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Já se sabe que nosso Sol nasceu há cerca de 4,6 bilhões anos e, na época, estava 10 mil anos-luz mais perto do centro galáctico do que é hoje. Mas, afinal, como nosso astro “migrou” para a região onde é encontrado atualmente? Para uma equipe de pesquisadores liderada por Daisuke Taniguchi, da Universidade Metropolitana de Tóquio, a resposta está em uma migração estelar em massa.
Os astrônomos já sabem que o centro da Via Láctea tem uma espécie de “barreira” formada pelo sentido de rotação das estrelas ali, que dificulta que as estrelas cheguem tão longe do centro. Assim, para descobrir, Taniguchi e seus colegas precisaram de um verdadeiro trabalho de arqueologia galáctica — assim como os arqueólogos na Terra estudam o passado dos humanos, eles investigaram a jornada das estrelas e galáxias.
Para isso, eles trabalharam com estrelas que são como “gêmeas” do nosso Sol e usaram dados da missão Gaia, da Agência Espacial Europeia. Assim, conseguiram uma lista de mais de 6,5 mil estrelas, quantidade cerca de 30 vezes maior que aquela de levantamentos anteriores. Além de vasto, o levantamento revelou algumas informações: eles perceberam que a quantidade de estrelas com 4 a 6 bilhões de anos (ou seja, com idade como a do Sol) tinha distância semelhante em relação ao centro da galáxia.
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Em outras palavras, nosso Sol não está na posição atual por acaso, mas sim como resultado de uma grande migração estelar. Como mencionamos, a região central da Via Láctea tem uma espécie de barreira de estrelas, que impediria o fenômeno — mas isso muda se as estrelas ainda estivessem em formação, já que o gás que alimentou a formação estelar também poderia ejetá-las para longe dali. E é aqui que entram as idades das estrelas irmãs do Sol, que mostram quando a “fuga em massa” aconteceu e o período em que a barra foi formada.

Além disso, é importante lembrar que o coração da Via Láctea é um ambiente nada hospitaleiro para a evolução da vida — afinal, a radiação ali é extrema e a instabilidade gravitacional é constante. Portanto, a descoberta mostra como nosso Sistema Solar e, claro, a Terra, surgiram em uma região da galáxia mais gentil para o desenvolvimento de organismos.
“Acredita-se que as regiões internas da Via Láctea sejam ambientes mais hostis à vida, com eventos energéticos, (como explosões de supernovas), ocorrendo com mais frequência”, disse Taniguchi. Se o Sol migrou para fora relativamente logo após seu nascimento, “o Sistema Solar pode ter passado a maior parte de sua história no disco externo mais tranquilo. Em outras palavras, o Sol pode não ter chegado a um ambiente favorável à vida por mero acaso, mas sim como consequência da formação da barra galáctica”, explicou Taniguchi.
As descobertas do estudo foram publicadas em dois artigos na revista Astronomy & Astrophysics.
Leia a matéria no Canaltech.