniel Vorcaro já vinham sendo sentidos nas negociações de palanques do senador, Beto Bombig escreve na nota de abertura.

Um dos motivos por que Flávio Bolsonaro omitiu de aliados o elo com o ex-banqueiro teria sido evitar que a informação fosse vazada a fim de fortalecer o governador paulista Tarcísio de Freitas como alternativa ao Planalto.

Agora, com uma disputa à reeleição longe de garantida no maior colégio eleitoral do país, o aliado deve manter distância regulamentar.

Boa leitura.


O PONTO CENTRAL

1. Flávio e seus palanques

Os efeitos colaterais da relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro já podem ser sentidos nos arranjos político-eleitorais — e nos apoios ao senador de modo geral, Beto Bombig escreve no JOTA PRO Poder.

  • Nos bastidores, há a percepção de que a revelação dos diálogos “acionou o botão de pause”, conforme a expressão de um cacique oposicionista, nas negociações da pré-candidatura.

Por que importa: O cenário afeta apoios tidos como já consolidados, mas suspende principalmente as negociações em andamento — ainda mais aquelas que não dependem de alinhamento partidário automático, como no caso de Minas.

  • Uma fonte envolvida nas conversas entre o presidenciável e o senador Cleitinho Azevedo, líder das pesquisas para o Palácio da Liberdade, disse ao JOTA que a proximidade entre Flávio e Vorcaro sugerida pelos diálogos entra em choque com o discurso antissistema e anticorrupção do mineiro.
  • Ainda em Minas, o estresse entre a família Bolsonaro e Romeu Zema (Novo) diminui de maneira considerável a possibilidade de formação de um palanque forte no qual estejam Flávio, o ex-governador e o atual, Mateus Simões (PSD), candidato à reeleição.
  • Isso significa que o PL passou, desde a semana passada, a considerar fortemente a possibilidade de construir uma candidatura própria em Minas.

Em São Paulo, estrategistas do governador Tarcísio de Freitas defendem que ele adote distância regulamentar de Flávio.

  • Em termos práticos, significa dizer que, em busca da reeleição, Tarcísio passou a avaliar qual será seu grau de envolvimento e de dedicação à candidatura presidencial do PL.

Um bom termômetro de como a ligação entre Flávio e Vorcaro afetou o cenário é Santa Catarina — estado onde, até a semana passada, os dois principais nomes para o governo vinham disputando a primazia de quem era mais “bolsonarista”.

  • Agora, porém, o entorno de João Rodrigues (PSD), ex-prefeito de Chapecó, avalia a possibilidade de se afastar do senador e se aproximar de Caiado, em contraponto ao governador Jorginho Melo (PL).

No Nordeste, o principal revés para Flávio até agora está no Ceará.

  • Ciro Gomes (PSDB), líder nas pesquisas e com quem Flávio negociava a formação de um palanque, deve se afastar do senador, ao menos temporariamente, à espera dos desdobramentos.

Em Pernambuco, o grupo da governadora Raquel Lira (PSD), candidata à reeleição, não cogitava apoiar Flávio, mas deixava uma porta aberta nesse sentido caso a polarização regional assim exigisse. Desde a revelação dos diálogos, ela passou a considerar Caiado para esse cenário.

🔮 O que observar: Caso Zema e Caiado apresentem evolução nas próximas pesquisas eleitorais, passarão cada vez mais a ser alternativas viáveis para os arranjos regionais e para o mercado financeiro.


UMA MENSAGEM DE OpenAI

PL de IA e o custo que ninguém calculou

Crédito: Getty Images

A falta de estudos de impacto para municípios e estados é um dos problemas centrais do PL 2.338/2023, que pretende instituir o marco legal da inteligência artificial (IA) no Brasil.

“A União Europeia fez esse cálculo e mostrou que o custo de adequação é extremamente danoso para pequenas e médias empresas. No Brasil, esse estudo ainda não existe”, afirma Fabro Steibel, do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio).

Por que importa: A falta deste tipo de dados é mais crítica para os municípios menores – com equipes reduzidas e orçamentos limitados. O risco é que a regulação, em vez de estruturar a inovação, a concentre nas mãos de quem já tem condições de arcar com os custos de conformidade.


2. Será?

Lula e Jorge Messias em evento no Planalto / Crédito: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil – 4.jun.2024

Dirigentes partidários avaliam que, caso Lula insista em levar adiante a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, seria mais um gesto político que pragmático, Marianna Holanda escreve no JOTA.

Por que importa: Caso siga por este caminho, Lula reafirma a prerrogativa do presidente da República de escolha de ministros do Supremo e, também, reforça a tese de que a derrota ocorreu na esteira do caso Master — tratado pela militância petista como “BolsoMaster”.

