Fantasma do primeiro turno assombra PT em SP

Um profundo conhecedor das disputas pelo Governo de São Paulo recorre ao passado para explicar a cabeça do eleitor do estado e a possibilidade de a eleição deste ano para o Palácio dos Bandeirantes ser resolvida ainda no primeiro turno:  

Em 1990, Mario Covas (1931-2001), pelo PSDB, saiu na frente nas pesquisas por conta do “recall” da campanha para presidente ocorrida um ano antes e vencida por Fernando Collor. Paulo Maluf (PPB) era o contraponto ao tucano e um dos favoritos. O então governador de São Paulo, Orestes Quércia (1938-2010), do PMDB, decide lançar “um poste”, seu secretário Luiz Antônio Fleury Filho (1949-2022).

Quércia e Fleury levam a eleição para o segundo turno e vencem por conta da rejeição a Maluf.

Em 1994, Covas sai na frente outra vez. O PT lança seu líder José Dirceu, então deputado estadual. Uma “zebra” na disputa, o ex-prefeito de Osasco Francisco Rossi, pelo PDT, faz uma campanha na cola do líder tucano. Barros Munhoz (PMDB), escolhido por Fleury, não decola, assim como o petista. 

Com apoio dos evangélicos, Rossi vai para o segundo turno. No entanto, os votos de esquerda e dos “progressistas” fazem a diferença na fase decisiva: Covas é eleito. 

Quatro anos depois, um governador Covas desgastado amarga a rabeira nas pesquisas, atrás do favorito Maluf e de Rossi, que ainda surfa no recall da disputa anterior. Marta Suplicy (PT) disputa com o então governador o terceiro lugar nas sondagens, um cenário nebuloso para o tucano.

Covas faz uma campanha de nicho para garantir votação suficiente para chegar ao segundo turno contra Maluf. Ganha na rejeição do adversário e com o apoio decisivo de Marta.

Em 2002, após a morte de Covas no ano anterior, Geraldo Alckmin (PSDB) disputa a reeleição contra a chamada “onda vermelha” que levou Lula ao Planalto. O então governador vai para o segundo turno contra José Genoíno (PT).

Maluf mais uma vez fica fora e seus votos no segundo turno migram para o tucano Alckmin, que é reeleito governador de São Paulo pela primeira vez.

Em 2006 e 2010, após a consolidação da polarização entre tucanos e petistas e sem um terceiro nome verdadeiramente competitivo, as eleições para o Palácio dos Bandeirantes se definem no primeiro turno com as vitórias de José Serra e Alckmin, respectivamente. 

Em 2014, Paulo Skaf, então no MDB, surge como uma “terceira via”, mas o fraco desempenho de Alexandre Padilha (PT) é insuficiente para que a disputa vá para o segundo turno. Alckmin é novamente reeleito no primeiro turno.

Esses seis exemplos mostram que vários candidatos competitivos no primeiro turno tendem a levar a eleição para o segundo turno. Sem eles, a possibilidade de uma decisão favorável ao campo de centro-direita já na primeira etapa, como ocorreu em 2010, 2014 e 2016, aumenta muito.

Traduzindo em números, se não houver pelo menos mais um candidato que faça entre 10% e 15% dos votos no primeiro turno, a chance de a eleição não avançar para o segundo turno no estado aumenta muito, o que pode complicar a vida de Lula em São Paulo diante da grande possibilidade de, no âmbito nacional, a disputa ser decidida em duas etapas.

Outro ponto é que o segundo turno pode se transformar em uma outra eleição, digamos assim, e o apoio de quem ficou fora dele tende a ser importante, a exemplo das vitórias de Covas em 1994 e 1998 e de Alckmin em 2002. Ou seja, neste ponto, Fernando Haddad (PT), atrás nas mais recentes pesquisas, poderia se beneficiar de um eventual apoio do terceiro colocado na fase decisiva.

No entanto, até agora não existe esse “tercius”. Claro, muita água ainda passará sob essa ponte até outubro e Haddad tem chances de vencer a eleição, mas é inegável que a ausência até o momento de vários nomes competitivos favorece Tarcísio, o líder das pesquisas.

Não por outro motivo, o PT precisa que o PSDB leve adiante a pré-candidatura de Paulo Serra e que Kim Kataguiri (Missão) não desista da disputa. Caso contrário, o primeiro turno poderá se transformar em um repeteco do segundo turno de 2022.  

Na pista

Ronaldo Caiado (PSD) avalia que o resultado da mais recente pesquisa Datafolha confirmou a viabilidade de sua candidatura presidencial por conta de seu bom desempenho no segundo turno, em empate técnico com Lula. Ou seja, o levantamento mostra que o ex-governador de Goiás tem chances claras de derrotar o petista e, por isso, é uma alternativa consistente para o eleitorado antipetista. Falta agora tirar Flávio Bolsonaro (PL) do caminho.

Na pista 2

O Datafolha também deu fôlego a Romeu Zema (Novo). O ex-governador de Minas Gerais é outro que aparece em empate técnico com Lula no segundo turno, apesar de se manter muito isolado em termos de alianças. Segundo seus aliados, porém, os números da pesquisa mostram que Zema pode ser fundamental para a sobrevivência eleitoral do Novo, seja como candidato a presidente ou mesmo vice de Flávio Bolsonaro ou de Caiado.

Fonte

ÉTopSaber Notícias
ÉTopSaber Notícias

🤖🌟 Sou o seu bot de notícias! Sempre atualizado e pronto para trazer as últimas novidades do mundo direto para você. Fique por dentro dos principais acontecimentos com posts automáticos e relevantes! 📰✨

Artigos: 66335

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verified by MonsterInsights