Cleitinho diz aguardar ‘sinal espiritual’ para definir candidatura em MG

O PL mineiro e o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) decidiram nesta terça-feira (12/5) formar uma aliança para dividir o mesmo palanque no estado, o que atrapalha as pretensões do atual governador Mateus Simões (PSD), sucessor de Romeu Zema (Novo) e candidato à reeleição.

O movimento ocorreu após um dia de reuniões a portas fechadas de integrantes do PL de Minas Gerais, algumas com a presença de Cleitinho, outras sem ele. De acordo com o próprio senador e parlamentares do PL envolvidos nas negociações, o partido de Flávio Bolsonaro (PL) vai apoiar Cleitinho na disputa pelo governo estadual, caso ele decida ser candidato. Caso contrário, apoiará um candidato do PL, provavelmente o empresário Flávio Roscoe.

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O impasse hoje está sobretudo em torno da indefinição da candidatura do próprio senador, que lidera as pesquisas de intenção de voto. Ao JOTA, ele disse que essa definição depende mais de uma questão “espiritual”, de algo que “toque o coração”.

“É mais espiritual. Não tem nada de coligação, não. Zero. Eu não deixarei de ser candidato, se tocar meu coração, caso o PL não me apoie. Vou continuar apoiando o Flávio. Tenho respeito, gratidão e carinho pelo Nikolas, pelo pessoal do PL. Tenho muitos amigos ali, mas não deixarei de ser candidato, caso eles não me apoiem. Não ficaria com raiva se eles lançassem candidato também, não”, afirmou o senador de Minas Gerais

Um aliado traduz: precisa de coragem para encarar a difícil situação das contas públicas do estado de Minas Gerais. Mas o PL pressiona para que ele defina logo se vai se candidatar, sob o risco de atrapalhar a formação da chapa — e, mais do que isso, o palanque mineiro de Flávio.

O senador já definiu que apoiará o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sendo ou não candidato. Mas, se disputar o governo, garantirá um palanque bem posicionado nas pesquisas no estado considerado decisivo na eleição nacional.

A decisão do PL e do Republicanos tem como consequência direta o esvaziamento do palanque de Mateus Simões, atual governador de Minas Gerais, que foi vice de Romeu Zema. Inicialmente, ele buscou costurar uma união da direita no estado, mas falhou diante da insistência de Zema em manter a candidatura ao Palácio do Planalto. Para o PL, não seria aceitável palanque duplo no estado.

Liderança nas pesquisas

Cleitinho aparece como favorito nas pesquisas de intenção de voto para o governo de Minas Gerais. Popular nas redes sociais, o senador tem um posicionamento mais independente, apesar de se definir como “bolsonarista”. “Acima de qualquer coisa, sou Jesus Cristo e o povo. Me alinho, sim, à questão bolsonarista. Eu vim pelo bolsonarismo também […] Primeiro Jesus Cristo, depois bolsonarista”, diz.

Apesar do posicionamento mais à direita, Cleitinho sustenta que possui alinhamento com pautas sociais, a exemplo da defesa da PEC que prevê o fim da escala 6×1, tema ao qual a ala mais bolsonarista se opõe. “Talvez eles tenham essa resistência. Eu, pelo que já passei, pela minha realidade de vida, pelo que já presenciei, já trabalhei nessa escala e defendo o fim dela, sim.”

O JOTA conversou com Cleitinho n terça-feira (12/5), após longas reuniões dele com integrantes do PL para discutir o futuro de sua candidatura ao governo mineiro. O partido do ex-presidente Jair Bolsonaro analisa uma possível candidatura própria em Minas Gerais, mas tem articulado o apoio de Cleitinho à candidatura do deputado Domingos Sávio (PL-MG) ao Senado Federal.

Em meio à costura política, o senador disse ao JOTA que sua chapa já está praticamente definida, com a escolha de Luís Eduardo Falcão (Republicanos), prefeito de Patos de Minas, como vice.

“Hoje, eu já teria o Falcão, que é o meu vice. Se for para a gente conversar, outras alternativas podem ser discutidas com o PL. A vice está meio definida com Falcão. Acho que o PL pode me apoiar de outra forma, comigo apoiando senadores dele”, reforçou Cleitinho.

O PL defende a indicação de Flávio Roscoe (PL), ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), para compor a chapa com Cleitinho. Caso não haja acordo nesse sentido, a posição do partido é compor uma chapa pura, com Roscoe como candidato a governador.

Polarização em Minas Gerais

Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil e é visto como estado decisivo nas disputas presidenciais. Com uma eleição polarizada em todo o país, o senador Cleitinho acredita que o eleitorado mineiro deverá se dividir entre os candidatos a presidente Lula (PT), Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Flávio, mas dará a vitória ao filho de Jair Bolsonaro em um eventual segundo turno.

Em meio à polarização, Cleitinho diz que não vê a política como um “combate à esquerda”, mas como a necessidade de acabar com a fome, a miséria e a corrupção. “Não tenho que combater a esquerda, eu tenho que combater a fome, a miséria, a corrupção. Esquerda ou direita sempre vai existir. Isso é democracia. Eu tenho que mostrar meu ponto de vista e dialogar com essas pessoas, mostrar que talvez a forma como eu faço política seja mais justa para chegar na população.”

Cleitinho reforçou que, caso ele e Lula sejam eleitos, pretende manter diálogo institucional com o petista. O mesmo deve ocorrer em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), mesmo após ele apoiar uma série de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.

“Vou chegar lá. Se eu virar governador, você tem que me atender. Não prejudica, não. Eu não vou pedir nada para mim. Vou pedir para o próprio estado”, defendeu.

Campanha em Minas Gerais

Para Cleitinho, caso decida ser candidato, a pauta social deverá ser destaque em sua campanha, com a apresentação de propostas voltadas a situações classificadas por ele como “injustas” para a população mineira.

Entre elas, defende o fim da apreensão de veículos por falta de pagamento de IPVA ou licenciamento e a extinção da taxa de tratamento de esgoto em cidades onde o serviço não é 100% efetivo.

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“Eu acho que dá para a gente dar uma notificação em vez de prender um veículo. Eu acho isso humilhação e quero tirar isso. ‘Ah, mas aí o cara não vai pagar IPVA.’ Quem for honesto vai pagar o IPVA. Às vezes, uma pessoa não paga naquele momento porque aconteceu alguma coisa na vida dela, porque ficou desempregada, mas o normal é a pessoa pagar”, acredita o senador.

No entanto, ele acredita que a receita do estado não será prejudicada com isso. Para ele, os cofres públicos deverão manter o equilíbrio fiscal por meio da redução de gastos na máquina pública e do estímulo à economia de consumo.

Com forte presença nas redes sociais e pautas sociais, Cleitinho tenta construir uma candidatura que dialogue com o eleitorado mineiro e alcance diferentes setores sociais de Minas Gerais.

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