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A pesquisa Datafolha do fim de semana reforçou a tendência de melhora nos números de Lula, ainda que tenha sido realizada antes das revelações sobre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
A semana começa sob a expectativa dos efeitos que o episódio — e possíveis novas revelações — terá nos levantamentos ainda a serem divulgados, mas parece consenso que o jogo eleitoral sofrerá mudanças relevantes.
Primeiro, com Lula voltando a se sentir mais seguro em relação à reeleição, voltando a acreditar em sua força política — até mesmo para cogitar reenviar ao Senado o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga ainda aberta no Supremo.
Segundo, por obrigar Flávio Bolsonaro a sair da zona de conforto. Se a primeira resposta à crise foi alvo de críticas até de aliados, o senador precisará mostrar algum projeto, ainda que como tentativa de desviar o foco do noticiário.
O tema corrupção e o escândalo Master, especificamente — que até então representava um ponto de incerteza maior ao campo lulista —, perdem força como fios condutores narrativos para o bolsonarismo.
Boa leitura e boa semana.
O PONTO CENTRAL
1. O retorno de Messias
Lula ventilou a aliados a possibilidade de enviar novamente o nome de Jorge Messias para a vaga no Supremo, segundo a Folha de S.Paulo (com paywall) publicou no fim de semana.
O artigo 5º do AMS 1/2010 veda a “apreciação, na mesma sessão legislativa, de indicação de autoridade rejeitada pelo Senado Federal”.
Por que importa: Em questão de semanas, a rejeição de Messias — comemorada por parte da oposição como “o fim” do governo Lula — foi eclipsada pelo noticiário envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
A virada deu nova esperança entre membros do governo de reverter derrotas no Congresso, hipótese possibilitada também pela estratégia de não romper com Davi Alcolumbre de imediato.
Nesse meio tempo, Messias submergiu e manteve a fé em ser indicado de novo, segundo O Globo (com paywall).
UMA MENSAGEM DE OpenAI
IA e os riscos de uma regulação pouco discutida
Crédito: Getty Images
Um algoritmo que organiza filas do SUS e um sistema que analisa imagens de câmeras para identificar pessoas desaparecidas podem ser classificados como de alto risco pelo marco regulatório da Inteligência Artificial (IA).
A questão é que a amplitude das categorias de risco no PL 2.338/2023, em debate na Câmara, abre margem para que aplicações de naturezas distintas sejam tratadas da mesma forma – com obrigações mais rígidas, custos elevados e prazos longos.
Por que importa: No setor público, as consequências desse desenho vão impactar diretamente os estados, os municípios e, consequentemente, o cidadão.
2. Caneta nervosa
Lula assina documento no Planalto / Crédito: Ricardo Stuckert/Presidência da República
Lula já liberou por medidas provisórias R$ 34,7 bilhões em recursos não previstos no Orçamento deste ano, Fábio Pupo escreve no JOTA PRO.
Por que importa: As medidas driblam a análise prévia do Congresso, aceleram gastos federais e ampliam a atuação do governo na economia durante a disputa presidencial.
💸 O governo usa MPs para agir com rapidez em temas ligados ao custo de vida e à sustentação da atividade econômica.
R$ 17 bilhões foram destinados à renovação de frotas rodoviárias e ao crédito para micro e pequenas empresas.
R$ 10 bilhões foram liberados para subsidiar o óleo diesel.
R$ 330 milhões foram destinados ao Gás do Povo.
R$ 305 milhões foram direcionados à Defesa Civil.
R$ 250 milhões foram liberados para enfrentar a escassez hídrica em Minas Gerais.
🕵️ Nos bastidores: Integrantes do governo admitem a edição de MPs porque são um caminho mais rápido e menos sujeito a mudanças no Congresso.
A estratégia tende a ganhar peso diante do calendário eleitoral apertado e da imprevisibilidade do Congresso.
3. Bondades
Lula cumprimenta seguidora / Crédito: Seaud/Presidência da República
O governo Lula segue estudando medidas econômicas que possam ter impacto positivo na popularidade do presidente, Fábio Pupo relata no JOTA PRO.
