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O governo federal mobilizou a equipe econômica, a Casa Civil e a Secretaria de Relações Institucionais para tentar frear no Congresso ao menos sete propostas com forte apelo popular e potencial impacto bilionário nas contas públicas. Impulsionadas pelo ano eleitoral, as chamadas pautas-bomba envolvem desde a criação de pisos salariais e benefícios previdenciários até mudanças em regimes tributários e vinculação de receitas.
A ofensiva ocorre em meio à preocupação do governo em demonstrar compromisso com a responsabilidade fiscal, em um cenário de Orçamento pressionado e baixa margem para novas despesas obrigatórias. Nos bastidores, integrantes da equipe econômica avaliam que a aprovação dessas medidas pode pressionar o arcabouço fiscal e obrigar o Executivo a buscar compensações por meio de aumento de receitas ou corte de gastos.
A articulação ganhou corpo no início de abril, quando integrantes da equipe econômica foram ao Congresso para negociar mudanças e tentar conter o avanço de propostas com impacto fiscal elevado. A mobilização envolveu também a Casa Civil e a Secretaria de Relações Institucionais, em uma tentativa de convencer líderes da Câmara e do Senado a adiar votações, alterar textos ou buscar fontes de compensação.
Uma das principais preocupações é a PEC do Suas, que assegura repasse mínimo de 1% da Receita Corrente Líquida da União ao Sistema Único de Assistência Social. O texto foi aprovado em primeiro turno no plenário da Câmara, mas o governo conseguiu ganhar tempo na votação em segundo turno após intensificar a articulação contra a proposta.
O movimento também chegou ao Senado. Depois da atuação da equipe econômica junto ao Congresso, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), pediu cautela na análise de projetos que criam pisos salariais e podem comprometer os caixas da União, estados e municípios. Entre as propostas citadas estão pisos para médicos e cirurgiões-dentistas, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais, técnicos administrativos da educação básica pública e técnicos e auxiliares em saúde bucal.
A equipe econômica também tenta conter projetos que ampliam benefícios previdenciários, reduzem arrecadação ou criam novas despesas permanentes. Integrantes do governo veem risco de que esse conjunto de medidas pressione as metas fiscais, afete a credibilidade da política econômica e aumente a tensão entre Executivo e Congresso.
Altera o regime do Simples Nacional e amplia os limites de enquadramento de MEI, microempresas e empresas de pequeno porte.
Assegura repasse mínimo de 1% da Receita Corrente Líquida da União ao Sistema Único de Assistência Social (Suas).
Autoriza o uso de recursos do Fundo Social do pré-sal para refinanciar dívidas do agronegócio.
Cria aposentadoria especial para agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias.
Majora o piso salarial de médicos e cirurgiões dentistas. O texto aprovado na CAE fixou o piso em R$ 13.662 para 20 horas semanais, equivalente a nove salários mínimos, com reajuste anual pelo IPCA. Também prevê adicional de 50% para trabalho noturno ou extraordinário, descanso de 10 minutos a cada 90 minutos trabalhados e reserva dos cargos de chefia dos serviços médicos ou odontológicos a profissionais habilitados nessas áreas.
Reduz a jornada dos profissionais de enfermagem para 36 horas semanais.
Prevê isenção de tributos como CBS e IBS sobre materiais recicláveis.