Fachin quer Judiciário atuando com Receita, Coaf e BC contra crimes financeiros

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, disse nesta terça-feira (24/3) que vê o diálogo do Judiciário com órgãos de investigação e de controle, como a Receita Federal, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e o Banco Central (BC) como passo fundamental para enfrentar o crime organizado.

Um dos objetivos é proporcionar uma maior inteligência financeira para a atuação da Justiça em crimes financeiros, especialmente os que envolvem lavagem de dinheiro.

A fala foi feita no encerramento de um encontro nacional no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre os desafios do Judiciário diante do crime organizado. Participam magistrados de diversos tribunais.

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Fachin relatou o encontro que teve na segunda-feira (23/3) com chefes do BC, da Polícia Federal e do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para tratar de medidas de combate aos crimes financeiros e cibernéticos. Ele disse que está discutindo sobre o assunto e que gostaria que o tema fosse levado adiante.

O magistrado defendeu medidas para “asfixiar financeiramente” as organizações criminosas como solução “tão ou mais eficaz” que uma resposta punitiva. Conforme o magistrado, a criminalidade organizada é, “em suma e essência, uma criminalidade econômica”.

“O Judiciário precisa contar com ferramentas, com dados, com informações qualificadas e com canais de cooperação ágeis e seguros. Essa articulação interinstitucional não compromete a imparcialidade do juiz; ao contrário, habilita-o a decidir com mais conhecimento e, portanto, com mais justiça”, declarou.

Segundo o presidente do STF, outro grande desafio é “depurar e aplicar” a nova lei “Antifacção”, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta terça (24/3).

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“Sabemos que toda nova norma de relevância penal exige, da parte da magistratura, um esforço hermenêutico rigoroso para que a aplicação se faça em conformidade com a Constituição, com os tratados internacionais de direitos humanos e com a melhor técnica processual”, afirmou. 

“Temos, portanto, uma missão concreta: ser espaço privilegiado de reflexão, de diálogo e de construção coletiva dos parâmetros interpretativos que orientarão a aplicação dessa legislação em todo o território nacional”.

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