Palanques, alianças e aval do pai: o que pesa na definição de quem será vice de Flávio

Empatado ou numericamente à frente de Lula (PT) no segundo turno na maioria das pesquisas, Flávio Bolsonaro (PL) virou peça-chave no xadrez partidário da direita. O senador já deixou claro que não pretende fazer escolhas por ora, ao contrário de seu adversário, que já anunciou a manutenção de Geraldo Alckmin (PSB) na chapa como candidato a vice. Ainda assim, as possibilidades começam a se afunilar.

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Mais pragmático, politicamente falando, Flávio deve privilegiar a composição política na hora de apontar um vice. No entanto, como há sempre um fantasma da “paranoia” na família Bolsonaro, ter a confiança do presidenciável será primordial.

A escolha deve ocorrer perto do meio do ano, segundo projetam seus aliados. Eles dizem ainda que um vice não traz votos, mas pode tirá-los. Por isso, essa é uma costura a ser feita sem pressa.

Dois cenários e seus obstáculos

Há hoje dois cenários mais prováveis: algum nome da federação União-Progressistas, mais notadamente do PP, ou Romeu Zema, pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo Novo. Em ambos os casos, há obstáculos a serem superados nos próximos meses.

É certo que o Novo não tem alta capilaridade no país, nem bancada expressiva, e que Zema não é exatamente o nome mais carismático. Ainda assim, o ex-governador é considerado um bom nome pelo alinhamento ideológico e por ser um expoente em Minas Gerais, colégio eleitoral-chave na disputa nacional. Bolsonaristas gostam dessa configuração.

Porém, pesquisas regionais apontam um desgaste da imagem e da aprovação do ex-governador no estado, algo antes visto como um trunfo para o candidato do Novo.

Entraves em Minas

Há ainda outro entrave no cenário mineiro: os palanques na disputa pelo Palácio da Liberdade.

O candidato de Zema no âmbito estadual é seu vice e atual governador de Minas, Matheus Simões. Ele deixou o Novo para se filiar ao PSD de Gilberto Kassab, em busca de um partido mais ao centro e da ampliação de sua aliança. O leque de alianças à direita, contudo, não saiu do papel.

Além disso, o próprio partido de Simões tem candidato à Presidência da República: Ronaldo Caiado. Mas o governador já disse que Caiado não terá palanque no estado, caso Zema mantenha sua candidatura a presidente.

Em Minas Gerais, além de se posicionarem contra palanque duplo, aliados de Flávio rechaçam a possibilidade de apoiar um candidato do PSD. Kassab e o bolsonarismo romperam nos últimos meses, em meio ao imbróglio em torno da finada possibilidade de candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao Planalto.

Outra possibilidade na mesa seria apoiar o senador Cleitinho (Republicanos), mas há resistência do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que, segundo dirigentes do PL, tem poder de veto no estado por seu potencial de eleger uma forte bancada com seu voto.

Resta Flávio Roscoe, empresário recém-filiado ao PL, pouco conhecido e com menor capilaridade do que todos os outros postulantes. Hoje, esse é o cenário mais provável e, se confirmado, afasta Zema da possibilidade de ser vice de Flávio.

PP no jogo

Em outra frente, a federação União-Progressistas, que em dezembro resistia ao nome de Flávio, hoje tem buscado proximidade e caminha para apoiá-lo já no primeiro turno. A senadora Tereza Cristina (PP-MT) é citada por bolsonaristas, desde 2022, como a vice ideal em todos os cenários.

Ela tem concedido entrevistas dizendo que não quer ocupar o cargo. Seu nome também aparece entre os cotados para eventualmente suceder Davi Alcolumbre (União-AP) na presidência do Senado, mas o bolsonarismo já tem seu candidato ao posto: Rogério Marinho (PL-RN).

Tereza, assim como outros nomes do PP com quem Flávio conversou recentemente, enfrenta ainda um empecilho dentro do partido. Há temor de que a delação de Daniel Vorcaro possa eventualmente implicar dirigentes da sigla e, com isso, contaminar a chapa. Para aliados de Flávio, o melhor dos mundos seria que a colaboração do banqueiro fosse logo homologada, para que fosse possível calcular os riscos.

O dono da palavra final 

Com tantas variáveis na mesa, ainda não há decisão, nem deve haver no curto prazo. Uma certeza o entorno de Flávio tem: ela será tomada com a ajuda de Marinho e, sobretudo, com a palavra final de Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar.

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