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O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou, na tarde de segunda-feira (6/4), um pacote de medidas para conter os impactos da alta do preço dos combustíveis decorrente da guerra no Oriente Médio. As ações atingem as cadeias de fornecimento de combustíveis e também o setor aéreo.
A principal iniciativa é a edição de uma medida provisória que prevê subvenção de R$ 1,20 por litro para a importação de diesel rodoviário. O benefício será pago diretamente pela União, e os estados que aderirem ao programa compensarão metade desse valor, o equivalente a R$ 0,60 por litro.
A MP também cria uma nova subvenção para produtores brasileiros de óleo diesel, autoriza subvenção federal para a importação de GLP e prevê mecanismos para suavizar oscilações internacionais de preços. Além disso, o governo publicará decretos para zerar o PIS e a Cofins sobre o querosene de aviação (QAV) e o biodiesel.
O anúncio foi feito pelos ministros da Fazenda, Dario Durigan; de Minas e Energia, Alexandre Silveira; de Portos e Aeroportos, Tomé Franca; e do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, em coletiva de imprensa no Palácio do Planalto.
Veja abaixo ponto a ponto das medidas.
Durigan confirmou em entrevista coletiva que 25 unidades da Federação já se posicionaram a favor da subvenção ao diesel proposta pelo governo federal em parceria com os estados.
A medida prevê a subvenção de R$ 1,20 por litro para a importação de diesel rodoviário. Desse total, a União fará o pagamento direto, enquanto os estados que aderirem ao programa compensarão metade do valor, ou R$ 0,60 por litro.
Segundo o governo, o benefício se somará à subvenção de R$ 0,32 por litro criada em 12 de março pela Medida Provisória 1.340, com o objetivo de viabilizar a importação do combustível necessária ao abastecimento do país. Em contrapartida, os importadores deverão aumentar o volume vendido aos distribuidores e garantir o repasse do benefício aos preços ao consumidor.
Na abertura da coletiva, Silveira afirmou que a medida provisória também reforça a fiscalização. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) terá instrumentos mais duros para agir em situações de elevação abusiva de preços e recusa de fornecimento de combustíveis em contextos de conflito geopolítico ou calamidade.
Moretti fez uma síntese das medidas. Segundo ele, haverá uma medida provisória, um projeto de lei em regime de urgência e decretos sobre matéria tributária. “Enxergamos até aqui absoluta neutralidade fiscal sobre as medidas”, disse o ministro do Planejamento.
A MP detalha a subvenção à importação do óleo diesel, considerada pelo governo fundamental para garantir o abastecimento do país. A medida será aplicada, ao menos, durante os meses de abril e maio de 2026, com possibilidade de prorrogação por igual período.
Nos dois primeiros meses, o impacto estimado é de R$ 4 bilhões, sendo R$ 2 bilhões para a União e R$ 2 bilhões para os estados e o Distrito Federal.
Haverá ainda isenção de PIS/Cofins sobre o biodiesel. Segundo o governo, a medida gerará economia de R$ 0,02 por litro do combustível.
De acordo com o governo, a nova subvenção se soma à de R$ 0,32 por litro já em vigor. O custo estimado é de R$ 3 bilhões por mês. A medida valerá por dois meses, com possibilidade de prorrogação por mais dois. Em contrapartida, os produtores deverão aumentar o volume vendido aos distribuidores e garantir o repasse do benefício aos preços ao consumidor.
A MP também autoriza a subvenção federal para a importação de GLP nos próximos meses. A medida prevê pagamento de R$ 850 por tonelada de gás liquefeito de petróleo importado, com valor total estimado em R$ 330 milhões.
Segundo o governo, isso permitirá que o produto importado seja comercializado ao mesmo preço daquele produzido no Brasil, reduzindo o impacto da guerra sobre o gás de cozinha e a população mais vulnerável.
A subvenção terá duração de dois meses, com possibilidade de prorrogação por outros dois.
“Vamos habilitar importadores de GLP, a maior é a Petrobras, para que importe GLP a um preço nacional. O governo dará subvenção com a diferença entre o preço nacional e o preço internacional”, disse Moretti.
Ainda durante a coletiva, Moretti afirmou que outra medida prevista é a obrigação de que os agentes econômicos beneficiados pelas subvenções adotem mecanismos para suavizar as oscilações internacionais de preços.
“Não é razoável que subvenções não sejam repassadas ao consumidor nacional”, afirmou.
Além do agravamento de penalidades em casos de elevação abusiva de preços e recusa de fornecimento de combustíveis em situações de conflito geopolítico ou calamidade, o governo vai encaminhar ao Congresso, em regime de urgência, um projeto de lei que cria um novo tipo penal para coibir o aumento abusivo de preços. “Essa conduta ensejaria, inclusive, pena de 2 a 5 anos de detenção”, completou o ministro.
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, acrescentou que a medida provisória prevê duas novas linhas de crédito para reduzir o impacto da alta dos combustíveis sobre as companhias aéreas brasileiras.
A primeira conta com recursos do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), terá valor total de até R$ 2,5 bilhões por mutuário e será voltada à reestruturação financeira das empresas. Os financiamentos serão operados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ou por instituição por ele habilitada.
A segunda linha terá foco em capital de giro de seis meses, com R$ 1 bilhão alocado e condições financeiras e de elegibilidade a serem definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), com risco da União.
As duas linhas somam até R$ 9 bilhões em crédito para o setor.
O governo também anunciou a publicação de decreto que zera o PIS e a Cofins sobre o querosene de aviação, com economia estimada de R$ 0,07 por litro.
Outra medida anunciada é a postergação, para dezembro, do pagamento das tarifas de navegação aérea da Força Aérea Brasileira (FAB) referentes aos meses de abril, maio e junho.
No anúncio de medidas para conter a alta nos combustíveis, foi informado também que a medida provisória prevê um ajuste no IPI de cigarro, com o objetivo de servir como fonte de receita para a isenção de PIS/Cofins sobre o querosene de aviação.
A alíquota de R$ 2,25 vai para R$ 3,50, e o preço mínimo sobe de R$ 6,50 para R$ 7,50. O efeito de arrecadação é de R$ 1,2 bilhão para 2026.