Como o Brasil virou peça-chave na Electrolux global

Como o Brasil virou peça-chave na Electrolux global – Canaltech

A operação brasileira da Electrolux mudou de patamar. Ela deixou de ser apenas uma linha de montagem e virou uma engrenagem estratégica global. Hoje, engenheiros e designers no Brasil criam produtos para a Europa, Ásia e Estados Unidos.

Esse movimento ganha força no ano em que a marca celebra seu centenário no Brasil. A data reforça a presença histórica da empresa no país. Além disso, consolida a operação nacional como um dos principais polos de inteligência da fabricante sueca.

Os números provam essa transformação. Há algumas décadas, a América Latina representava apenas 4% da operação global da Electrolux. Atualmente, a região responde por 22% do grupo, tornando-se uma das áreas mais vitais da empresa.


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O Brasil, isoladamente, já é a terceira maior operação da companhia em volume. O país fica atrás apenas da Europa e dos Estados Unidos. Quando o assunto é rentabilidade, o mercado brasileiro salta para a segunda posição global.

“Temos hubs globais instalados aqui que prestam serviços para o mundo”, afirma Valéria Balasteguim. A vice-presidente de RH & Comms LATAM da Electrolux destaca o papel dos engenheiros brasileiros focados em mercados externos.

Curitiba virou peça-chave na operação global

Boa parte dessa evolução passa diretamente por Curitiba. A cidade abriga uma das maiores e mais complexas fábricas de refrigeração da Electrolux no mundo. A unidade tem origem na antiga Prosdócimo.

Hoje, a planta curitibana produz uma enorme variedade de refrigeradores. Ela opera com diferentes níveis de automação industrial. Essa complexidade produtiva transformou a fábrica em um verdadeiro celeiro de novas lideranças.

Fábrica da Electrolux em Curitiba tem foco em eletrodomésticos para refrigeração (Imagem: Divulgação/Electrolux)

O Brasil também concentra uma parcela importante da engenharia global da marca. O centro de design da Electrolux no país completa 40 anos em 2026. A estrutura acumula forte reconhecimento internacional dentro do grupo.

A operação brasileira sedia importantes hubs globais de Pesquisa e Desenvolvimento (R&D). Essas equipes de tecnologia trabalham em projetos voltados para os exigentes mercados europeu e norte-americano.

Um marco importante dessa expansão ocorreu recentemente. A empresa nomeou a primeira gerente global de “food preservation” baseada no Brasil. Ela lidera a área responsável por inovações na conservação de alimentos.

Refrigeradores brasileiros chamaram atenção da Europa

O avanço da engenharia nacional reflete diretamente nos produtos. O projeto Bela é um ótimo exemplo dessa nova fase. Trata-se de um refrigerador criado no Brasil, equipado com um grande display interativo na porta.

O modelo chamou a atenção da alta liderança global da Electrolux. Devido ao seu design inovador, o produto deve desembarcar em breve no mercado europeu.

Outro caso de sucesso é a parceria entre Brasil e Tailândia. As equipes trabalharam juntas para criar refrigeradores de duas portas com gavetas inferiores. O produto foi totalmente concebido no mercado brasileiro.

Hoje, esse modelo é fabricado em uma plataforma asiática compartilhada. Ele abastece com eficiência tanto o mercado brasileiro quanto os exigentes consumidores da Ásia.

Geladeiras fabricadas no Brasil chamam atenção no exterior pelo design (Imagem: Divulgação/Electrolux)

A integração não se limita aos grandes eletrodomésticos. Acessórios, panelas e potes de armazenamento desenvolvidos no Brasil também ganham o mundo. Eles chegam até mesmo ao cobiçado mercado da América do Norte.

A exportação de produtos completos para os EUA esbarra em um obstáculo de design. Os eletrodomésticos americanos costumam ter dimensões muito maiores. Por isso, a troca global foca bastante em acessórios e soluções inteligentes.

Brasil virou “exportador de cérebros”

Além da engenharia de ponta, o Brasil cresceu na estrutura executiva da marca. A região latino-americana ganhou o apelido interno de “Talent Machine”. Ela funciona como uma verdadeira máquina de revelar talentos.

Nos últimos anos, executivos locais foram promovidos a cargos globais. Ricardo Cons, ex-CEO da Electrolux na América Latina, assumiu o comando nos Estados Unidos até o final de 2025. 

Outro exemplo de sucesso local é Leandro Jasiocha que, recentemente, foi promovido ao cargo de CEO da Electrolux na Europa, Oriente Médio e África. 

Presente em vários países do mundo, a Electrolux se destaca, também, como uma das 24 marcas mais confiáveis de eletrodomésticos em 2026.

Leia a matéria no Canaltech.

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