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Um grupo de alunos do curso de engenharia da computação do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) apresentou, nesta quarta-feira (11), a proposta de um jogo brasileiro inspirado no Caso Epstein.
A experiência se chama “A Fuga de Sid” e mostra uma personagem de 15 anos que é sequestrada e levada para uma ilha distante. No local, ela precisa fugir de seis homens. Cada um deles tem uma preferência, que deve ser usada para obter acesso ao barco e gasolina para escapar do lugar.
O projeto causou uma grande polêmica, já que todos os jovens envolvidos eram do sexo masculino e usaram diversas referências a Jeffrey Epstein em aula e em discussões em grupos no WhatsApp. O problema identificado foi “gamificar” traumas reais e sistêmicos, que provocam dor nas vítimas.
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O magnata é conhecido por comandar um esquema de exploração sexual de meninas menores de idade, que envolvia diversas personalidades — da política ao entretenimento. A investigação apontava que ele atraía as adolescentes, em sua maioria de 14 a 17 anos, para a sua ilha.

Preso em 2019 por tráfico sexual de menores, ele faleceu no cárcere enquanto aguardava pelo julgamento. Com e-mails vazados em janeiro de 2026, agora as autoridades buscam entre os nomes dos envolvidos quem se beneficiou das atividades criminosas e cometeu abusos.
Apesar da apresentação de “A Fuga de Sid”, o projeto é apenas um conceito e pode nunca virar um jogo de fato. O nome e idade dos estudantes do curso de engenharia da computação não foram divulgados.
Após a polêmica apresentação e os diversos debates com alunas do sexo feminino em apps, o instituto de São José dos Campos, em São Paulo, se manifestou oficialmente sobre o ocorrido ao G1.
Vinculado à Força Aérea Brasileira, o estabelecimento de ensino afirmou que a apresentação envolvia apenas propostas iniciais de temas para o desenvolvimento de jogos que ocorreriam ao longo do bimestre. No entanto, ela não seguirá adiante e foi classificada como inapropriada.
“Em relação ao tema específico mencionado na reportagem, a proposta foi imediatamente descartada por ter sido identificada como assunto inapropriado. O ITA destaca que o caso está sendo tratado de forma célere e responsável, dentro das normas vigentes da instituição. Ações de conscientização serão reforçadas junto à comunidade discente por meio do Grupo de Trabalho de Equidade de Gênero e demais órgãos da estrutura administrativa e acadêmica do Instituto”, reforça a instituição.
O Instituto Tecnológico de Aeronáutica também aponta que a prioridade é reforçar os valores que já trabalham, com aspectos que ajudarão no crescimento saudável de todos os jovens envolvidos — sejam os alunos que criaram o conceito ou os que estavam dentro do debate.
“O ITA reafirma seu compromisso com a formação técnica e ética de seus estudantes e com a promoção de um ambiente acadêmico seguro, pautado pelo respeito, pela responsabilidade e pela integridade”, conclui.
Em mensagens trocadas pelo WhatsApp, um dos jovens que participou do projeto tentou esclarecer aos demais como chegaram ao conceito apresentado.
“[…] não pensamos na conexão que isso tinha com a realidade”, revelou o estudante.
Leia a matéria no Canaltech.