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Movimentos de luta, golpes com facas e simulações de socos em mulheres. É isso que a trend “Caso ela diga não” promove no TikTok, com vídeos que fazem apologia à violência contra o sexo feminino em meio ao aumento recorde de casos de feminicídio no Brasil.
A trend vem repercutindo nas últimas semanas com vídeos misóginos feitos por homens que usam a rede para propagar os conteúdos violentos. Diante da gravidade do viral, a Diretoria de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal (PF) abriu uma ação para derrubar os perfis e um inquérito de investigação para impedir a disseminação dos vídeos.
A pauta também foi assunto da Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados nesta terça-feira (10) com a votação de um requerimento para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue as publicações. O pedido foi realizado pelo deputado Pedro Campos (PSB-PE).
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Mas o que é exatamente a nova trend e por que ela tem causado tanta repercussão nos últimos dias? O Canaltech explica tudo que você precisa saber sobre o assunto.

Intitulada “Treinando caso ela diga não”, a trend do TikTok consiste em vídeos em que homens, geralmente jovens, simulam cenários de abordagem romântica, como um pedido de namoro ou casamento, para mulheres.
A cena vem acompanhada da frase “treinando caso ela diga não” ou variações semelhantes, seguidas de uma reação violenta se a resposta for negativa. As simulações contemplam diversos atos violentos e criminosos, indo de simulação de socos em objetos, golpes com facas, tiros e outras ações agressivas.

Para ter uma noção do alcance, uma análise do g1, feita a partir de 20 vídeos divulgados no TikTok e publicados entre 2023 e 2025, descobriu que os vídeos são veiculados por contas que chegam até 177 mil seguidores, com mais de 175 mil interações na rede social.
O viral ocorre em meio a casos reais, como uma jovem no Rio de Janeiro que foi esfaqueada mais de 15 vezes depois de rejeitar um homem. Ela sobreviveu após permanecer quase um mês internada.
Vale mencionar ainda que a trend repercute em meio ao aumento de casos de feminicídios no país: cerca de 1.470 mulheres foram assassinadas por esse tipo de crime em 2025, de acordo com dados coletados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública. A média aponta para quatro mulheres mortas por dia, marcando o maior número de casos desde 2015, ano em que a tipificação do feminicídio foi criada.
Além da repercussão na internet, a trend que faz apologia à violência contra a mulher recebeu atenção de entidades governamentais. Como dito anteriormente, a Diretoria de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal derrubou os perfis criminosos identificados na investigação, conforme divulgado no blog da jornalista Julia Dualibi no g1.
A medida visa, juntamente com a votação do requerimento à PGR, analisar as publicações virais para que medidas sejam tomadas em relação à responsabilização criminal do caso.
Pedro Campos, o deputado que fez a solicitação, comentou em entrevista ao GloboNews Mais que a punição não deve ficar concentrada apenas nos criadores desses conteúdos misóginos, contemplando também as empresas de tecnologia. Segundo o político, é “fundamental entender o que essas plataformas estão fazendo para coibir que esse tipo de conteúdo circule”.

A Advocacia-Geral da União (AGU) também está envolvida com o caso. A instituição enviou um pedido de abertura de inquérito no último domingo (8), Dia Internacional da Mulher, para apurar a circulação dos vídeos. O procurador da solicitação, Raphael Ramos, afirmou que as imagens das publicações promovem uma ameaça concreta aos direitos das mulheres, além de afetarem a integridade de ações públicas voltadas para a proteção desses direitos.
Diante das publicações virais, o TikTok foi questionado acerca da trend. Como resposta, a empresa enviou uma nota afirmando que tinha removido os conteúdos misóginos da plataforma assim que eles foram detectados por violarem as Diretrizes da Comunidade.
Porém, isso não foi o bastante para o governo brasileiro. O Ministério da Justiça enviou nesta terça-feira (10) um pedido para que o TikTok se explique sobre a trend em um período de cinco dias. A solicitação argumenta que a plataforma não deve se limitar à remoção de conteúdos específicos, mas promover a remoção imediata sem que exista necessariamente um pedido judicial.

O governo também pediu uma descrição detalhada de medidas técnicas e organizacionais que são implementadas para remover conteúdos misóginos na rede social, como sistemas automatizados de moderação e análises de trends que possam conter conteúdos ilícitos.
O ofício ainda solicita dados sobre a monetização dos conteúdos que foram removidos e mecanismos de recomendação de vídeos que podem ter impulsionado as publicações que fazem apologia à violência contra a mulher.
Leia a matéria no Canaltech.