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Muito antes dos notebooks, das linhas coloridas no Visual Studio Code e do “Hello, World!”, alguém já imaginava máquinas resolvendo problemas por meio de instruções. Essa pessoa era Ada Lovelace, que em meados do século XIX plantou a semente do que viria a ser a programação moderna.
Em 1843, Augusta Ada King, Condessa de Lovelace, escreveu o primeiro algoritmo da história, criado para ser executado em uma máquina que ainda não existia: o Analytical Engine, idealizado por Charles Babbage.
O programa tinha um objetivo bem definido — calcular números de Bernoulli — mas o que realmente chamou atenção foi o conceito por trás da ideia. Ada percebeu que uma máquina poderia ir além de cálculos simples e resolver problemas complexos seguindo uma sequência lógica de instruções.
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Essa visão, quase um século antes dos computadores eletrônicos, transformou Ada Lovelace na primeira programadora do mundo — mesmo sem nunca ter visto seu código funcionar de fato.
Com o avanço da computação nas décadas de 1940 e 1950, surgiram as primeiras tentativas reais de traduzir ideias em comandos compreensíveis por máquinas.
Criada entre 1942 e 1945 pelo engenheiro alemão Konrad Zuse, o Plankalkül foi a primeira linguagem de programação de alto nível. Zuse desenvolveu o conceito enquanto construía seus próprios computadores, as máquinas Z, durante a Segunda Guerra Mundial. Apesar de inovadora, a linguagem não chegou a ser usada comercialmente na época — mas antecipou estruturas que hoje são comuns, como variáveis, loops e funções.
Mais de uma década depois, veio a virada comercial. A IBM lançou o FORTRAN (FORmula TRANslation), criado por John Backus e sua equipe.
O FORTRAN foi o primeiro sucesso de massa entre linguagens de alto nível, projetado para cálculos científicos e de engenharia.
Seu impacto foi tão grande que muitas de suas versões ainda são utilizadas hoje em supercomputadores e laboratórios de pesquisa.
Nos primórdios da computação, programar era uma tarefa quase artesanal.
Era o nível mais básico de programação, composto apenas por sequências de uns e zeros. Cada bit correspondia a uma instrução direta para o processador. Rápida, porém exaustiva e propensa a erros — qualquer deslize podia inutilizar todo o código.

Para facilitar a vida dos programadores, surgiu o Assembly, que trocava os números binários por instruções abreviadas, chamadas mnemônicos (como MOV, ADD, JMP). Ainda assim, o programador precisava entender como o hardware funcionava — uma tarefa que exigia mais engenheiro do que cientista da computação.
Três anos depois, o Autocode entrou para a história como a primeira linguagem compilada: o código escrito por humanos podia ser traduzido automaticamente para linguagem de máquina. Esse salto abriu caminho para o que conhecemos hoje como compiladores, permitindo criar programas complexos sem precisar pensar em bits.
Entre 1843 e 1957, o mundo viu a transição da ideia de “máquinas matemáticas” para o conceito de linguagens de programação estruturadas — ferramentas que transformaram o raciocínio humano em instruções lógicas compreendidas por máquinas.
De Ada Lovelace e seu algoritmo visionário ao FORTRAN e sua aplicação comercial, a história da programação é, na prática, a história da criatividade humana traduzida em código.
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