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Os novos episódios de Avatar: O Último Mestre do Ar chegaram à Netflix e mostraram que a plataforma de streaming leva a sério recontar a história de Aang e seus amigos, após 20 anos desde a exibição da obra original.
Deste modo, eles se distanciam um pouco mais do desenho animado para contar a saga do jovem herói à sua própria maneira. Isso não é necessariamente ruim, mas um pouco diferente do que todos esperavam.
Dá para notar um esforço, quase hercúleo, para mostrar o quanto respeitam a antiga animação e a base de fãs que construíram. Ainda assim, a Netflix segue por uma linha muito tênue entre isso e a palavra “adaptação” que já precisava ter sido decidida antes.
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Quer saber o que esperar da Temporada 2 de Avatar: O Último Mestre do Ar? Veja como a série pega alguns aspectos do que foi construído pela Nickelodeon nos anos 2000 para trazer a sua própria visão deste mundo:
Prós
Contras
Muita gente não gostou da proposta da primeira temporada do seriado, que mostrava a história de Aang, Katara e Sokka por uma perspectiva similar à original, mas com diferenças pontuais que saíam da linha estabelecida no passado.
Esse “elefante na sala” fica ainda maior em Avatar: O Último Mestre do Ar. Tem uma característica minúscula na produção que merece ser debatida antes de qualquer coisa: ela não foi feita com a mesma intenção que existia há mais de 20 anos.
Quando vimos Avatar: A Lenda de Aang, é importante lembrar que a animação abraçava crianças, jovens e adultos em suas tramas. Em contrapartida, a série da Netflix não mira nos pequenos e deixa bem claro que ela é direcionada a jovens e adultos.
O que isso muda? Basicamente tudo, caros leitores. O foco da produção mais recente é trazer uma saga mais madura, com menos “gracinhas” e “inocência”, mas sim com uma imersão maior em dilemas, escolhas e responsabilidade. Ser um Avatar tem peso e eles não se esquivam disso nem por um instante.
Na Temporada 2, essa sensação se intensifica. Vemos mais os horrores da guerra, mas não para ver uma piada ou um comentário besta do Sokka poucos segundos depois. Ali tudo tem uma camada de “sujeira”, de que o mundo não vai poupar qualquer um deles no menor deslize.
“Como fã do original, admiro a coragem de trazer a guerra para o centro de tudo, assim como suas consequências”, Diego Corumba.
É justamente nesta parte que a adaptação se distancia. Diria até que isso é positivo, já que traz outros tipos de abordagens para o mundo e seus personagens. O desenho também possuía, mas o apelo do live-action é mostrar como esses horrores nos impactam.
Avatar: O Último Mestre do Ar tenta contar uma história madura de Aang, que literalmente vê o mundo devastado ao seu redor e o peso da responsabilidade sob suas costas. O drama de Katara e Sokka por terem perdido sua mãe nesta guerra, Zuko e sua relação familiar complexa e outros são intensificados aqui.

Claro que o seriado perde muito por cortar em definitivo este fator infantil, mas a história não fica pior por conta disso. Os eventos, reações e toda a jornada contra a Nação do Fogo ganha uma camada a mais que é muito bem-vinda. Apesar de a própria Netflix não dizer isso de forma expressa, é notável nos episódios.
A jornada de Aang leva o jovem e seu grupo para o Reino da Terra, onde precisam encontrar alguém que possa ensiná-lo a dobrar o elemento. Ele já domina o ar e a água, agora faltam os outros dois que permitirão enfrentar Ozai — o poderoso Senhor do Fogo.
O local está muito bem representado, principalmente a cidade de Ba Sing Se. Envolta de muros que não apenas protegem o Rei, como também escondem vários segredos, a sensação de sufocamento que ela traz é perceptível e muito “visível”.
“Desde o momento que eles pisam lá, você já entende que há segredos terríveis e nem mesmo conhecer a obra antiga tira a sensação de que há mais coisas escondidas do que a tela mostra”, Diego Corumba.
Em torno disso tudo, é apresentada a personagem Toph, interpretada por Miya Cech. Uma guerreira nata e com uma personalidade rochosa, a criança vai cativar os fãs logo de cara. Ela é a definição perfeita de que ter uma deficiência física não faz de ninguém uma pessoa “fraca” e “delicada”.

