Como magnet links, mirrors e dark web mantêm sites piratas no ar

Como magnet links, mirrors e dark web mantêm sites piratas no ar – Canaltech

Vários casos famosos de combate à pirataria deixam bem claro para as autoridades que não é fácil derrubar sites e iniciativas clandestinas: muitas vezes, apagar domínios sequer afeta a operacionalidade dos repositórios. Anna’s Archive e streamings como o Stremio estão aí para provar isso.

Como, então, os sites piratas conseguem contornar processos, bloqueios e queda de infraestrutura, mesmo sendo feitos repetidas vezes?

Nesta matéria, vamos mergulhar nas táticas dos piratas para escapar da lei e descobrir porque é tão difícil acabar com a pirataria de vez.


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Derrubar um site é o mesmo que encerrar sua operação?

Tirar um endereço do ar, por mais definitivo que pareça, não é a mesma coisa que desmontar a estrutura por trás dele. Domínio, servidor e acervo são coisas diferentes: o primeiro conceito é relacionado ao que conhecemos como website, a parte que podemos ver, clicar e navegar.

A hospedagem dos sites piratas muda constantemente e possui inúmeros links clones, os mirrors, que dificultam tirar toda a estrutura do ar (Imagem: Sv Studio Art/Freepik)
A hospedagem dos sites piratas muda constantemente e possui inúmeros links clones, os mirrors, que dificultam tirar toda a estrutura do ar (Imagem: Sv Studio Art/Freepik)

O servidor é onde os dados estão armazenados, e, caso somente o domínio (como “sitepirata.com” ou “.org”) seja derrubado, os arquivos continuam lá. O acervo de arquivos piratas guardados no local, inclusive, pode ter backups e cópias em vários outros servidores e computadores locais, impedindo que os esforços atinjam todos, a menos que façam batidas policiais físicas.

Assim, a comunidade pirateira e os canais de redistribuição de torrents e arquivos clandestinos conseguem sobreviver por muito tempo: muitas vezes, só uma parte da cadeia é atingida, levando ao renascimento rápido da pirataria em questão.

Magnet links e torrents

Muitos sites de pirataria, como o The Pirate Bay, constroem uma infraestrutura leve justamente para facilitar a recriação de todo o site. No caso desse exemplo, são usados magnet links, ou seja, textos simples que indicam o endereço do torrent a ser baixado.

Sem arquivos de vários KB guardando a informação a serem hospedados, fica fácil replicar o site todo, que pesa menos de 100 MB.

Hospedagem internacional e os limites da Justiça

Tecnologia e geopolítica estão fortemente relacionadas à pirataria. A internet é uma rede global de computadores, de fato, mas a aplicação das leis digitais é baseada em território. Isso quer dizer que uma decisão judicial ou lei nos Estados Unidos não vale para países como a Dinamarca, tornando difícil o cumprimento de uma ordem de derrubar um site hospedado no país estrangeiro, por exemplo.

Hospedar sites em países que não cumprirão ordens judiciais de outras nações e na dark web, como no caso de Anna's Archive na Groenlândia, pode ser o suficiente para deixar a pirataria no ar (Imagem: Torrent Freak/Divulgação)
Hospedar sites em países que não cumprirão ordens judiciais de outras nações e na dark web, como no caso de Anna’s Archive na Groenlândia, pode ser o suficiente para deixar a pirataria no ar (Imagem: Torrent Freak/Divulgação)

Outra tática de evasão é a hospedagem de sites na dark web, em redes anônimas cujo rastreio se torna muito mais difícil. Sem saber onde está a infraestrutura real, o cumprimento da lei fica praticamente impossível de ser aplicado, ainda mais quando há migração constante dos arquivos.

Por que prender alguém nem sempre resolve?

Em alguns casos, as autoridades conseguem localizar os servidores físicos ou os responsáveis pelo esforço de manter os repositórios clandestinos no ar e fazem batidas policiais, interrompendo as atividades de pirataria.

O problema é que vários hackers ou equipes de pessoas podem trabalhar nos serviços piratas, bem como podem deixar o código dos sites ou aplicativos aberto, dando margem para que outros continuem o trabalho de distribuição. É o caso do Popcorn Time, por exemplo.

Preço e demanda

Somente a tecnologia atual, com as variedades de serviços de hospedagem, torrents e outras capacidades técnicas que permitem a pirataria não explicam a contínua existência dessas ações ilegais.

Inúmeros streamings a preços altos acabam incentivando os internautas a buscarem filmes e séries em locais clandestinos (Imagem: Nicolas J Leclercq/Unsplash)
Inúmeros streamings a preços altos acabam incentivando os internautas a buscarem filmes e séries em locais clandestinos (Imagem: Nicolas J Leclercq/Unsplash)

O preço alto dos serviços, excesso de assinaturas, paywalls, indisponibilidade regional, remoção de conteúdos e barreiras de acesso acabam gerando uma demanda, e onde há demanda, alguém fornece.

Bloqueios pontuais de sites e apps, então, nunca vão resolver a questão da pirataria definitivamente. Até que as grandes empresas busquem resolver problemas de proteção geográfica e disponibilidade mais acessível de seus serviços, a pirataria continuará viva, a despeito da perda de alguns servidores e prisão de hackers.

Leia a matéria no Canaltech.

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