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A seis meses do primeiro turno — e com a saída dos principais ministros da ala política para as pré-campanhas —, o governo Lula corre para que medidas tomadas agora tenham algum efeito na popularidade do presidente, ainda que seja apenas de conter insatisfações.
É nesse contexto que se encaixam as declarações recentes do petista sobre o endividamento da população e, também, as medidas para conter a alta global dos combustíveis, no contexto da guerra no Oriente Médio.
Durante o fim de semana, Donald Trump renovou ameaças ao Irã e prometeu atacar instalações civis caso o regime dos aiatolás não ceda — o que configuraria crime de guerra, segundo o New York Times (sem paywall).
Por aqui, os seis meses que faltam para o primeiro turno significam também o fim da janela partidária, com o PL de Flávio Bolsonaro saindo como principal vitorioso na Câmara.
O entorno do pré-candidato avalia formas de instituir o que chama de reorganização de regras dos Poderes, Fábio Pupo escreve na nota 3 — seria uma forma de avançar a pauta de limitar o Judiciário, mas com um discurso menos radical.
Kátia Abreu se filiou ao PT.
Letícia Mori colaborou nesta edição.
Boa leitura.
1. O ponto central: ⛽ Completa?
Duas semanas após editar o decreto que zerou a cobrança de PIS/Cofins sobre a importação e a venda de diesel, o governo Lula deve publicar a medida provisória que estabelece a subvenção ao combustível em parceria com estados.
A maioria dos governadores concordou com a iniciativa, segundo integrantes do governo, e apenas dois negaram adesão em definitivo.
O texto também deve conter ajuda ao setor aéreo.
A proposta para as companhias é mitigar o impacto da alta do petróleo e possibilitar a manutenção do fluxo de caixa, segundo o secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron.
Há resistências na equipe econômica a conceder subsídio ao querosene de aviação, porque isso implicaria beneficiar pessoas de maior poder aquisitivo — mas a análise pode ter que ceder ao temor de que um aumento nas passagens possa respingar na popularidade do presidente.
Também estão em discussão empréstimos às empresas, além da redução do IOF sobre diversas operações do setor e do Imposto de Renda sobre leasing de aeronaves.
UMA MENSAGEM DA INDÚSTRIA BRASILEIRA
Indústrias brasileira e americana se reúnem na Brazilian Week
Shutterstock
A CNI (Confederação Nacional da Indústria) e a US Chamber of Commerce (Câmara de Comércio dos Estados Unidos) realizam o Dia da Indústria Brasil-EUA, no dia 11 de maio, em Nova York. O evento reunirá lideranças empresariais, investidores e autoridades governamentais para debater a agenda prioritária e convergente da indústria dos dois países com temas minerais críticos, energia, saúde, tecnologias digitais e financiamento.
A programação durante a Brazilian Week conta com uma cerimônia de reconhecimento de empresas e instituições nas categorias Fortalecimento Brasil-EUA e Inovação e Transformação Industrial.
Essa é a primeira vez que o setor reúne representantes dos dois países em um evento na Brazilian Week. Realizada anualmente em Manhattan, a semana conta com uma série de encontros sobre oportunidades de investimento.
A integração produtiva entre as indústrias impulsiona a criação de emprego e renda no Brasil: em 2024, foram criados 24,3 mil empregos e movimentados R$ 531,8 milhões em massa salarial a cada R$ 1 bilhão exportado ao mercado americano.
A relação bilateral também é marcada por forte intercâmbio de investimentos, sendo os EUA o maior investidor no Brasil e o principal destino dos investimentos brasileiros no exterior.
2. Pé firme
Movimentação na Rua 25 de Março, em São Paulo / Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil
A equipe econômica do governo Lula tem se mostrado contrária a qualquer medida que tente revogar a taxa das blusinhas, Bárbara Mengardo e Fábio Pupo escrevem noJOTA PRO Poder.
A equipe econômica admite discutir a alíquota de 20%, mas pondera que qualquer mudança exigiria debate no Congresso, uma vez que o programa foi instituído por lei (no âmbito do Mover).
Por que importa: O tema é alvo de discussões frequentes entre o time econômico e a ala política, porque é uma das iniciativas mais impopulares do governo.
O tema voltou ao noticiário nesta semana após pesquisas recentes indicarem o fortalecimento da candidatura de Flávio Bolsonaro.