  • A expressão foi elaborada pelo PT para traçar uma linha condutora do escândalo com parlamentares, até chegar a Flávio Bolsonaro.
  • De acordo com esta narrativa, a rejeição de Messias é uma tentativa de impedir que ele chegue ao Supremo e se alie a André Mendonça, relator do caso no STF, na perseguição a culpados.
  • No entorno do Lula, diz-se que a certeza é que ele enviará um nome para o STF ainda neste ano, não se sabe quem ou quando.
  • Uma ala do entorno do presidente defende que, desta vez, ele indique uma magistrada negra.

Técnicos do Senado estudam como proceder, caso haja o reenvio do nome de Messias, mas a decisão será de Davi Alcolumbre.

  • O presidente do Senado poderia devolver a mensagem — algo que seria mais um capítulo da disputa, elevando um pouco mais o tom — ou simplesmente deixá-la parada, o que é visto como mais provável por aliados.

3. Convenção & transição

Sessão da comissão especial das PECs pelo fim da escala 6×1 / Crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Representantes de setores produtivos defenderam ontem (18) que a redução da jornada de trabalho seja tratada por negociação coletiva, não por mudança constitucional, Mariah Aquino relata no JOTA PRO Poder.

  • Eles também cobraram um período de transição caso a proposta avance.
  • As falas foram feitas durante audiência pública na comissão especial da Câmara que debate a redução da jornada de trabalho.

🧑‍🏭 Panorama: Entre os pontos defendidos com mais frequência, estiveram o uso das convenções coletivas para reduzir as horas trabalhadas e a criação de uma transição para o novo modelo.

  • “A melhor solução é deixar a legislação como está e partir para a negociação coletiva”, defendeu Vander Francisco Costa, presidente da CNT (Confederação Nacional do Transporte).
  • “Os exemplos citados mostram que o setor do empresariado compreende a situação e, naquelas atividades que permitem uma jornada menor, ela já é praticada, tanto é que a média no Brasil é de 39 horas semanais.”
  • Para o coordenador trabalhista da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária), Rodrigo Hugueney do Amaral Mello, a premissa da redução da jornada de trabalho estaria “invertida”.
  • “A gente tem visto muita defesa no sentido de que a redução da jornada vai aumentar a produtividade. Todos os países que adotaram, primeiro, aumentaram a produtividade para depois fazer a redução da jornada”, argumentou.

Os convidados reforçaram particularidades de seus respectivos setores e foram unânimes na defesa de um período de transição.

  • “Obviamente, o setor vai implantar a nova regra constitucional. A nova lei vira uma questão de custos”, disse Genildo Lins, diretor-executivo da CNSaúde (Confederação Nacional de Saúde, Hospitais, Estabelecimentos e Serviços).
  • “Custos só são atendidos por três opções: aumento de eficiência do estabelecimento, diminuição da lucratividade ou aumento de preço. O que nós não queremos é aumentar o preço, porque a população, 50 milhões de brasileiros hoje fazem uso da saúde privada.”

⏩ Pela frente: A previsão do colegiado é que o relator, deputado Léo Prates, apresente a primeira versão do parecer amanhã (20).


4. Eleições e cláusula de desempenho

O ministro aposentado do STF Joaquim Barbosa, quando ainda integrava o tribunal / Crédito: Gil Ferreira/CNJ – 6.mai.2014

A movimentação do Democracia Cristã em torno da disputa presidencial revela menos ambição eleitoral e mais pragmatismo institucional, Daniel Marcelino analisa no JOTA PRO Poder.

Por que importa: O que está em jogo não é o Planalto, mas o próprio direito de existir depois de outubro.

  • A candidatura de Aldo Rebelo sempre foi, em essência, um instrumento de sobrevivência partidária — e sua substituição por Joaquim Barbosa confirma exatamente isso.
  • A entrada do ministro do STF aposentado poderia dificultar o desempenho de Lula no primeiro turno, mas tende a reforçar o petista na etapa decisiva.

O DC integra um grupo de siglas sob a sombra da cláusula de desempenho.

  • Sem eleger ao menos 13 deputados federais ou conquistar 2,5% dos votos válidos para a Câmara em 2026, o partido não tem acesso ao fundo partidário e ao tempo de propaganda em rádio e televisão — na prática, uma sentença de extinção lenta.
  • O PSTU e o PCO vivem dilema idêntico.

Nesse contexto, uma candidatura presidencial com algum apelo midiático funciona como tábua de salvação — gera visibilidade, mobiliza eleitores e, no limite, pode arrastar votos para as listas proporcionais.

Sim, mas… Rebelo falhou nessa função.

  • Com média de 1 ponto percentual no agregador do JOTA desde dezembro de 2025, o ex-ministro de Lula e Dilma não gerava o oxigênio político que o partido precisava.
  • A troca, portanto, não é ruptura ideológica: é racionalidade eleitoral.

Mas Barbosa resolve o problema?

A história sugere ceticismo.

