Pais “infantilizados” e filhos “adultizados”: o paradoxo das redes sociais

Pais “infantilizados” e filhos “adultizados”: o paradoxo das redes sociais – Canaltech

A restrição ao uso de redes sociais por adolescentes é um debate global motivado por preocupações com o desenvolvimento comportamental e a integridade psicológica dos jovens. Em entrevista ao Podcast Canaltech desta terça-feira (30), Luiza Sassi, diretora-geral do Instituto GayLussac, discutiu os impactos da ausência de regulação nos ambientes digitais frequentados por menores.

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Para a especialista, “existe toda uma geração que foi formada e educada também pelas redes sociais“, o que tem gerado impactos profundos na saúde mental e na formação de caráter.


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Impacto do smartphone na socialização escolar

O Instituto GayLussac adotou políticas de restrição aos aparelhos celulares em 2005. A diretora explica que a decisão pedagógica partiu de um princípio claro: “A escola e o educador nunca podem ser ingênuos”.

Contudo, em outubro de 2021, no retorno pós-pandemia, a gestão observou estudantes compartilhando a mesma mesa no intervalo, mas comunicando-se exclusivamente por aplicativos. O episódio motivou a suspensão completa dos dispositivos em todos os espaços da instituição a partir do ano letivo de 2022.

A transição ocorreu com o apoio das famílias e sem resistência dos alunos, que passaram a ocupar os períodos de recreio com conversas presenciais e jogos.

Sassi destaca que leis e proibições restritas ao ambiente escolar possuem alcance limitado diante da jornada diária dos jovens fora da escola. Segundo a educadora, “o efeito disso é muito pequeno diante do tempo que sobra para ele [estudante] ficar no celular”.

Riscos ao desenvolvimento e mediação familiar

Sassi aponta que a idade mínima recomendada para o primeiro contato com redes sociais deve ser de 14 anos. A especialista adverte que os mecanismos de controle parental vigentes mostram-se insuficientes. “A verdade é que esses pais não tiveram uma educação digital. Então, eles facilmente perdem essa noção”, explicou a diretora.

A exposição precoce interfere diretamente na capacidade cognitiva e na empatia das crianças. Relatórios práticos da instituição indicam que manifestações de hostilidade e isolamento social têm surgido em faixas etárias precoces devido ao consumo de conteúdos inadequados. Entre adolescentes, o ambiente digital correlaciona-se com o aumento de pressões estéticas comparativas e quadros de ansiedade.

A reversão desses indicadores exige que os responsáveis assumam o papel de mediadores firmes. Sassi finaliza apontando a necessidade de um posicionamento mais claro por parte das famílias: “Os pais precisam ser adultos. Porque tem sido muito comum a gente dizer que as redes sociais, a tecnologia, tem feito uma adultização das crianças. Por outro lado, eu também observo uma infantilização dos pais“.

Leia a matéria no Canaltech.

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