Porém, o destaque de atuação é para Ian Ousley, que vive o personagem Sokka. Na Temporada 2 de Avatar: O Último Mestre do Ar ele dá um show ao trazer todo o lado bem-humorado, estratégico, mulherengo e sério sempre que é exigido. Se o personagem no desenho irrita, aqui ele provoca o efeito contrário.
Também é importante adicionar que Kiawentiio e Dallas Liu, respectivamente Katara e Zuko, surpreendem. Ambos se saem muito bem ao revelar os horrores de Ba Sing Se e atuam como se fossem “super-heróis” para o povo, mostrando um lado inédito de toda esta guerra.
A atuação de qualidade e a adição de elementos para a série enriqueceram bastante a construção deste mundo, o que ajuda a estabelecer a obra produzida pela Netflix à parte do que já conhecemos e amamos. Não há uma “cópia” do desenho, só um ponto de vista diferente do que já foi visto no passado.
Se em Avatar: O Último Mestre do Ar aprendemos que o equilíbrio é atingido quando o fogo, água, terra e ar convivem em harmonia, alguns deslizes tiram todo o potencial que a série podia atingir. O principal é justamente a ausência de “cores” na obra, em geral.
É compreensível que desejem trazer uma seriedade maior para a trama, um aspecto realista, mas nem sempre o resultado é alcançado e este é um destes casos. Soa-me uma “Marvelização” da obra, com trajes mais próximos do que seriam na vida real, mas que perdem o apelo que cada personagem tem.
Outra característica que vai tirar muitos fãs da imersão é o crescimento de Gordon Cormier. Eu consigo enxergá-lo como Aang, mas na segunda temporada é perceptível que sua adolescência chegou e ele não é mais uma criança de 10 anos.
Se em Stranger Things isso já soa estranho, com bonés, bicicletas e penteados em um grupo de marmanjos, aqui é removida uma boa parte da crença quando vemos um jovem com roupas fantasiosas e em momentos que tem de agir com certa “birra”. Na tela não ficou legal.
Por fim, muitos dos cortes de Avatar: O Último Mestre do Ar incomodam. A Netflix passou a faca em muita coisa que poderia trazer uma profundidade maior à obra — como a presença das toupeiras texugos, do guru Pathik e até mesmo o treinamento avançado de Aang com a água e a terra sumiram de repente.
É impossível não comparar com o material original quando vemos elementos de duas partes completamente distintas também misturadas em uma só, para fazer caber no episódio. O mais sentido foi na biblioteca de Wan Shi Tong — que pode ter o mesmo desfecho, mas deixa de lado coisas importantíssimas.
A crítica serve para falar do que tem, não do que não está ali, mas se você é fã de longa data sentirá um remendo muito do mal colado ali e é impossível de ignorar. Novatos poderão se sentir maravilhados, mas existe uma diferença gritante entre adaptar e literalmente cortar coisas, o que é visto na Temporada 2.
Os sete episódios tentam, com muito esforço, contar uma história única dentro do mundo de Avatar, mas o resultado pode ser visto de uma forma mista. Há muita coisa boa ali, principalmente para quem busca uma visão mais “adulta” sobre a jornada de Aang. Contudo, isso não exclui as falhas que existem.
Ao explorar mais os detalhes e sujeira da guerra, a Netflix acertou muito com Avatar: O Último Mestre do Ar nos novos capítulos. O aumento da participação de Sokka, as subtramas de Katara e Zuko e a entrada de Toph foram até melhores do que eu esperava — a Azula de Elizabeth Yu também merece a sua atenção.
Porém, a sensação que tenho é que os vi jogarem vários elementos da franquia em um liquidificador e despejarem em alguns dos episódios. Não seguir a obra original tudo bem, mas misturar a ponto de desvirtuar não cai bem e esvazia partes de cada uma que poderiam enriquecer ainda mais a série atual.
Caso seja um fã antigo, há coisas bacanas para se ver e absorver nesta nova versão. No entanto, é bom já ter ciência que nem tudo estará da forma como espera e quer (para o bem e para o mal). Se é um novato, pode assistir sem medo, mas recomendaria dar play no original depois para entender melhor como tudo foi concebido. A partir disso, pode concluir sua preferência.
Se vai começar a ver agora Avatar, veja quem são os personagens importantes da 2ª temporada
Leia a matéria no Canaltech.

