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Enquanto Flávio Bolsonaro (PL) ainda tenta se desvencilhar dos tentáculos de Daniel Vorcaro, Lula (PT) segue desperdiçando a janela de oportunidades que se abriu para ele nesta pré-campanha. O desgaste do senador oposicionista desarticulou momentaneamente a formação de seus palanques regionais, porém, o presidente também não conseguiu avançar em estados cruciais eleitoralmente, como Minas Gerais e São Paulo, por exemplo.
A pouco mais de quatro meses das eleições, o PT ainda não definiu sua chapa para a disputa nos dois maiores colégios eleitorais do país e parece aguardar uma intervenção divina, que, no caso do partido, significa a ação direta de Lula. Em São Paulo, o clima nos bastidores piora a cada novo dia em que permanece a hesitação na escolha de quem será o vice de Fernando Haddad e de quem formará a dupla de candidatos ao Senado.
A origem do problema, segundo quem acompanha de dentro essas articulações, está na maneira como Simone Tebet foi deslocada do Ministério do Planejamento diretamente para o cenário pré-eleitoral de São Paulo. Escolha pessoal de Lula, ela se filiou ao PSB paulista sem que um diálogo mais consistente e proveitoso, digamos assim, tivesse sido construído entre o presidente e seu ex-ministro Márcio França, principal liderança do partido socialista no estado.
Da mesma forma, Marina Silva (Rede) deixou o Ministério do Meio Ambiente para se colocar à disposição eleitoralmente em São Paulo, assim como França, que se desincompatibilizou da pasta do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte. Com Haddad, eles formam o “quarteto mágico” da centro-esquerda no estado. Ocorre que o “treinador Lula” só anunciou até agora a convocação e deixou a escalação do time titular em aberto.
França, bancado pelo PSB, Tebet, apoiada por Lula, e Marina, escorada na federação Rede/PSOL, não dão sinais de que pretendem abrir mão da pré-candidatura ao Senado espontaneamente. Tampouco Haddad, já em campanha, parece empenhado em encontrar uma solução rápida para o impasse. Ou seja, deverá ser necessária a intervenção de Lula para resolver a questão e formar a chapa que até agora também não tem um vice.
Do outro lado da disputa, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado de Flávio, foi mais rápido e exerceu seu poder com mão de ferro: tirou o PSD da chapa e fechou a casinha na disputa pela reeleição com Felício Ramuth (MDB) de vice, André do Prado (PL) e Guilherme Derrite (PP) para o Senado. Como se diz o jargão do futebol, time definido, escalado e já em campo.
Em privado, quem entende dos bastidores da política paulista pondera que a chapa de Tarcísio ainda vai aguardar um pouco mais para se empenhar de corpo e alma, se é que isso acontecerá, na campanha de Flávio no estado. O entorno do governador deve esperar a repercussão das revelações das ligações do senador com Vorcaro decantarem na opinião pública para planejar os próximos passos.
O temor no Palácio dos Bandeirantes é de que a rejeição do presidenciável do PL, em alta nas pesquisas, contamine Tarcísio, o que dá mais tempo para Lula e o PT buscarem uma solução para a definição de uma chapa que organize suas forças e engaje sua militância em São Paulo.
Em Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, a saga envolvendo Rodrigo Pacheco (PSB) continua. A despeito do perfil hesitante do senador, chega a beirar o amadorismo a postura do PT de ter deixado para a última hora a construção de uma alternativa eleitoralmente forte para a disputa do governo e do Senado.
O estrago eleitoral do PT em Minas começou em 2018 no final da gestão estadual de Fernando Pimentel. Marília Campos, ex-prefeita de Contagem, é o nome mais viável do partido no estado, seja para o Senado ou para o governo. O problema aqui é que ela é uma só.
Para o curto prazo, resta uma esperança ao PT. Geraldo Alckmin entrou no circuito em um esforço final para convencer Pacheco a ser candidato ao governo, afinal, ambos são colegas de PSB. O senador, porém, ainda aguarda uma conversa com Lula.
Para a sorte do presidente, Flávio Bolsonaro também enfrenta dificuldades na montagem de seu palanque em Minas. As revelações de sua proximidade com o ex-banqueiro Vorcaro esfriaram as negociações com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), líder das pesquisas.
Na esteira do caso envolvendo Flávio, Vorcaro e o filme Dark Horse (sobre Jair Bolsonaro), as pontes do PL mineiro com o atual governador e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), foram explodidas uma a uma conforme Romeu Zema (Novo) abre a boca para criticar o presidenciável do PL.
Simões era vice de Zema e prometeu lealdade ao antecessor na disputa pelo Planalto. Dessa forma, com mais sorte do que juízo, Lula e o PT seguem arrastando o jogo nos maiores colégios eleitorais do país e desperdiçando oportunidades que não costumam surgir tão facilmente.
Paulo Serra (PSDB) segue firme na manutenção de sua pré-candidatura ao governo de São Paulo, que pode ser decisiva no sentido de levar a disputa ao segundo turno. Na mesma direção, a executiva estadual do partido no estado manifestou “total apoio à pré-candidatura de Aécio Neves à Presidência da República nas eleições de 2026”.
Aécio, lançado pré-candidato a presidente pelo Cidadania, está empenhado em reconstruir o PSDB. Resta saber se ele irá se inspirar no partido criado por expoentes da redemocratização, como seu avô, Tancredo Neves, ou o PSDB do Bolsodoria de 2018.