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A lista de convidados confirmados para as edições de 2024, 2025 e 2026 do Fórum de Lisboa, com base no site oficial do evento, funciona como um termômetro das relações entre a ala do anfitrião do evento — o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF) —, a política brasileira e também o setor privado. Neste ano, chama a atenção a ausência de governadores de oposição que estiveram presentes em anos anteriores, enquanto ministros das cortes superiores ainda marcam presença. Veja a arte abaixo.
O ponto de partida é 2024, quando o evento ganhou maior tração. Naquele ano, quatro ministros do STF declinaram o convite: Cármen Lúcia, Edson Fachin, Luiz Fux e Nunes Marques. A ausência em bloco rendeu ao encontro o apelido de “Gilmarpalooza”, cunhado pela imprensa para descrever um evento que parecia, naquele momento, mais um espaço de influência pessoal do decano do que um espaço plural de debate jurídico.
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Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Luís Roberto Barroso, Cristiano Zanin, Dias Toffoli e o próprio Gilmar estavam presentes. No ano passado, o quadro se consolidou: Barroso, Moraes, André Mendonça, Flávio Dino e Gilmar confirmaram presença. Toffoli, no entanto, não voltou.
Em 2026, o Supremo enfrenta as repercussões das relações de membros da corte — além da própria classe política — com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, reveladas junto à exposição do esquema bilionário de fraude. O Fórum de Lisboa se torna, assim, um primeiro teste sobre como os Poderes e o setor privado reagem após o escândalo.

Com o tema “Nova ordem internacional, tecnologia e soberania”, quatro ministros participam da edição: Moraes, Dino, Barroso e Gilmar. André Mendonça, presente no ano anterior e relator do caso Master no Supremo, não está na lista.
Quem nunca faltou foi o STJ. Dos 13 ministros confirmados para junho, pelo menos dez participaram também nas duas edições anteriores. Luis Felipe Salomão, Antonio Saldanha, Benedito Gonçalves, Mauro Campbell Marques, Ricardo Villas Bôas Cueva, Rogério Schietti Cruz, Sebastião Reis Júnior e Teodoro Silva Santos são presenças constantes desde 2024. A bancada do tribunal é, na prática, a espinha dorsal do evento.
A mudança mais significativa de 2026 está no perfil dos políticos confirmados. Governadores de oposição que marcaram presença nas duas edições anteriores não figuram nos confirmados deste ano. Tarcísio de Freitas, que em 2025 foi comentador de um keynote speech, não está entre eles. Tampouco Ronaldo Caiado e Cláudio Castro.
No lugar deles, estreiam o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e o presidente do BNDES, Aloízio Mercadante, que havia participado em 2024 mas ficou fora em 2025. Entre os confirmados estão o ex-governador do Pará Helder Barbalho (MDB-PA), que renunciou ao cargo para disputar o Senado, Eduardo Leite (PSD-RS), Wanderlei Barbosa (Republicanos-TO) e Raquel Lyra (PSD-PE), que participa pela primeira vez. Rodrigo Pacheco (PSB-MG) marca presença pela terceira edição consecutiva. Hugo Motta (Republicanos-PB) confirma segunda participação consecutiva.
A 14ª edição do Fórum de Lisboa acontece nos dias 1º, 2 e 3 de junho, na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Organizado pelo IDP, pela FGV Justiça e pelo Lisbon Public Law Research Centre, o evento reúne neste ano mais de 450 participantes de 15 países em 71 painéis, a maior edição da história do encontro, segundo a organização.
Entre os destaques da programação estão o economista Joel Mokyr, vencedor do Nobel de Economia de 2025, e o jornalista Thomas Friedman, do New York Times, que retorna como keynote speaker após participar da edição de 2024.