Flávio Bolsonaro não derreteu, mas ainda está longe de demonstrar resiliência

A repercussão dos resultados da pesquisa Atlas/Bloomberg nesta terça-feira (19/5), praticamente a primeira realizada após a divulgação dos diálogos entre Flávio Bolsonaro (PL) e Daniel Vorcaro, pode ser resumida na expressão clássica de enxergar o “copo meio cheio ou meio vazio”. Não por outro motivo, entusiastas da candidatura do senador a presidente, disseram, em linhas gerais, que o estrago foi menor do que o esperado por eles e alardeado por seus adversários.

Na outra ponta do espectro político-eleitoral, apoiadores do presidente Lula (PT) comemoraram a queda de seis pontos percentuais em um eventual segundo turno nas intenções de voto em Flávio Bolsonaro. Ou seja, os dois lados da disputa preferiram exaltar o copo meio cheio. De acordo com a pesquisa, em abril, o senador tinha 47,8% contra 47,5% do presidente. Agora, o petista aparece com 48,9% contra 41,8% do oposicionista.

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Claro, o importante, em uma campanha, é manter a “militância” e os eleitores motivados, acreditando na vitória até o fim. Há também os casos graves da miopia ideológica, que acomete determinados apoiadores e não os deixa ver nada que esteja fora de seu conjunto de crenças e desejos. 

O que interessa, no entanto, está além dessa repercussão pública e dessa torcida e deve ser analisado com cautela. Para quem imaginava que a pré-candidatura de Flávio fosse “derreter” em uma semana, o resultado pode ter sido decepcionante. Antes de mais nada, importante ressaltar que esse tipo de expectativa despreza a força do bolsonarismo e a lealdade de seus seguidores à família do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A divulgação do áudio no qual Flávio pede dinheiro ao ex-banqueiro Vorcaro, principal vetor do escândalo do Master, está testando a resiliência de sua pré-candidatura e medirá a textura de seu couro, mas não do bolsonarismo e do antipetismo, já consolidados como forças políticas e populares cujo objetivo principal neste ano é desapear Lula do poder.

Nesse sentido, os resultados da pesquisa indicam com a clareza de um farol que Flávio não passou nem passará incólume por essa crise, mas que continua em pé no ringue da disputa e com chances de vitória. No entanto, ainda não dá para falar em “resiliência” do pré-candidato.

Se Flávio caiu seis pontos mostrou resiliência? Quanto deveria ter caído para demonstrar fraqueza? Oito? Dez? São conclusões quase subjetivas que não param de pé, ao contrário do pré-candidato, neste momento. 

Deste ponto da pré-campanha em diante, tudo dependerá de como Flávio continuará lidando publicamente com o episódio e de como atuará para evitar o desmantelamento de sua rede de apoios nos estados, que já está acontecendo. Precisa ainda frear a onda de suposições de que será substituído por Michelle Bolsonaro e manter unida em torno de sua figura o eleitorado bolsonarista e o antipetista. Se conseguir esses feitos, demonstrará resiliência política e couro grosso. 

No campo do incontrolável para Flávio estão, principalmente, o avanço das investigações envolvendo Vorcaro e a maneira como o PT e Lula utilizarão o episódio dos diálogos para desgastar o senador. Somente uma combinação desfavorável de todos esses fatores deverá produzir um cruzado de esquerda (claro) capaz de levar à lona a candidatura do filho mais velho de Jair Bolsonaro antes das convenções, previstas para julho e agosto. Nesse caso, os petistas o venceriam por nocaute.

Um dado importante da pesquisa mostra que a maior parte das intenções de voto em Flávio foram parar no grupo dos indecisos, brancos e nulos, que foi de 4,7% no levantamento anterior para 9,3% no mais recente. Esse eleitor se decepcionou com o senador, mas ainda não o trocou por outro candidato e, no melhor dos mundos para os bolsonaristas, ainda podem voltar para o principal adversário de Lula até aqui.

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Portanto, sem a combinação explosiva para Flávio do desmantelamento de seus palanques, do avanço das investigações, da eficiência do PT em desgastá-lo e do desastre que têm sido até aqui suas explicações sobre o caso, o embate continuará sendo disputado por pontos e rounds entre Lula e o senador, com os demais lutadores tentando entrar no ringue eleitoral.

Por ora, a queda nas intenções de voto de Flávio são um problema mais político do que eleitoral. Quem precisava de um sinal tênue para se afastar, conseguiu. Quem estava em dúvida em aderir à pré-candidatura do senador, continua em dúvida. O momento é da política, não da votação, que só acontecerá em outubro. Ainda estamos em maio.

Pitonisa

Antes mesmo das revelações envolvendo Flávio e Vorcaro, Gilberto Kassab (PSD), tido como um oráculo da política, disse a um interlocutor que a candidatura do filho de Jair Bolsonaro vai “derreter”. 

Cada um na sua…

Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) adotaram posturas diferentes ao tratar da relação Flávio-Vorcaro. Se o primeiro chegou chutando tudo, o ex-governador de Goiás decidiu pisar leve para não machucar ainda mais os corações bolsonaristas.

…mas com algo em comum

O objetivo de Zema e Caiado, porém, é o mesmo: se transformar em opção para os eleitores decepcionados com Flávio e que não aceitam mais quatro anos de Lula. A julgar pela pesquisa Atlas/Bloomberg, eles precisam é ficar atentos com Renan Santos (Missão), que está numericamente à frente de ambos.

Fonte

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