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Ao determinar a prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e do advogado Daniel Lopes Monteiro, o ministro André Mendonça disse haver uma “altíssima capacidade de reorganização” da organização criminosa, mesmo após a deflagração das operações policiais. Segundo a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-presidente do BRB era peça essencial para viabilizar a aquisição das carteiras fraudulentas. Em contrapartida, ele teria acertado o recebimento como propina seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146.582.649,50, dos quais R$ 74.604.932,47 já teriam sido efetivamente pagos.
Já Daniel Lopes é apontado como operador jurídico-financeiro do esquema investigado, especialmente na formalização das operações entre Master, Tirreno e BRB e na ocultação do beneficiário real das aquisições imobiliárias. De acordo com as investigações, o advogado recebeu pelo menos R$ 86.167.189,30 pelo esquema fraudulento. Leia a íntegra da decisão de André Mendonça que determinou a prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.
Costa e Daniel Monteiro foram presos nesta quinta-feira (16/4) durante a 4ª Fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes no Banco Master.
Mensagens de WhatsApp interceptadas pela Polícia Federal trazem conversas entre Paulo Henrique Costa e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que indicam que, desde o início das operações, já se conheciam inconsistências relevantes nas carteiras ofertadas pelo Master. Apesar disso, as aquisições teriam sido aceleradas, com sucessivas flexibilizações procedimentais e pressão para liquidação rápida.
Ainda segundo as investigações, mesmo após a constatação, em junho de 2025, de que o BRB havia adquirido aproximadamente R$ 12,2 bilhões em carteiras falsas do Banco Master, a instituição teria persistido na parceria e seguido comprando novos ativos.
“Nessa perspectiva, destaco que os crimes investigados envolvem valores bilionários e têm impacto potencial no sistema financeiro nacional. Além disso, há fortes indícios da existência de bens de elevado valor adquiridos com recursos ilícitos. Trata-se de cenário que revela risco concreto de desaparecimento de recursos e bens necessários à recomposição dos danos decorrentes dos ilícitos sob apuração”, escreveu Mendonça para justificar as prisões.
De acordo com as investigações, para operacionalizar o pagamento e ocultar a titularidade real dos bens, teriam sido mobilizados fundos de investimento geridos pela Reag, bem como empresas de fachada, atribuídas formalmente a interpostas pessoas, entre elas o cunhado do advogado Daniel Monteiro.
Na decisão a que o JOTA teve acesso, Mendonça destaca os diálogos entre Vorcaro e Costa, em que eles negociam os imóveis em troca de negócios escusos no BRB. Leia as conversas:
Mensagem do ex-presidente do BRB para Vorcaro: “Amigo, Obrigado pela conversa de hoje. A cada passo o caminho está mais claro e estou mais empolgado com o que vamos construir. Além disso, dou muito valor ao alinhamento pessoal. E acho que estamos bem alinhados em relação ao trabalho, visão de mundo e perfil.
Estou trabalhando para lançar a operação amanhã ou, no mais tardar, na segunda-feira. O Governador me pediu que preparasse um material para a argumentação dele, porque vamos receber críticas.
Acredito que aquele desenho de CEO da holding financeira e/ou da empresa financeira consolidadora com participação no conselho do BRB e da empresa de private equity vai ser o mais funcional e que gera sinergia entre todas as empresas.
Se o Daniel puder fazer e enviar o contrato, seria ótimo. Conversei com a minha esposa e estaremos em SP na próxima semana. Seria legal mostrar o apartamento para ela. Assim, ela também vai se ambientando. Dia 01/03 está logo aí. Acabei de pousar em Salvador e estou trabalhando na Renogrid. Um forte abraço.”
Vorcaro responde: “Fala amigo, ótimo, também estou empolgado. Vou alinhar tudo com Daniel. Vou te passar uma pessoa que te mostrará o apto”.
Em outra troca de mensagens, há indícios, segundo a PGR, de que Paulo Henrique e Vorcaro ajustaram um valor milionário a título de propina e que referido montante precisaria corresponder a um dado número de imóveis luxuosos.
Paulo Henrique: “Fiz as contas para chegar no valor que combinamos. Dependendo dos valores finais, sairia o Casa Lafer, que está no contrapiso. Apagando algumas mensagens”.
Daniel Vorcaro: “Vc diz casa Leopoldo, né? Cobertura que vc foi. Pq o heritage melhor que o Lafer, não?”
Paulo Henrique: “Esse era enorme. A Cris nos levou no Casa Lafer, um apartamento tipo. Sim. Bem melhor. ”
Daniel Vorcaro: “E vamos ter os delas novos de agora.”
Em um terceiro diálogo, Paulo Henrique e Vorcaro também falam de imóveis e troca de carteiras entre os bancos:
Paulo Henrique: “Estive no outro hoje de manhã. A esposa ainda está meio cismada. Seria ótimo olhar outro para construir uma referência”.
Daniel Vorcaro: “Por quê?”
Paulo Henrique: “Hoje estava com a região toda fechada. Seria bom dar o parâmetro”.
Daniel Vorcaro: “Ah tá. Esse outro é uma cobertura. Já pensando trazer família.”
Paulo Henrique: “Eu venho na frente mesmo e elas vêm depois. Boa.“
Daniel Vorcaro: “Vale a pena ver”
Paulo Henrique: “Claro. Qual o empreendimento?”
Daniel Vorcaro: “Outra coisa, quando tiver um tempinho aí final de semana, veja se conseguimos falar. Esta semana estou com um gargalo de 300mm na quarta, queria bolar contigo o que acha que poderíamos conseguir fazer”.
Paulo Henrique: “Meu foco é nisso nessa semana. Já monto uma estrutura na segunda com a equipe. O que ainda temos de carteira varejo? E aí equilibro com PJ”.
Daniel Vorcaro: “Vou levantar aqui com minha turma. E te volto.”