Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124
Physical Address
304 North Cardinal St.
Dorchester Center, MA 02124


Se você tirou da gaveta aquela câmera digital do tipo “cybershot” ou começou a ouvir música longe das convencionais plataformas de áudio, você faz parte de um movimento que tem mudado a forma de consumo de produtos tech hoje em dia. A escolha por dispositivos nostálgicos ou mais antigos é uma tendência que reflete como a nossa relação com a tecnologia está em um paradigma de transformação de futuro e exaustão.
2025 mostrou essa preferência principalmente na fotografia, com o retorno de câmeras digitais retrô e mais marcas apostando em lançamentos que remetem aos produtos analógicos. Com isso, as fotos também mudaram. Imagens com resultados mais imperfeitos, flashes em evidência e ruídos por conta de limitações de hardware tomaram conta das redes sociais, especialmente da geração Z.
Para Marina Roale, Head de Insights e sócia da Consumoteca, a principal mudança por trás dessa tendência está na forma narrativa como cada geração encarou o impacto das transformações tecnológicas.
–
Entre no Canal do WhatsApp do Canaltech e fique por dentro das últimas notícias sobre tecnologia, lançamentos, dicas e tutoriais incríveis.
–
Durante a juventude dos millennials, a tecnologia e suas marcas representavam um futuro romantizado e otimista. Hoje, no entanto, ela “tem perdido esse lugar de frescor” para se tornar um gatilho de ansiedade, especialmente devido às rápidas transformações da IA e ao medo de substituição pelas máquinas.
“A gente não vai se libertar, a tecnologia ainda é importante e entrega muita coisa boa, mas estamos num momento de negociação importante de como viver com a tecnologia, de como ter controle e poder ter, de repente, alguns gadgets que te permitem ficar off da internet mas ainda assim manusear alguma coisa tecnológica se torna uma solução”, indica.
Para uma geração nativa digital, o que se torna inovador e diferenciado é a desconexão, a busca por uma experiência de vida mais analógica. É nesse contexto que o mercado de vinis, CDs e mp3 players conquistou jovens e tem crescido mesmo diante de grandes players de música. Até mesmo telefones minimalistas, os chamados dumbphones, se tornaram parte desse “detox digital”.
Marina explica que a descoberta do passado para a geração Z está na experimentação de uma época que não foi vivida, sendo o primeiro contato com esses dispositivos.
“Crescer na era da internet é você já crescer num mundo onde já existe muito um cruzamento de referências de música, estética, questões de moda, discursos. Então, eles [gen Z] ficam sempre em busca de experimentar algo novo, algo que ainda não viram”, pontua.
Relembrar e reviver momentos e produtos do passado não é uma exclusividade do nosso tempo. A especialista em consumo afirma que a nostalgia é um movimento cíclico que em diferentes momentos da história conecta a memória a um grupo de pessoas interessadas em explorar e resgatar algo de um período antigo.
Esse comportamento funciona como refúgio para lidar com uma grande macrotensão atual que é a exaustão gerada pelo mundo acelerado e a fadiga das telas, mas segundo Marina, é passageiro pelo ritmo que a vida e as coisas têm hoje no mundo digital. Por outro lado, a convivência do mundo físico e digital e o papel da “fricção” ainda seguirão em negociação.
Se você quer se aprofundar no assunto, pode se interessar em conferir por que sentimos nostalgia e saber como as câmeras digitais roubaram a cena no Lollapalooza.
Leia a matéria no Canaltech.

