Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124
Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124


O mercado de trabalho formal brasileiro abriu 85.888 vagas com carteira assinada em abril de 2026, segundo dados do Novo Caged divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) nesta quinta-feira (28/5).
O saldo resulta de 2.268.655 admissões e 2.182.767 desligamentos. O resultado frustra o mercado. Instituições financeiras projetavam a criação de cerca de 200 mil postos de trabalho. No ano passado, o total foi de 238.216. O resultado de abril também é o menor deste ano.
Na leitura por atividade econômica, a retração afetou principalmente dois dos cinco grandes grupamentos. O Comércio fechou abril com saldo negativo de 8.114 postos e a Agropecuária retraiu em 8.378 vínculos. Houve saldo positivo em Serviços, que liderou a geração de empregos, com 69.601 vagas; seguido por Construção, com 23.525; e Indústria, com 9.256.
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, atribuiu os números ao percentual da Selic, a taxa básica dos juros, em 14,5%, e aos efeitos da guerra entre Estados Unidos e Irã sobre a economia global. Segundo ele, o crescimento da atividade econômica continua, mas em ritmo mais lento.
“Creio que a conjunção desses dois fatores se soma a um efeito bastante negativo na economia brasileira. Porém, não vejo motivo de desespero. É um processo de crescimento contido, vamos chamar assim. Me preocuparia muito se houvesse impacto negativo na indústria. A indústria continua resistindo, isso é muito bom”, disse durante a apresentação dos dados.
O ministro também afirmou que o Banco Central (BC) precisa observar os impactos da política monetária sobre a atividade econômica. Segundo ele, os investimentos seguem ocorrendo, mas em velocidade menor devido à taxa de juros.
“Não existe, felizmente, uma desistência do investimento, mas eles vão sendo alongados, mais gradativos. Poderia ser mais rápido, caso não houvesse esses juros tão excessivos, porque o potencial da economia brasileira é de crescimento”, declarou.
Sobre a expectativa para o saldo de empregos formais em 2026, o ministro evitou projetar números exatos, mas disse esperar resultado superior a um milhão de vagas no ano.
O Comércio foi pressionado principalmente pelo varejo. No comércio varejista, houve redução de 8.558 vagas. O comércio por atacado, com exceção de veículos automotores e motocicletas, teve retração de 2.882 postos. Já na Agropecuária, foram sentidos os efeitos da desmobilização das culturas de soja (-5.048), maçã (-2.986) e laranja (-1.799).
Entre os destaques setoriais, os maiores impulsos vieram de saúde humana e serviços sociais (+18.150), transporte e armazenagem (+12.235), e atividades administrativas (+12.090) dentro de Serviços, além de construção de edifícios (+7.397) e obras de infraestrutura (+7.383) na Construção. Na Indústria, sobressaíram fabricação de álcool (+4.522), abate e fabricação de produtos de carne (+2.333) e fabricação de automóveis (+1.849).
Ao comentar o desempenho negativo do Comércio em abril, Marinho e integrantes da secretaria do Ministério do Trabalho afirmaram que o resultado está relacionado principalmente ao endividamento das famílias e ao nível elevado da taxa de juros.
“Temos um conjunto grande de pessoas em endividamento. Não é à toa que o [Programa] Desenrola foi tão rapidamente absorvido, porque era uma demanda da população pelo processo de endividamento”, disse a subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do MTE, Paula Montagner. “A gente ainda está vendo que supermercado e hipermercado estão indo bem. As pessoas estão investindo no básico e deixando de fazer aquisições que eles podem postergar”, completou.
A maior parte das unidades da federação registrou avanço: 24 das 27 UFs fecharam abril com saldo positivo. São Paulo liderou a criação de vagas, com 20.202 postos, seguido por Rio de Janeiro, com 11.741, e Minas Gerais, com 8.991. Entre os estados com pior desempenho apareceram Alagoas (-1.505), Rio Grande do Sul (-1.396) e Rio Grande do Norte (-1.396).
Mesmo com a perda de fôlego em abril, o saldo acumulado de janeiro a abril de 2026 segue positivo, com 699.762 vagas formais criadas, alta de 1,5% no período. Nos últimos 12 meses, de maio de 2025 a abril de 2026, o Novo Caged mostra saldo de 1.059.860 empregos, equivalente a crescimento de 2,3%.
No acumulado do ano, Serviços responde pela maior fatia do saldo, com 451.996 vagas, seguido por Construção, com 143.547, Indústria, com 124.085, e Agropecuária, com 6.760. O Comércio, por sua vez, acumula perda de 26.614 postos.
Com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) 2025, divulgada no último dia 13, o MTE recalculou o estoque de referência usado no Novo Caged. Com os dados, os números de dezembro foram atualizados para 47.110.663 vínculos. Antes, os dados eram de 48.474.348. A partir do novo estoque de referência, o ministério calculou a série subsequente do Novo Caged consolidando em abril o estoque de 47.810.425 vínculos formais ativos.
Em comparação com a referência anterior, a revisão representou redução de 2.059.584 vínculos. O governo diz que isso não representa perda de empregos em abril, mas um ajuste técnico e cadastral, que incorpora informações mais atualizadas e elimina vínculos sem evidência recente de atividade, além de registros afetados por sucessão trabalhista.
A mudança também alterou o critério de seleção dos vínculos que compõem o estoque de referência, tornando a base mais aderente ao universo efetivamente acompanhado pelo Novo Caged.
Os dados de abril também mostram uma composição favorável aos vínculos típicos, que responderam por 73.277 vagas abertas no mês, enquanto os não típicos somaram 12.611. Na prática, isso significa que a expansão do emprego formal continuou concentrada em ocupações tradicionais, embora contratos como aprendizes, intermitentes, temporários e jornadas reduzidas também tenham contribuído para o saldo positivo.
No recorte salarial, o salário médio real de admissão em abril ficou em R$ 2.386,56, acima do valor de março e também superior ao registrado no mesmo mês de 2025, com variação positiva de 1,8% em um ano. Entre os típicos, o salário médio de entrada foi de R$ 2.429,79; entre os não típicos, ficou em R$ 2.047,86.