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A água bateu no pescoço do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que decidiu, nas últimas semanas, acelerar a implementação de uma série de medidas com o objetivo de recuperar a popularidade perdida.
No gesto mais recente, o Ministério dos Transportes decidiu nesta terça-feira (28/4) suspender 3,4 milhões de multas aplicadas no sistema de pedágio eletrônico nas rodovias brasileiras, os chamados “free flow”. Dias antes, a contragosto dos técnicos da própria pasta, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, havia anunciado a redução das alíquotas de PIS/Cofins sobre a gasolina, assim como já havia feito com o diesel. O próximo alvo deve ser a taxa das blusinhas, também contrariando o que defende a equipe econômica.
O movimento ocorre em um contexto delicado para o presidente. Não tanto pelo crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas de intenção de voto – dado relevante, porém secundário neste momento do ano eleitoral –, mas pela dificuldade do petista de alavancar a própria aprovação e a de seu governo. Em todos os levantamentos, o saldo é negativo para Lula, que tem enorme rejeição, equivalente à do rival.
Até recentemente, integrantes do Palácio do Planalto e da coordenação da pré-campanha petista imaginavam que, a essa altura, Lula estaria em posição mais tranquila. A isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, aprovada no ano passado, chegou a ser considerada praticamente um passaporte para o quarto mandato. Somada ao Gás do Povo, vislumbrava-se até mesmo uma vitória com margem maior do que a de 2022, contra Jair Bolsonaro.
Mas as medidas não surtiram o efeito previsto, e o que se prevê agora é uma eleição talvez até mais apertada do que a de quatro anos atrás. Na época, Lula derrotou o pai de Flávio com uma margem pouco acima dos 2 milhões de votos, em um universo de 118,5 milhões.
O que vem se cristalizando no Palácio do Planalto é a visão de que o problema muito provavelmente está na imagem do próprio presidente. Há um cansaço entre o eleitorado em relação ao líder político que protagoniza eleições desde 1989, quando o país consolidou seu processo de redemocratização.
Isso cria um paradoxo: Lula continua sendo o principal ativo político da esquerda, ao mesmo tempo em que se tornou um ônus para o crescimento de seu campo. Nenhum político hoje tem tantos votos quanto ele, mas tampouco existe alguém no Brasil com rejeição maior, exceto talvez Jair Bolsonaro.
Diante desse quadro, qualquer voto conta e pode fazer a diferença em outubro. Daí a gama tão variada de medidas, que vai das compras na Shopee às bombas de combustível, da folha de pagamentos aos pedágios nas rodovias.
O fim da taxa das blusinhas está longe de ser unanimidade dentro do governo. A queda de braço entre a ala política e a equipe econômica continua. Mas, com o movimento da oposição no Congresso de apresentar um requerimento de urgência para derrubar o imposto, aumentam as chances de o Executivo editar uma medida provisória com essa finalidade.
Pesquisas mostram que a taxa implementada para proteger o comércio nacional é considerada a medida mais impopular do atual governo. Entregar à direita a paternidade da derrubada da taxa seria mais um duro golpe para a expectativa de permanência de Lula no poder.