Tarcísio troca Kassab por Nunes, Temer e Baleia na disputa pela reeleição

A filiação de Felício Ramuth ao MDB foi interpretada nos bastidores da política paulista e nacional como uma sinalização de qual será o jogo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) para além deste ano de 2026. A aliança preferencial do governador deixa de ser com o PSD e passa a ser com o partido do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes.

Se for mantido como vice-governador na chapa à reeleição de Tarcísio, Ramuth trocará o acordo que firmou com Gilberto Kassab para assumir, a partir de agora, um novo compromisso com Nunes. Em outros termos, o atual vice deixará de “esquentar a cadeira” para o presidente nacional do PSD para “esquentar” uma outra para o prefeito de São Paulo, a de governador do estado.

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Ou seja, se for reeleito junto com o governador neste ano, Ramuth deverá assumir o governo em 2030, quando, imagina-se, Tarcísio se desincompatibilizará para concorrer à Presidência ou ao Senado. A ideia, por ora, é de que ele seja um preposto do MDB, não dispute a reeleição e apoie Ricardo Nunes para o cargo.

Em retribuição, o MDB estará com Tarcísio no plano nacional, apoiando-o em seus projetos futuros. Assim, a transferência de Ramuth do PSD de Kassab para o MDB, presidido pelo deputado federal Baleia Rossi (SP), consolida uma aliança que foi vitoriosa na eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2024, quando governador e prefeito se aproximaram e uniram forças para derrotar Guilherme Boulos, o candidato de Lula (PT) na capital paulista.

Essa aliança também deve tornar Tarcísio menos refém da família Bolsonaro e de Valdemar Costa Neto, o presidente do PL. Com o apoio do MDB paulista e trabalhando para fortalecer o Republicanos no estado, o governador espera diminuir a influência do ex-presidente Jair Bolsonaro, seu padrinho político, na escolha de seu futuro. 

Mas e Kassab, que apostou todas as suas fichas em Tarcísio em 2022, como fica? O presidente do PSD tem reclamado a interlocutores que foi “abandonado” por Ramuth e por Tarcísio. Diz que os três fizeram um acordo antes da eleição de governador há quatro anos que incluía a substituição do vice, até então um pouco conhecido ex-prefeito de São José dos Campos, por ele próprio, Kassab, na chapa à reeleição.

Verdade ou não, o fato é que Ramuth se aproximou de Tarcísio e trocou de padrinho, firmando-se como “escolha pessoal do governador”. Agora, Kassab está em situação delicada e pouco propícia a movimentos arrojados. Sua base de deputados, prefeitos e vereadores em São Paulo não aceita caminhar com o PT de Lula e Fernando Haddad. Portanto, romper com o governador para apoiar os petistas não faz parte dos planos do PSD paulista neste momento. A menos que essa decisão seja motivada por vingança.

Resta a opção de lançar um candidato ao Palácio dos Bandeirantes, como o próprio Kassab, por exemplo, mas ela também esbarra nas bases do PSD no estado, hoje muito próxima do governador e que sonha estar em sua chapa para eleger um bom número de deputados estaduais e federais. Não por outro motivo, Kassab tem afirmado que continuará caminhando com Tarcísio neste ano em São Paulo.  

Ainda falta tempo até a confirmação da chapa à reeleição, mas tudo indica que Ramuth será mantido como vice, o que dará ao MDB uma condição relevante na política de São Paulo. Devagar, com paciência, Nunes, Baleia Rossi e o ex-presidente Michel Temer vão mexendo suas peças no estado, se preparando para o pós-Lula que começará em 2027 ou em 2030.

Se Ramuth vai ou não “esquentar a cadeira” para Nunes em 2030, é uma questão delicada, especialmente após a saída tumultuada do vice do PSD. Até lá, no entanto, Tarcísio e Nunes ganham mais tempo para construir uma alternativa política livre da dependência do bolsonarismo, que hoje deixa toda a direita refém do ex-presidente.

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Reforços

Tarcísio, que filiou o ex-governador Rodrigo Garcia ao Republicanos, acertou também a entrada do ex-deputado Vaz de Lima ao partido. Importante liderança no interior paulista, ele disputará uma vaga na Câmara federal neste ano com o objetivo de ser um dos articuladores do governador em Brasília.

Interior

A força de Ronaldo Caiado entre os agricultores paulistas pesou na escolha de Gilberto Kassab. O presidente do PSD avalia que seu pré-candidato a presidente ajudará a eleger uma bancada grande do partido em São Paulo. Caiado possui bom trânsito com os ruralistas e usineiros do estado desde 1989, quando concorreu ao Planalto pela primeira vez.

Cadeira vazia

Sem Eduardo Leite na disputa presidencial, o posto ocupado por Simone Tebet em 2022 permanece vago neste ano.

Fonte

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