Tela do celular quebrou, mas funciona: é perigoso continuar usando?

Tela do celular quebrou, mas funciona: é perigoso continuar usando? – Canaltech

O susto de deixar o celular cair com a tela virada para baixo já acelerou o coração de muitas pessoas. Contudo, nem sempre uma tela rachada impede o funcionamento do aparelho, o que leva alguns usuários a continuar utilizando o dispositivo. Mas será que é seguro seguir usando o smartphone nessas condições?

Essa dúvida é comum, especialmente devido ao custo elevado do reparo do display, que pode levar o usuário a adiar o conserto. Mas essa atitude pode fazer com que aquele pequeno trinco no canto do painel se transforme em algo maior, afetando outros componentes e até a segurança do usuário.

Ameaças invisíveis da tela trincada

O perigo mais imediato de seguir utilizando um celular com a tela quebrada está na segurança do usuário. O contato direto da pele com o display danificado pode causar cortes nas mãos, no rosto e até mesmo nos olhos durante o uso diário.


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De acordo com Rodrigo Villela, especialista em Desenvolvimento de Hardware do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), esse perigo físico existe mesmo quando o dano parece superficial e o aparelho segue funcionando.

“Ainda que a tela pareça intacta, microfissuras podem deixar bordas ou pontas afiadas expostas. Com isso, podem ocorrer cortes nos dedos, rosto e orelha, com possibilidade de penetração superficial na pele”, ressalta Villela em entrevista ao Canaltech.

O engenheiro eletricista também alerta para o hábito de aplicar uma nova película sobre a tela trincada para conter os cacos. Segundo ele, o display nessa situação já perdeu sua integridade estrutural após o impacto, e essa solução é apenas temporária, além de não ser recomendada.

“Cada toque que o usuário dá na película distribui a força de forma irregular, atuando como uma alavanca que aprofunda as rachaduras originais em direção às camadas internas sensíveis do display”, explica o especialista.

Celular com a tela trincada
Uso do celular com a tela trincada pode resultar em cortes nos dedos, rosto e orelha (Imagem gerada pelo Gemini)

Comprometimento da vedação interna

Outro detalhe que merece atenção imediata é a perda da proteção contra água e poeira. Aparelhos modernos geralmente contam com certificações como IP67 ou IP68, e uma rachadura no display pode comprometer essa vedação de fábrica.

Esse dano pode permitir que a umidade entre no dispositivo em situações cotidianas, como o contato com vapor d’água no banheiro, o suor das mãos ou a exposição do smartphone à chuva leve.

“Nesses casos, a água, o suor ou a umidade podem atingir os componentes internos, causar oxidação das placas e gerar danos irreversíveis ao funcionamento do smartphone”, destaca Villela.

Manchas escuras e “toques fantasmas”

A pressão contínua dos dedos sobre a área trincada também tem potencial para agravar o cenário ao longo do tempo. No caso das telas LCD, por exemplo, a combinação da rachadura com o uso contínuo pode romper a fina camada de cristal líquido entre substratos de vidro.

Esse processo provoca o vazamento do material que compõe o display, gerando as conhecidas manchas escuras que atrapalham a utilização do celular.

“Já nas telas OLED, não há cristal líquido. Cada pixel é formado por um diodo orgânico emissor de luz. Quando a estrutura do painel é danificada, as microtrilhas responsáveis pela conexão entre os pixels podem se romper, apagando áreas inteiras da tela e causando falhas, além do surgimento de manchas escuras”, detalha o engenheiro.

Esse problema também pode resultar no aparecimento dos chamados “toques fantasmas”. Trata-se de comandos involuntários que fazem com que o usuário realize ações sem intenção no aparelho, como apagar arquivos importantes ou abrir aplicativos sem querer.

Celular com a tela trincada
Tela trincada pode dar origem aos “toques fantasmas” no celular (Imagem: Lui Vlad/Pexels)

O que fazer após quebrar a tela do celular

Se a tela do celular trincou e o aparelho continua funcionando, a principal recomendação é evitar adiar o reparo por muito tempo. Essa orientação se deve ao fato de que os danos tendem a se agravar com o uso contínuo do dispositivo.

Enquanto o celular não for levado à assistência técnica, também é indicado fazer um backup dos dados para que fotos, contatos, documentos e conversas não corram o risco de ser perdidos caso o smartphone deixe de responder repentinamente.

“Também é importante evitar deslizar os dedos diretamente sobre as áreas quebradas, tanto para não se machucar quanto para não pressionar ainda mais o display”, orienta o especialista.

Depois da adoção dessas medidas preventivas iniciais, o ideal é procurar uma assistência técnica para avaliar a situação do aparelho e realizar o reparo adequado.

Caso seu celular tenha parado de funcionar definitivamente, você pode seguir este passo a passo para não perder nada e minimizar os danos.

Leia a matéria no Canaltech.

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