Guardar panela quente na geladeira estraga o motor ou só gasta mais energia?

Guardar panela quente na geladeira estraga o motor ou só gasta mais energia? – Canaltech

Muitas pessoas ouviram desde cedo a orientação de não guardar comida quente na geladeira. Esse conselho costuma vir acompanhado do alerta de que a prática pode afetar os alimentos armazenados no refrigerador, mas há quem também associe esse hábito ao desgaste do motor (compressor) e ao aumento do consumo de energia.

Contudo, com os avanços tecnológicos incorporados aos modelos mais recentes de geladeira, fica a dúvida se a recomendação de esperar a panela esfriar antes de colocá-la no refrigerador ainda precisa ser seguida.

O Canaltech conversou com Thiago Giamarino, gerente sênior de Marca, Produto e Ativação da Electrolux para a América Latina, para esclarecer essa dúvida. Segundo o executivo, os consumidores podem ficar tranquilos quanto ao receio de que essa prática danifique o compressor.

Giamarino explica que, quando há um aumento da temperatura interna, os sensores do eletrodoméstico identificam essa mudança. A partir disso, o compressor passa a operar por mais tempo ou em maior velocidade para restabelecer a temperatura ideal.

“Nas geladeiras com tecnologia Inverter, por exemplo, o compressor pode aumentar sua velocidade conforme a necessidade, enquanto nos modelos convencionais ele permanece ligado por mais tempo até que a temperatura volte ao nível ideal. Mas isso não significa que o compressor vá ‘queimar’ por causa de um único episódio”, detalha o especialista.

Ainda assim, guardar panelas quentes na geladeira com frequência pode fazer o equipamento acumular mais horas de funcionamento ao longo da vida útil, acelerando o desgaste natural dos componentes do sistema de refrigeração.

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Panela quente aumenta o consumo de energia?

Consumidores também podem se perguntar se esse aumento no trabalho do compressor para remover o calor do recipiente pode resultar em um gasto maior de eletricidade. A resposta mais direta é que há, sim, um aumento temporário no consumo de energia, mas ele depende de outros fatores para ser percebido na conta de luz.

“Para uma situação pontual, esse impacto costuma ser pequeno e dificilmente será percebido na conta de luz. No entanto, quando essa prática se torna frequente, especialmente em cozinhas com grande volume de preparo, o consumo acumulado pode ser mais significativo”, ressalta Giamarino.

Além disso, o executivo volta a destacar a tecnologia Inverter como uma vantagem dos modelos mais modernos. Neles, o compressor ajusta sua velocidade conforme a necessidade de refrigeração, proporcionando uma recuperação mais eficiente da temperatura e reduzindo os picos de consumo de energia.

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O maior risco está nas prateleiras 

Embora episódios isolados de armazenamento de panelas quentes dificilmente danifiquem o compressor ou aumentem significativamente o consumo de energia, o mesmo não pode ser dito sobre a estrutura física do eletrodoméstico.

“Uma panela recém-retirada do fogão pode atingir temperaturas superiores a 100°C na base e, dependendo do material e do projeto da geladeira, isso pode afetar alguns componentes”, explica o especialista.

Embora sejam bastante resistentes, as prateleiras de vidro temperado podem sofrer com mudanças bruscas de temperatura, gerando tensões térmicas. Em situações mais extremas, isso pode até provocar a quebra da estrutura.

Também é necessário ter atenção redobrada com peças plásticas do refrigerador, que podem sofrer deformações caso entrem em contato frequentemente com objetos quentes. 

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Como guardar comida quente da forma correta 

A recomendação geral é evitar colocar panelas muito quentes diretamente na geladeira. Embora um episódio isolado dificilmente impacte o compressor ou aumente significativamente o consumo de energia, adotar esse cuidado ajuda a preservar a estrutura do eletrodoméstico.

Uma das orientações é transferir o alimento para recipientes menores e rasos, preferencialmente de vidro, para acelerar o resfriamento antes do armazenamento. Outra dica é utilizar um apoio térmico.

Geralmente fabricado em silicone, o acessório, também chamado de “descanso de panela”, funciona como uma barreira que reduz a transferência direta de calor para a prateleira da geladeira. Assim, ajuda a diminuir o risco de tensões térmicas no vidro e da deformação de peças plásticas próximas ao recipiente.

E você, está em busca de uma geladeira inverter e quer saber se a economia de energia justifica o preço? O Canaltech fez as contas para te ajudar nessa decisão. 

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