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O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou nesta quinta-feira (23), por unanimidade, a abertura de um processo administrativo contra o Google.
A investigação terá como foco o uso de conteúdos jornalísticos pelas plataformas da empresa, sem remuneração aos veículos de comunicação. Especialmente por meio do AI Overviews, seu recurso de resumos por inteligência artificial. É a primeira vez que uma Big Tech enfrenta uma investigação desse tipo no país.
A votação foi 5 a 0. O caso está relacionado a um possível “abuso exploratório de posição dominante”, expressão usada no processo para descrever como o Google extrairia valor econômico do jornalismo sem oferecer contrapartida proporcional.
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O inquérito original foi aberto em 2019 para apurar práticas de coleta automatizada de títulos, trechos de textos e imagens de sites noticiosos sem remuneração aos autores. Em 2024, o processo foi arquivado por ausência de indícios suficientes. A Associação Nacional de Jornais (ANJ), junto à Abert, Aner, Ajor e Repórteres Sem Fronteiras, pressionou pela reabertura, que ocorreu em 2025.
O retorno do caso à pauta ganhou novo contorno com a expansão do AI Overviews, lançado pelo Google em maio de 2024. O recurso gera resumos diretamente nos resultados de busca, sintetizando informações de sites sem que o usuário precise acessá-los.

O presidente interino do tribunal, Diogo Thomson de Andrade, argumentou que o modelo de negócios do Google evoluiu significativamente desde o início do inquérito. Na tese vencedora, ele destacou que a IA generativa permite à plataforma reter o usuário na própria interface de busca, reduzindo o tráfego para os sites de origem, e, com ele, a receita dos veículos.
A conselheira Camila Cabral Pires-Alves, que apresentou voto-vista, foi além. Em seu voto, ela argumentou que o problema central não é apenas a perda de audiência, mas a apropriação de valor informativo pelo Google sem reconhecimento proporcional aos produtores do conteúdo.
Segundo ela, quando um resumo de IA responde completamente a uma consulta do usuário, a plataforma retém a atenção, internaliza a utilidade da informação e reduz a possibilidade de o veículo original capturar esse valor.
Pires-Alves também sugeriu que a nova fase da investigação colete dados detalhados sobre buscas “zero-click” — quando o usuário lê o resumo e não clica em nenhum link. Além disso, o Cade deverá comparar o valor retido pelo Google com publicidade digital em relação aos custos editoriais dos veículos para produzir as notícias que alimentam esses resumos.
A ANJ classificou a decisão como um marco histórico.
Já o Google, em nota, contestou a decisão. A empresa afirmou que o entendimento do Cade reflete uma compreensão equivocada sobre o funcionamento de seus produtos e disse que a IA foi projetada para exibir links de uma ampla variedade de fontes. O Google acrescentou que seguirá dialogando com o órgão.
O processo retorna agora à Superintendência Geral do Cade para aprofundamento das investigações.
Leia a matéria no Canaltech.