🧶 Entre os planos está uma nova fase do Desenrola, desta vez voltada a pessoas adimplentes.
Diferentes grupos foram incluídos nas simulações em estudo para avaliar quais públicos poderão ser contemplados, como mostrou o JOTA.
O programa tende a focar principalmente as camadas de renda mais baixa.
🚗 O governo também trabalha em um programa de crédito voltado a motoristas de aplicativo e taxistas para compra de carros.
O programa ainda está em fase de estruturação, mas, segundo envolvidos nas discussões ouvidos pelo JOTA, deve contemplar veículos novos até R$ 150 mil.
⏩ Pela frente: O Tesouro Nacional divulga na sexta (22) o novo relatório bimestral de receitas e despesas, que trará um retrato atualizado do cenário fiscal e poderá indicar a necessidade de contingenciamento.
O relatório ganha peso neste momento por incorporar os efeitos das medidas adotadas pelo governo neste ano, especialmente as voltadas para conter os preços dos combustíveis.
Nas iniciativas mais recentes, o governo optou por não indicar fontes de compensação, estratégia permitida pela Lei de Responsabilidade Fiscal nos casos em que não há corte direto de tributos.
Ainda assim, a iniciativa pode afetar a busca pela meta fiscal.
4. Vai ou racha
O relator das PECs da escala 6×1 na comissão especial, Leo Prates / Crédito: Renato Araújo/Câmara dos Deputados
A comissão especial que analisa as PECs do fim da escala 6×1 entra em uma semana decisiva, com a expectativa de apresentação e votação do relatório, Mariah Aquino escreve no JOTA PRO.
A previsão é de que o deputado Leo Prates apresente a primeira versão por volta de quarta (20).
O relatório deve abrir caminho para a votação da proposta na comissão e no plenário da Câmara já na próxima semana.
5. Pode ir armando o coreto
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, em audiência no Senado / Crédito: Lula Marques/Agência Brasil
Gabriel Galípolo retorna amanhã (19) à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado — palco em que, da última vez, deu declarações sobre o Master que o afastaram de Lula,como o JOTA mostrou.
O presidente do Banco Central deve enfrentar novas cobranças sobre o caso Master e sobre a situação financeira do BRB.
Por que importa: A audiência pode ampliar a pressão política sobre o BC em meio a questionamentos sobre fiscalização, supervisão bancária e condução de processos envolvendo instituições financeiras, Daniel Marques Vieira escreve no JOTA PRO.
Renan Calheiros anunciou que cobrará explicações sobre a demora do BC em agir diante de alertas de irregularidades no caso Master.
Senadores do Distrito Federal pretendem questionar a atuação do BC em relação ao BRB.
Parlamentares avaliam que a autarquia pode estar repetindo falhas apontadas durante o processo de liquidação do Master.
Galípolo também deve ser cobrado sobre o termo de compromisso firmado com Roberto Campos Neto.
6. Do zero
O ministro Edson Fachin / Crédito: Luiz Silveira/STF
Está na pauta da quarta (20) do plenário do Supremo o julgamento que discute os critérios para a aplicação da justiça gratuita na Justiça do Trabalho.
O placar, agora zerado, estava 5 a 1 no plenário virtual para instituir um teto de R$ 5.000 para a concessão do benefício.
Com o pedido de destaque do ministro Edson Fachin, o caso agora deve ser analisado no plenário físico.
O tema é o penúltimo da pauta, por isso, pode ser que não dê tempo de julgar.
🔭 Panorama: No cerne da controvérsia em discussão estão os critérios objetivos para a concessão definidos pela Reforma Trabalhista (Lei 13.467/2017), dispostos nos parágrafos 3° e 4° do art. 790 da CLT.
Os dispositivos em questão preveem que o benefício da justiça gratuita pode ser usufruído por aqueles que tiverem salário igual ou inferior a 40% do limite máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social.
Aos demais, a concessão exige a comprovação de insuficiência de recursos para não pagar as custas do processo.
Logo, a dúvida é se essa comprovação pode ser feita somente com declaração de pobreza ou se a parte teria que provar a insuficiência de recursos com outros documentos.
