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Os Estados Unidos estudam aplicar mais tarifas no mercado de semicondutores, desta vez com a mira em produtos feitos com chips externos — como notebooks, videogames e servidores.
O objetivo da administração de Donald Trump é fazer com que companhias da indústria tech passem a investir na produção de tecnologia no próprio território.
A movimentação ocorre justamente no momento em que a Intel revela que pode encerrar a fabricação de chips 14A (de 1.4 nm) nos EUA por causa das vendas fracas.
Até o momento, os Estados Unidos não se pronunciaram oficialmente sobre o assunto, mas fontes contaram ao site POLITICO que o objetivo é aplicá-las logo.
É importante notar que vivemos um período conturbado neste segmento, já que tivemos um acréscimo substancial no preço das memórias RAM.

Com a adoção delas por servidores de IA, sua escassez elevou os valores do componente e das unidades de armazenamento — o que atingiu diversos produtos, de notebooks aos videogames.
Na prática, basicamente tudo que envolve os produtos que utilizam estes hardwares sofreu um reajuste. Seja para montar um PC, seja para jogar, os preços seguem cada vez mais caros.
Portáteis como o Steam Deck são vendidos hoje por quase US$ 1.000 e o novo Steam Machine chegou ao mercado com o menor valor de US$ 1.049.
O mesmo vale para os consoles de mesa: PS5 hoje é vendido no Brasil a partir de R$ 4.599; enquanto o XBOX Series X está com o dobro da quantia do Series S em 2020 — quando foi lançado no mercado.
Para o mercado de jogos, é um momento delicadíssimo: Sony e Microsoft preparam o lançamento de novos videogames, que podem chegar a US$ 1.000 sem esta nova tarifa. Com ela inclusa, o “céu é o limite”.
A nova iniciativa de Trump pode colocar seus próprios planos em risco, já que uma nova tarifa ameaça a supremacia do país em inteligência artificial.
Caso seja colocada em ação, a dinâmica pode afastar os EUA do mercado e garantir mais espaço para países como Taiwan, China e outros receberem mais investimentos.
Em termos simples, o plano todo é uma faca de dois gumes: a administração dos Estados Unidos quer liderar este segmento, porém não lidou bem com a demora para o projeto ganhar vida.
Por meio das leis previstas no CHIPS and Science Act, eles investiram em diversas companhias como Intel, NVIDIA, TSMC e outras para fazer o país norte-americano crescer e se tornar o principal fornecedor de semicondutores de todo o planeta.
Contudo, isso leva um longo período. Construção de fábricas, equipamentos que são produzidos em outros países e exigem uma logística própria, contratação de profissionais capacitados e tudo que envolve essa indústria leva anos, senão uma década.

Algumas destas companhias começaram a agir, como a própria Intel. Ainda assim, tudo que produzem nos EUA tem um valor mais elevado do que o visto de suas fábricas externas — pelos custos altíssimos envolvidos, de localização à própria produção.
Logo, se falarmos dos semicondutores 14A da empresa, por exemplo, ele vende pouco não pela falta de demanda, mas sim por conta de todos os fatores que envolvem o projeto e o encarecem.
Outras passam por desafios similares e inviabilizam a ampla adoção de tecnologias recentes no país. Dito isso, nem todas têm o montante, paciência e uma base firme para manter a estratégia.
O plano de investir e ajudar as companhias foi um acerto, mas forçá-las pode se mostrar um verdadeiro tiro no pé. Até o momento, nenhuma big tech se pronunciou sobre o novo rumor.
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