Meta desiste da IA Manus após China barrar compra que custou US$ 2 bilhões

Meta desiste da IA Manus após China barrar compra que custou US$ 2 bilhões – Canaltech

A Meta concluiu uma separação operacional da Manus, a startup de IA agêntica que adquiriu por US$ 2 bilhões em dezembro de 2025, e passou a encaminhar o encerramento da plataforma após a China ordenar a reversão do negócio. Desde o início de junho, a empresa bloqueou o acesso da Manus e de seus funcionários aos sistemas internos da companhia. Os funcionários da Meta não podem mais usar as ferramentas da startup em projetos internos. As informações são da Bloomberg.

Um memorando interno obtido pela agência determinou que as equipes devem “descontinuar” a Manus e migrar os projetos existentes para os sistemas da própria Meta. Nenhum trabalho novo deve ser iniciado na plataforma.

Investigação e o veto de Pequim

A separação é consequência de uma investigação aberta pela Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China (NDRC, na sigla em inglês) em janeiro de 2026, semanas após o fechamento do negócio. Em abril, o órgão ordenou formalmente a reversão da aquisição, alegando que a transação violou regras de investimento estrangeiro e de exportação de tecnologia. É a primeira vez que autoridades chinesas conseguem desmantelar uma aquisição internacional de IA já concluída, segundo o Cryptopolitan.


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O argumento do governo chinês é que a Manus foi fundada na China e que sua pesquisa inicial ocorreu no país, com talentos e dados de origem chinesa. Quando a startup transferiu sua sede e parte da equipe para Cingapura, em 2025, Pequim interpretou o movimento como uma tentativa de escapar de sua supervisão regulatória.

Em março de 2026, o governo escalou a pressão. Dois dos três cofundadores, Xiao Hong e Ji Yichao, foram convocados a Pequim para interrogatório e impedidos de sair do país. Em abril, a NDRC formalizou a ordem de reversão do negócio.

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A Manus foi uma das maiores aquisições da Meta, mas, bem longe dos US$ 19 bilhões pagos para comprar o WhatsApp (Imagem: Marcelo Fischer/Canaltech)

Plano de recompra

Com a aquisição sendo desfeita, os três cofundadores, Xiao Hong, Ji Yichao e Zhang Tao, estudam levantar cerca de US$ 1 bilhão com investidores externos para recomprar a empresa pela mesma avaliação de US$ 2 bilhões que a Meta pagou. O excedente seria coberto pelos próprios fundadores. Se a recompra avançar, o passo seguinte seria reestruturar a Manus como uma joint venture chinesa, com a perspectiva de um IPO em Hong Kong.

A operação, no entanto, enfrenta complicações financeiras. Investidores como Tencent, ZhenFund e HSG já receberam seus repasses da aquisição realizada pela Meta, o que torna o processo de reversão mais complexo. Além disso, parte dos funcionários da Manus já se mudou para os escritórios da Meta em Cingapura. Não está claro se as negociações em torno da recompra avançaram de forma significativa.

Impacto em outras startups chinesas

O caso não é isolado. Segundo o Cryptopolitan, reguladores chineses instruíram outras empresas de tecnologia, incluindo Moonshot AI, StepFun e ByteDance, a recusar investimentos americanos em rodadas de captação, a menos que o governo aprove explicitamente os aportes.

A determinação faz parte de um endurecimento mais amplo das regras de investimento externo, que agora conferem ao governo ferramentas para bloquear transações internacionais envolvendo tecnologia, talentos ou propriedade intelectual de origem chinesa, independentemente de onde a empresa esteja incorporada.

Do outro lado, o governo americano mantém controles de exportação sobre chips avançados de IA que limitam o acesso de laboratórios chineses a capacidade computacional. A administração Trump também restringiu, no início deste ano, investimentos americanos em determinadas empresas chinesas de IA, semicondutores e computação quântica. Kyle Chan, pesquisador do Brookings Institution que prestou depoimento ao Congresso americano em abril, afirmou que “os principais modelos de IA da China continuam atrás dos modelos de fronteira americanos por vários meses ou mais”.

A questão envolvendo a Meta, uma empresa dos EUA, vai além de apenas “proteção” de tecnologia por parte da China. Entenda no Canaltech o que está em jogo entre os Estados Unidos e a China no tabuleiro geopolítico de tecnologia.

Leia a matéria no Canaltech.

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