Sim, mas… Diante da aproximação da campanha eleitoral, reabrir a discussão no Parlamento é considerado um movimento arriscado.
A avaliação interna é que o programa contribui para boas práticas de importação e corrige distorções.
A equipe econômica afirma que, com a regra anterior de isenção para remessas de até US$ 50 de pessoa para pessoa, muitas empresas importadoras fraudavam dados se passando por pessoas físicas.
Algumas chegavam a colocar o nome do ator Jackie Chan no campo do remetente — com as mudanças, a Receita passou a contar com um filtro mais rigoroso sobre as importações.
Para usufruir de uma alíquota de 20%, as empresas precisam cumprir uma série de regras do Remessa Conforme. Caso contrário, ficam sujeitas à tributação de 60%
3. No jeito
Marcos Rogério fala com Flávio Bolsonaro no plenário do Senado / Crédito: Carlos Moura/Agência Senado
O círculo político próximo a Flávio Bolsonaro tem aventado a ideia de instituir no país o que chama de reorganização de regras dos Poderes, Fábio Pupo escreve no JOTA PRO Poder.
A proposta poderia provocar mudanças específicas no Judiciário, com possíveis reflexos, inclusive, nas dinâmicas de grandes escritórios de advocacia.
♟️ A estratégia: O entorno do senador tenta desvincular o diagnóstico e as possíveis medidas da associação com os embates da família Bolsonaro com a Justiça.
A ideia é apresentar a questão a partir da avaliação de que cada Poder deve atuar dentro de determinados limites, com o objetivo de reforçar a previsibilidade, a segurança jurídica e o equilíbrio institucional.
Enquanto o pai confrontou ministros e ameaçou não cumprir ordens — e Eduardo falou em “um cabo e um soldado” para fechar o STF —, o entorno de Flávio parece buscar um caminho para limitar o Judiciário sem puxar para si a pecha do radicalismo.
Por que importa: Mesmo que Flávio seja eleito presidente, as chances de esse tipo de debate ganhar força na campanha ou a partir de 2027 são consideráveis.
A onda bolsonarista, que expressa insatisfações constantes em relação ao STF, dá sinais de fôlego nas eleições para o Parlamento.
🔮 O que observar: Embora ainda não haja detalhes, aliados do senador se debruçam sobre alternativas.
Mudanças mais significativas podem exigir alterações na lei ou até requererem uma PEC — e a discussão ocorreria, portanto, no Congresso.
Aliás… Alexandre de Moraes aumentou o raio de restrição de sobrevoo de drones próximos à casa do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O ministro já tinha proibido a circulação de drones no perímetro aéreo da casa de Bolsonaro e delimitou 100 metros de restrição.
A decisão atendeu a um pedido da Polícia Militar, que identificou equipamentos não autorizados sobrevoando o imóvel e alegou risco à segurança e violação do espaço aéreo. Leia mais.
4. ‘Caracterizações distorcidas’
Fachin em sessão do Supremo / Crédito: Antonio Augusto/STF
O presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, divulgou nota em resposta ao relatório elaborado pelo Comitê Judiciário da Câmara dos Estados Unidos,Flávia Maia registra no JOTA.
Segundo o ministro, o documento traz “caracterizações distorcidas” das decisões do tribunal brasileiro como o do aumento da responsabilização das big techs sobre conteúdos postados por usuários e derrubada de posts.
“Não se pode alegar o direito à liberdade de expressão para o cometimento de crimes tipificados em lei”, escreveu Fachin.
Sem citar Alexandre de Moraes, ele reiterou que as ordens de remoção de conteúdo inserem-se no contexto de investigações realizadas contra milícias digitais que visam golpe de Estado.
O presidente do STF mencionou que o modelo de responsabilização das plataformas trazido a partir do julgamento do Marco Civil da Internet não é exclusivo do Brasil.
Para Fachin, o julgamento do Marco Civil acompanha práticas internacionais de proteção de direitos e responsabilização de provedores por conteúdos de terceiros, mantém o núcleo do modelo de responsabilização — apenas criando exceções em casos graves, como o cometimento de crimes — e se pauta pela proteção do usuário.
5. Curta temporada
Zanin, relator de uma das ADPFs sobre a eleição para governador tampão do Rio / Crédito: Gustavo Moreno/STF
O STF vai decidir nesta quarta (8) se as eleições para governador-tampão do Rio de Janeiro serão diretas ou indiretas.
Quatro ministros já se posicionaram a favor do voto popular: Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin.
