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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou nesta sexta-feira (15/5) a ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a letalidade policial que, em um de suas ramificações, resultou horas antes no mandado de busca e apreensão contra Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro, também do PL. Ele não respondeu a perguntas sobre a operação contra o aliado.
A declaração foi feita em entrevista à imprensa após cerimônia de entrega de equipamentos para a PM no Rio. Segundo o pré-candidato à Presidência, a ADPF, que estabeleceu parâmetros para operações policiais em comunidades, tirou o poder da polícia e favoreceu criminosos.
A menção veio em meio a uma reposta sobre o financiamento do filme sobre o pai dele, que se tornou o centro da maior crise de sua pré-candidatura. Depois de repetir que o dinheiro repassado por Daniel Vorcaro era um financiamento privado feito quando não haveria suspeitas contra o banqueiro, ele encaixou a crítica ao Supremo no meio de uma resposta sobre uma apuração preliminar na Corte para investigar possível envio de emendas parlamentares a uma produtora ligada ao filme.
“Tem que perguntar pra ela. Na tenho ideia do que que é isso. Mais uma vez, o filme foi feito com investimento privado. Foi criado um fundo nos Estados Unidos que é exclusivo para esse fim. Todo recurso foi usado na produção deste filme”, disse o senador, mudando imediatamente de foco.
“Você vê como está o Brasil hoje, a gente não está numa democracia normal, né? As coisas acontecem, em especial aqui no Rio de Janeiro, com a interferências de outros poderes em ações que não têm cabimento que produzam os resultados que têm produzido. A segurança pública aqui no Rio foi muito afetada por uma ADPF do Supremo Tribunal Federal, atrapalhando o trabalho das nossas polícias, fortalecendo os marginais. E se estamos aqui é para continuar lutando pelo nosso estado, fazendo o melhor pela nossa segurança pública. E mais uma vez o filme do presidente vai ser lançado…”.
Questionado por repórteres sobre a inclusão de Castro nas investigações da ADPF, o senador, que estava encerrando a entrevista, não respondeu.
Castro é um dos pré-candidatos do PL ao Senado pelo Rio. Uma das duas vagas é exatamente a de Flávio Bolsonaro, cujo mandato se encerra no início de 2027. A mãe dele, Rogéria Bolsonaro, também é cotada para disputar um lugar no Senado.
Horas antes das declarações de Flávio Bolsonaro, Castro foi um dos alvos da Polícia Federal no âmbito da operação Sem Refino, que investiga supostas fraudes fiscais ligadas à Refinaria de Manguinhos. O mandado de busca e apreensão contra Castro, entre outras medidas, foi determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, relator da ADPF das Favelas.
Além da ação contra Castro, o dono do grupo Refit, Ricardo Magro, foi alvo de mandado de prisão e teve seu nome incluído na Divisão Vermelha da Interpol, já que ele vive fora do país. Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e sete medidas de afastamento de função pública nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal.
Ainda foi determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas. Segundo a PF, as investigações apuram possíveis fraudes fiscais, ocultação patrimonial e inconsistências relacionadas à operação da refinaria.
Em nota, a defesa de Castro afirmou estar “surpreendida” com a operação, negou quaisquer irregularidades e destacou que a gestão do ex-governador “foi a única a conseguir que a Refinaria de Manguinhos pagasse dívidas com o estado” que se aproximavam de R$ 1 bilhão. “Ao longo da gestão, a PGE (Procuradoria Geral do Estado) engressou com inúmeras ações contra a Refit, o que demonstra que a Procuradoria sempre atuou para que a empresa pagasse o que deve ao Estado”, acrescentou.