Aliás… O ministro Benedito Gonçalves, do STJ, será sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado para a vaga de corregedor nacional de Justiça no CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
A votação da indicação deve ocorrer no mesmo dia no plenário.
AGENDA BSB
7. Agro na pauta da Câmara e mais
A pauta do plenário na Câmara nesta semana será focada em temas prioritários para o agronegócio. O PL 2.951/24, sobre seguro rural, deve ser votado sob relatoria do presidente da FPA, deputado Pedro Lupion. Também serão votadas as urgências aos projetos: PL 5.900/25, PL 2.827/25, PLP 34/26 (incentivos ao setor agropecuário) e PL 3.123/25 (Sistema Nacional de Gestão de Risco de Crédito Rural).
A Câmara pautou para amanhã (19) a votação no plenário de dois projetos que tratam sobre combustíveis. O PLP 114/26, que prevê flexibilização das regras da Lei de Responsabilidade Fiscal para que seja possível aplicar os recursos extraordinários do petróleo nos programas de redução de preços dos combustíveis, e o PL 1.625/26, que tipifica como crime a conduta de aumentar preços de combustíveis sem justa causa em meio a situações de excepcionalidade, como a guerra atual no Oriente Médio. Além disso, está na pauta do plenário a votação do PL 699/23, que cria o Profert, programa focado em desonerar a cadeia de produção de fertilizantes brasileiros.
A Comissão de Previdência realiza amanhã (19), a partir das 15h, audiência para debater aplicações financeiras de recursos previdenciários após o caso Master. Foram convidados representantes do Ministério da Previdência Social, da Comissão de Valores Mobiliários, da Associação Brasileira de Instituições de Previdência Estaduais e Municipais e do Banco Central.
A Comissão de Segurança Pública do Senado marcou para terça (19) a votação do PL 4.636/20, que submete os partidos políticos a mecanismos de controle financeiro e combate à lavagem de dinheiro. A proposta tem como objetivo responsabilizar os partidos quando comprovado o benefício financeiro em decorrência da lavagem de dinheiro. Caso aprovado, o PL estabelece que as siglas partidárias deverão ser cadastradas no Coaf.
A Comissão de Segurança Pública do Senado deve analisar amanhã (19) o PL 6.679/25, que autoriza apps de navegação, como Google Maps e Waze, a alertarem sobre áreas de risco. Pela proposta, as empresas poderão emitir alertas aos motoristas quando houver aproximação de áreas com índices elevados de criminalidade. O projeto estabelece ainda que essas informações sejam coletadas por meio de bancos de dados públicos e com atualizações periódicas.
O senador Plínio Valério deve ler seu parecer à PEC da autonomia financeira do BC (PEC 65/2023) na quarta (20). Após semanas de trabalho semipresencial, a CCJ faz nesta semana uma sessão presencial, permitindo que a PEC entre na pauta. Segundo Plínio, essa deve ser uma “última cartada” para tentar avançar com o tema antes do fim do ano. Com o novo relatório, avaliando as emendas apresentadas nos últimos meses, a PEC ficará pronta para ser votada, deixando a decisão na mão do presidente do colegiado, senador Otto Alencar.
A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado marcou para amanhã (19) a votação do projeto de lei que cria um programa de refinanciamento de dívidas rurais (PL 5.122/23). Na última quarta (15), o projeto teve seu escopo expandido pelo relator, senador Renan Calheiros, tanto no que diz respeito às fontes de recursos quanto em relação aos municípios abrangidos. O relator negocia a votação do projeto tanto na CAE como no plenário no mesmo dia. Em seguida, o projeto precisa voltar para a Câmara.
A Comissão Mista que analisa a MP que define o piso mínimo do magistério (MP 1.334/26) deve votar a medida já na terça (19). Segundo o plano de trabalho apresentado pela relatora, senadora Dorinha Seabra, o parecer deve ser publicado hoje (18). A estimativa é de que a nova regra cause um impacto fiscal de R$ 6,4 bilhões em 2026, se for aplicada por todos os entes federativos em comparação ao formato de reajuste da regra antiga.
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