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A chegada do inverno e de frentes frias intensas faz com que as pessoas busquem alternativas para aquecer os cômodos da casa. E uma dúvida que pode surgir entre quem tem ar-condicionado em casa é: aumentar a temperatura configurada no aparelho “só frio” ajuda a aquecer o quarto para uma noite de sono confortável?
Esse debate ganhou força nas redes sociais após uma postagem feita pelo streamer Danny Jones no X (antigo Twitter). No post em questão, o usuário questiona se o ar-condicionado “vira um aquecedor” caso a temperatura ambiente seja de 11 °C e o equipamento seja configurado para 23 °C.
A resposta para o questionamento é não, especialmente se o aparelho em questão não tiver a função quente/frio. Ainda assim, trata-se de uma dúvida comum, que tem uma explicação detalhada por trás.
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“As pessoas às vezes configuram uma máquina só fria para aquecer, achando que ela vai esquentar. Mas um aparelho só frio nunca vai aquecer. Ele precisa da válvula reversora, que é quem vai determinar se o ciclo vai rodar no frio ou no quente”, explica Rodrigo Men, presidente do Departamento Nacional de Instalação e Manutenção (DNIM) da Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento (ABRAVA).

Esse pensamento dos consumidores tem como base principalmente o número exibido no visor do ar-condicionado. Contudo, essa não é uma medição que indica a temperatura que sairá do equipamento, mas sim a meta desejada para o cômodo após a sua ativação.
No caso do streamer, como o ambiente já está abaixo dos 23 °C configurados, o sistema entende que não há necessidade de resfriamento e mantém o compressor desligado.
O compressor é o componente responsável por comprimir o fluido refrigerante, aumentando sua pressão e viabilizando o ciclo termodinâmico usado para resfriar ou aquecer o cômodo.
Como ele é o componente que mais consome eletricidade, sua permanência desligada reduz significativamente o consumo energético, embora o ventilador interno do equipamento continue funcionando normalmente.
Segundo Rodrigo Men, um aparelho de ciclo convencional sempre executa o mesmo percurso do fluido refrigerante e, por isso, não consegue inverter o processo para aquecer o ambiente.
“Dependendo da temperatura em que estamos, o compressor não vai ligar e a máquina interna vai continuar ventilando. No caso do frio, se estou a 11 graus e o aparelho ventilar, vou sentir mais frio por causa da sensação térmica”, ressalta o especialista.

A saída para usuários que desejam utilizar um ar-condicionado para aquecer o ambiente em dias mais frios é contar com um modelo que tenha a função quente/frio. Esses equipamentos tornam-se eficientes nesse aspecto por contarem com uma válvula reversora.
Essa peça é responsável por inverter o fluxo do fluido refrigerante, alterando a lógica do ciclo térmico. Com isso, o calor gerado durante o processo de compressão do fluido refrigerante passa a ser liberado na unidade interna, permitindo o aquecimento do ambiente.
“O calor não é obtido do lado externo do ambiente. Ele é produzido pela física do fluido refrigerante. O compressor comprime o fluido refrigerante, que aumenta de temperatura. É esse fluido, aquecido pelo processo de compressão, que vai trocar calor e aquecer o ambiente interno”, destaca Rodrigo Men.
Quando o usuário ativa o modo de aquecimento, a válvula reversora altera o caminho percorrido pelo fluido refrigerante. Com isso, a unidade externa passa a funcionar como evaporadora, enquanto a unidade interna atua como condensadora, liberando calor para o ambiente.
É exatamente essa inversão do ciclo que diferencia um equipamento quente/frio de um modelo tradicional.
Ainda assim ficou na dúvida se o ar-condicionado quente/frio vale a pena? Confira os prós e contras desses modelos.
Leia a matéria no Canaltech.