O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) e o deputado estadual Douglas Ruas (PL) já disseram que pretendem concorrer se a eleição for direta.
O estado pode ter um “clima de campanha” de seis meses caso a decisão seja pelo voto popular, já que a decisão dos partidos para os candidatos ao mandato completo deve acontecer até 5 de agosto — pouco tempo após a posse do governador-tampão, mostra a Folha de S.Paulo (com paywall).
⏩Pela frente: O STF também decide se a votação vai acontecer em 17 de maio ou 21 de junho, duas datas reservadas pelo TSE.
A realização em junho é considerada a mais provável.
6. Restos a pagar
O Ministério da Saúde empenhou R$ 76,7 milhões das emendas parlamentares até 23 de março, alta de 121% em comparação ao mesmo período do ano passado, revela levantamento do JOTA PRO Saúde.
O empenho é a primeira etapa da execução orçamentária: quando o Executivo reserva o valor, confirmando que o dinheiro terá mesmo aquele destino.
A fila neste ano foi puxada pelos resíduos de anos anteriores: dos R$ 76,6 milhões empenhados, 93% são de restos a pagar. Cerca de R$ 5 milhões são referentes ao orçamento de 2026.
Por que importa: Atrasos no empenho tendem a criar tensão entre Poder Executivo e parlamentares.
Em 2023 e 2024, o ministério empenhou menos de R$ 1 milhão até 20 de março, criando desgaste para a então ministra Nísia Trindade.
O Ministério da Saúde disse ao JOTA que está antecipando o empenho das emendas neste ano por conta do calendário eleitoral — já que, por lei, não pode fazer transferência de recursos depois de 4 de julho.
7. Agenda BSB: Indefinição na Câmara e mais
A pauta do plenário da Câmara para a semana segue em aberto. Ainda não há confirmação para a reunião de líderes que define os projetos que serão apreciados. Hugo Motta confirmou a intenção de votar nesta semana a PEC 383/17, que destina ao menos 1% da receita corrente líquida (RCL) da União para o Sistema Único de Assistência Social. O governo ainda não tinha, na véspera do feriado, uma estratégia de reação à decisão de Motta de pautar a PEC, e a preocupação é com o impacto fiscal da medida. Não há ainda um cálculo oficial do impacto, mas estima-se que ficaria ao menos em R$ 8 bilhões para 1% da RCL.
A Comissão de Constituição e Justiça da Câmara recebe representantes de confederações amanhã (7) para discutir a PEC que prevê o fim da escala 6×1. Estão confirmadas: Confederação Nacional do Transporte (CNT), Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e Confederação Nacional da Indústria (CNI).
A CPI do Crime Organizado marcou para quarta (8) os depoimentos do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e de Roberto Campos Neto, ex-presidente da instituição monetária. A expectativa é de que ambos prestem esclarecimentos sobre as medidas adotadas para combater a lavagem de dinheiro do crime organizado dentro do sistema financeiro. Galípolo confirmou a alguns senadores que estaria disposto a apresentar informações. Com relação a Campos Neto, a previsão é que não compareça. Ele era esperado para prestar depoimento, mas não foi após obter um habeas corpus do ministro André Mendonça. A previsão é de que o cenário se repita.
A Comissão de Assuntos Econômicos do Senado incluiu na pauta de amanhã (7) um projeto de lei que estabelece regras para prevenir a lavagem de dinheiro e proteger os investidores no mercado de ativos virtuais. O relator é o senador Irajá Abreu. Ele também foi relator do projeto que deu origem à lei de regulamentação do mercado nacional de criptomoedas (Lei nº 14.478 de 2022).
Está na agenda do Supremo desta semana a discussão sobre a redução do Parque Nacional do Jamanxim, que pode afetar as obras da Ferrogrão. O julgamento está previsto para ser iniciado na quarta-feira (8).
Os ministros voltam a julgar na quinta (9) o recurso que discute a quebra de sigilo de usuários indeterminados da internet. O caso concreto trata do acesso a dados de pessoas que pesquisaram, no Google, termos ligados à vereadora Marielle Franco pouco antes de seu assassinato e do motorista Anderson Gomes, em 2018. O placar está em 4 a 2 pela validade da quebra de sigilo de buscas na internet de forma genérica e não individualizada pela Justiça em investigações criminais. Além do ministro Dias Toffoli, faltam votar a ministra Cármen Lúcia e o ministro Luiz Fux.
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