  • Em 2018, no pico do antipetismo alimentado pela Lava Jato, o ex-STF foi cortejado pelo PSB com entusiasmo.
  • À época, ele demonstrava capacidade de atrair parte do eleitorado petista, impulsionado por sua biografia, trajetória e perfil de centro-esquerda.
  • Se esse potencial se mantiver, sua entrada na disputa pode, em um primeiro momento, reduzir a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro.
  • A questão que o DC terá de responder nas próximas semanas é se Barbosa tem, hoje, algo além de nome e recall.
  • Se o potencial não se confirmar, sua eventual entrada na disputa representará apenas a substituição de um candidato por outro, igualmente incapaz de romper a barreira da margem de erro.

5. Inspirar para colher

O presidente do Supremo, Edson Fachin / Crédito: Luiz Silveira/STF

O presidente do Supremo, Edson Fachin, disse ontem (18) que o financiamento de desinformação com finalidade eleitoral “enfraquece a institucionalidade, depõe contra os Poderes da República, contra as instituições e contra o tecido social”, Lucas Mendes registra no JOTA PRO Poder.

  • “Criticar é legítimo. Deslegitimar, não. Divergir é próprio do regime democrático. Fragilizar as instituições que o sustentam é abrir caminho para a instabilidade e para o arbítrio”, afirmou.
  • “Saibamos inspirar confiança para colher confiança. E ao cultivá-la e merecê-la, ter a coragem e o equilíbrio para resistir e enfrentar ações que diluem a institucionalidade”, declarou.
  • “Uma sociedade livre e justa pressupõe preservação de suas instituições.”

🔭 Panorama: A fala foi feita durante cerimônia de posse de cinco novos conselheiros do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

Passarão a integrar o órgão:

  • a ministra do TST Kátia Magalhães Arruda;
  • o desembargador do TRT-7 Paulo Regis Machado Botelho;
  • a desembargadora do TRF-2 Andréa Cunha Esmeraldo;
  • a juíza do TRT-10 Noemia Aparecida Garcia Porto;
  • e o juiz federal no TRF-1 Ilan Presser.

Aliás… Os ministros do Supremo decidiram, por 7 votos a 4, que não poderia prosseguir a ação movida pelo Partido Verde contra ato da Presidência durante o governo Jair Bolsonaro de produzir relatórios de monitoramento de redes de jornalistas e parlamentares.

  • Os ministros entenderam ainda que a contratação de empresa privada para o acompanhamento não caracteriza “espionagem”. Leia mais.

6. Compasso de espera

O deputado Aguinaldo Ribeiro / Crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

A comissão especial do PL 2.338/23, para regular o uso e desenvolvimento de inteligência artificial, deve descumprir pela segunda vez o cronograma proposto pelo relator, Edoardo Ghirotto e Karol Bandeira escrevem no JOTA PRO Tecnologia.

  • O deputado Aguinaldo Ribeiro havia anunciado, após reunião com Hugo Motta, que o relatório seria apresentado hoje (19).
  • Motta chamou uma reunião de líderes, mas não há perspectiva de que o parecer seja apresentado.

🔭 Panorama: O relatório não será apresentado enquanto Davi Alcolumbre não garantir a votação no Senado.

  • Como Aguinaldo e Motta não conversaram com Alcolumbre sobre o assunto, é improvável que haja qualquer avanço nesta semana.
  • Aguinaldo sustenta que não faz sentido divulgar um relatório para deixá-lo exposto a críticas sem que haja perspectiva de votação.
  • O texto, portanto, continuará sendo uma incógnita.

7. Boas práticas

O diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino / Crédito: Raphael Ribeiro/Banco Central

O Banco Central defende que o modelo de supervisão auxiliar adotado para as cooperativas de crédito seja expandido para outros segmentos do mercado, como os arranjos de pagamento, Gabriel Shinohara escreve no JOTA PRO Poder.

  • A avaliação é de que o modelo foi bem-sucedido no cooperativismo e pode ser replicado, dado o aumento do mercado supervisionado pela autoridade monetária nos últimos anos.

🔭 Panorama: As primeiras pistas sobre essa intenção do BC foram dadas pelo diretor de fiscalização, Ailton de Aquino (foto), em evento sobre cooperativismo realizado em abril.

  • Em sua fala, Aquino explicou que o modelo de supervisão auxiliar é um instrumento de descentralização de responsabilidade e ganho de eficiência.
  • O JOTA apurou que o estágio da discussão ainda é embrionário.
  • “Eu tenho para mim que dada a elevação da quantidade instituições financeiras no Brasil, quase chegando a 2.000 instituições autorizadas pelo Banco Central, o modelo vitorioso de supervisão auxiliar e autorregulação deveria ser aplicada em outros segmentos e vamos buscar mudar a legislação dado o exemplo do sistema cooperativista”, disse Aquino em 16 de abril.
  • “Eu tenho certeza que a gente vai conseguir avançar nas mudanças normativas em relação a outros segmentos.”

Fonte

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