Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124
Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124

Um modelo de IA feita pela IplanRio, empresa de tecnologia vinculada à prefeitura do Rio de Janeiro, virou o centro de uma polêmica no segmento. A tecnologia foi liberada com desempenho surpreendente em testes de performance, mas os dados foram contestados e os desenvolvedores foram acusados de omissão.
O modelo em questão é o Rio 3.5 Open, LLM de código aberto construído com base no Qwen, uma IA open source feito por uma empresa chinesa. O lançamento surpresa chamou atenção nas redes sociais pelas boas notas em testes de benchmark, mas precisou ser alterado após repercussão negativa.
O Canaltech explica o ocorrido:
–
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
–
O Rio 3.5 Open foi divulgado sem muito alarde, mas aos poucos ganhou destaque nas redes sociais entre as comunidades que acompanham o mercado de IA.
Um dos motivos foi o desempenho em teste de benchmark divulgado pela empresa na plataforma Hugging Face: nele, o LLM carioca tinha desempenho similar ou superior a outros concorrentes como Qwen e DeepSeek, o que colocaria a IA como uma das melhores opções disponíveis no segmento de código aberto.
A medida chamou a atenção porque naquele momento a impressão era de que o Rio 3.5 poderia ser um modelo fundacional, com uma parte treinada “do zero” e feito por uma instituição vinculada à esfera pública.
Alibaba Qwen3.7 slowly fading into irrelevance at the frontier due to proprietary stance.
In it’s place we have Minimax M3 and… *checks notes* Rio 3.5 397b, made by the municipal IT company of Rio de Janeiro’s city government.https://t.co/JgIJYVhoEi pic.twitter.com/lVR83aAvPD— 𝗭𝗲𝗻 𝗠𝗮𝗴𝗻𝗲𝘁𝘀 (@ZenMagnets) June 13, 2026
A polêmica começou a surgir ao analisar os dados de treinamento do Rio 3.5 Open. A documentação mencionava o uso do Qwen 3.5 como base, mas não citou o Nex-N2 Pro, desenvolvido pela chinesa Nex.
O problema é que a desenvolvedora do N2 Pro decidiu analisar a situação e descobriu que o LLM do Rio combinava os pesos do Qwen e da Nex. Além disso, a empresa revelou que a IA se identificava como feita pela Nex ao remover o prompt de sistema (conjunto de configurações que determina como uma IA deve responder).
Ou seja, no lugar de treinar um modelo por conta própria, a IplanRio combinou dois outros modelos diferentes e não informou o uso do N2 Pro durante o processo. A Nex criticou a omissão e a falta de atribuição, especialmente por se tratar de uma iniciativa de código aberto.
O modelo Rio 3.5 quebrou a internet esta semana. A reviravolta? Ele é essencialmente o nosso modelo open-source, Nex N2 Pro, usando outro chapéu.
🤯 Analisamos os pesos, e a receita é exata: Rio 3.5 ≈ 0.6 * Nex N2 Pro + 0.4 * Qwen 3.5 Ele até literalmente se apresenta como…— Nex (@NexEcosystem) June 14, 2026
A IplanRio fez um comunicado nas redes sociais para informar que o material publicado no HuggingFace era uma versão preliminar e atribuir o uso do Nex-N2 Pro.
Procurada pelo Canaltech, a empresa afirmou que o caso ocorreu por uma falha humana e operacional na hora de publicar os arquivos no HuggingFace. A versão publicada ainda não tinha o processo de pós-treinamento e refinamento feito pela companhia, enquanto o envio da versão final deve acontecer em breve.
Confira a nota na íntegra:
“A IplanRio reitera que o ecossistema global de inteligência artificial baseia-se fundamentalmente na colaboração e no código aberto (open source). O desenvolvimento do projeto Rio 3.5 utiliza a técnica de fusão de pesos (model merge), combinando as arquiteturas públicas do Qwen 3.5 (Alibaba) e do Nex-N2 Pro (Nex-AGI). Ambas as tecnologias são regidas por licenças abertas que autorizam, incentivam e têm como propósito a modificação e o aprimoramento por terceiros. Essa abordagem foi escolhida pela instituição justamente por sua alta eficiência e responsabilidade fiscal, permitindo entregar resultados robustos com baixo custo de processamento computacional para o município.
O cronograma do projeto previa que, após a composição inicial das arquiteturas abertas, o modelo passasse por um processo de pós-treinamento e refinamento nativo (on-policy distillation) conduzido pela equipe técnica, para sua devida customização à realidade do município. Contudo, devido a uma falha humana e estritamente operacional durante a etapa de publicação na plataforma Hugging Face, foram subidos os arquivos de testes da fusão preliminar dos modelos, em vez da versão final refinada. Esse erro material fez com que o modelo temporariamente disponibilizado respondesse com traços da base de dados original da Nex-AGI.
Assim que a inconsistência foi identificada pela comunidade de pesquisadores — cujo escrutínio e colaboração são pilares que a IplanRio apoia e incentiva —, a instituição agiu de forma imediata e transparente.
O arquivo descritivo (README) do projeto foi atualizado prontamente para dar o devido crédito e a atribuição transparente ao modelo Nex-N2 Pro, corrigindo a omissão inicial;
Os fluxos internos de governança e publicação foram revisados para auditoria e compliance da infraestrutura de dados e a a equipe técnica já trabalha no upload da versão final, processada pelas diretrizes e dados específicos da Prefeitura do Rio.
A IplanRio reafirma seu compromisso com a inovação tecnológica na gestão pública, pautada pela transparência e pelo estrito respeito às normas da comunidade global de software livre. O Rio 3.5 segue sua trajetória para se tornar uma ferramenta pioneira de eficiência e atendimento ao cidadão carioca.
Mais do que uma inovação técnica, o Rio 3.5 foi concebido para gerar retornos práticos e diretos para a gestão pública do Rio de Janeiro. Ao desenvolver uma inteligência artificial baseada em código aberto, o município assegura sua soberania tecnológica e garante total independência de fornecedores internacionais de software proprietário, eliminando a dependência de licenças caras pagas em moeda estrangeira. Na prática, essa tecnologia será aplicada diretamente na melhoria e agilização dos serviços públicos oferecidos ao cidadão carioca — como a otimização dos sistemas de atendimento, triagem de chamados de zeladoria e suporte à saúde —, promovendo uma severa redução de custos operacionais para a máquina pública”.
Entenda como funciona o treinamento de uma IA.
Leia a matéria no Canaltech.

