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Atividades climáticas extremas no espaço ameaçam cada vez mais a operação de satélites, estações espaciais, o setor da aviação e as telecomunicações na Terra. Um dos eventos climáticos mais comuns na região entre o Sol e o nosso planeta são as ejeções de massa coronal, e pesquisadores estão desenvolvendo uma nave com vela solar para monitorar esses fenômenos.
Esse tipo de evento consiste em grandes quantidades de campos magnéticos e partículas carregadas que se originam no Sol. Elas viajam a até 2 mil km/s e podem causar tempestades geomagnéticas, responsáveis pelas famosas auroras boreais — mas que também são capazes de danificar sistemas terrestres e estruturas localizadas na órbita da Terra.
Para prever essas atividades extremas, os serviços meteorológicos espaciais dependem quase exclusivamente de satélites que monitoram o vento solar. Esses satélites estão posicionados no ponto de Lagrange L1, uma região do espaço a cerca de 1,5 milhão de quilômetros da Terra, onde as forças gravitacionais do Sol e do nosso planeta se equilibram.
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O problema é que essa distância permite que os alertas sobre o clima espacial sejam emitidos com apenas 40 minutos de antecedência.
Com o desenvolvimento de uma constelação de satélites chamada Fronteira da Investigação do Clima Espacial (Space Weather Investigation Frontier, ou SWIFT, na sigla em inglês), esse tipo de previsão deve ser otimizado.

O objetivo da SWIFT é posicionar a constelação de satélites além do ponto L1, a cerca de 2,1 milhões de quilômetros da Terra. A essa distância, os cientistas esperam conseguir emitir alertas sobre eventos climáticos espaciais com aproximadamente 60 minutos de antecedência.
O SWIFT vai usar um sistema de propulsão sem combustível, chamado vela solar — movido pela luz do Sol —, para alcançar a altitude necessária e operar por mais de uma década no espaço.
“Uma vela solar é uma superfície refletora fina como um fio de cabelo — simulando um espelho muito fino — que se estende por cerca de um terço da área de um campo de futebol. Ela é capaz de equilibrar a força das partículas de luz vindas do Sol, que a empurram para longe, com a gravidade do Sol, que a puxa para dentro”, explica Mojtaba Akhavan-Tafti, pesquisador da Universidade de Michigan e cientista-chefe da SWIFT.
Esse sistema aproveita o impulso dos fótons da luz solar, refletidos em sua vela brilhante, para impulsionar a nave pelo espaço. A transferência de energia a partir da superfície refletora é explorada para gerar movimento, sem depender de propulsores convencionais.

A SWIFT será equipada com uma vela solar de 1.653 m². A título de comparação, a primeira vela solar lançada pela NASA — a NanoSail-D2 — tinha apenas 10 m², enquanto o sistema lançado pela Agência Espacial Japonesa (JAXA), no projeto IKAROS, media 196 m².
A previsão é que a missão Solar Cruiser, que levará a SWIFT ao espaço, aconteça já em 2029. A constelação contará com quatro satélites: um deles, com propulsão por vela solar, será posicionado além do ponto L1, e os outros três, menores, terão propulsão química e orbitarão a região do ponto L1.
“Cada um dos quatro satélites poderá observar o vento solar a partir de diferentes posições, ajudando os cientistas a prever melhor como ele pode evoluir antes de atingir a Terra”, destaca Akhavan-Tafti.
“Com a vida moderna cada vez mais dependente da infraestrutura espacial, continuar investindo na previsão do clima espacial pode proteger tanto tecnologias em órbita quanto sistemas aqui na Terra”, complementa o cientista da Universidade de Michigan.
VÍDEO | OS TELESCÓPIOS MAIS INCRÍVEIS DO ESPAÇO
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